O Estado Islâmico e a Guerra Civil na Síria

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o Oriente Médio tem sido uma região de conflitos e guerras – entre árabes e israelenses, muçulmanos e cristãos, xiitas e sunitas – e uma fonte de terrorismo internacional.

Apesar de a maioria dos países do Oriente Médio compartilhar a mesma língua, as diferenças culturais e religiosas entre os povos que habitam essa região turbulenta são uma constante fonte de conflitos. Mesmo entre os árabes há divisões – por exemplo, entre sunitas e xiitas.

Alguns países árabes são governados por um governo secular (não religioso). Já outros são governados de acordo com a lei islâmica. Alguns países do Oriente Médio são monarquias conservadoras, enquanto outros são regidos por presidentes e primeiros-ministros.

Para entender os conflitos na Síria e no Iraque, é fundamental conhecer as divisões étnicas religiosas da região.

Etnias e Religiões

O atual conflito no Oriente Médio se deve, em grande parte, ao antagonismo histórico entre sunitas e xiitas. Os sunitas representam o grupo majoritário da religião islâmica: aproximadamente 85% de todos os muçulmanos são sunitas e apenas 15% são xiitas. Os sunitas a maioria da população nos países árabes, com exceção de Iraque, Líbano e Bahrain. Os xiitas, apesar de constituir uma minoria entre os muçulmanos, nunca abriram mão do desejo de se tornarem os líderes do mundo islamismo.

Outro grupo muçulmano de destaque no Oriente Médio é o povo curdo. Os curdos, que constituem uma população de 30 milhões de pessoas, são a maior nação do mundo sem um Estado nacional próprio. A maioria dos curdos é muçulmana sunita (o restante dos curdos segue a religião yazidi). É importante ressaltar que o que mais pesa na identidade de quase todos os curdos é a etnia curda, não a religião.

O Curdistão, região habitada pelos curdos, abrange partes do leste da Turquia, do nordeste do Iraque, do noroeste do Irã, e, em menor escala, de partes do nordeste da Síria e da Armênia.

Os cristãos são uma minoria no Oriente Médio. Representam aproximadamente 4% da população no Iraque, 10% na Síria e 40% no Líbano. É importante saber que os cristãos do Iraque, diferentemente dos que vivem no Líbano e na Síria, não são árabes. São assírios e armênios.

O Iraque

A população iraquiana é segmentada por diversas etnias: árabes, curdos e minorias armênia, turcomana e assíria. No âmbito religioso, há sunitas e xiitas e minorias cristãs e yazidis.

Durante muitos anos, o Iraque foi governado pelo ditador Saddam Hussein, que subiu ao poder em 1979. Esse ditador era sunita e, ao tomar o poder, causou com a elite do país passasse a ser sunita. Os xiitas, que constituíam a maioria da população no país, viviam na pobreza e eram oprimidos pelo governo. Os curdos, que representavam 21% da população do Iraque, nem sequer eram representados pelo governo e viviam em um conflito quase contínuo com o regime ditatorial de Saddam Hussein. Este líder genocida utilizou até armas químicas para erradicar os curdos do Iraque.

Em 2003, os Estados Unidos, sob a liderança do presidente George W. Bush, invadiram o Iraque e depuserem Saddam Hussein, que foi capturado, condenado à morte por um tribunal e enforcado. Mas na ausência do ditador iraquiano, iniciou-se uma guerra civil entre os sunitas e os xiitas do país. Os curdos, apesar de serem quase todos sunitas, apoiaram os xiitas, pois foram muito perseguidos e massacrados pelo governo sunita de Saddam Hussein. Após a queda de Saddam Hussein, os xiitas se aliaram aos curdos para criar uma nova Constituição, que excluía os sunitas.

Os sunitas, que até então representavam a elite do Iraque, foram tirados do poder e alienados pelo novo governo. Decidiram, portanto, lutar contra as forças norte-americanas presentes em solo iraquiano e contra o novo governo do Iraque. Os sunitas iraquianos afirmavam que os xiitas, apoiados pelos Estados Unidos e pelo Irã, objetivavam fazer com que o Iraque se tornasse uma teocracia absolutista, como o Irã. Inegavelmente, o Irã, um país quase inteiramente xiita, ajudava os xiitas do Iraque em sua guerra contra os sunitas.

Os sunitas se consideram alvo de perseguição do Iraque desde que os Estados Unidos invadiram o país. As forças sunitas iraquianas eram constituídas tanto por grupos seculares ligados a Saddam Hussein como por facções ligadas à organização terrorista Al Qaeda (que perpetrou o ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001), até então inexistente em território iraquiano.

Os países árabes, que são predominantemente sunitas, apoiam e sustentam os sunitas que lutam contra os xiitas no Iraque.

No final de 2010, o presidente norte-americano, Barack Obama, sucessor de George W. Bush, retirou as tropas norte-americanas do Iraque e declarou que a missão dos Estados Unidos em território iraquiano havia sido encerrada.

Estado Islâmico - EI, EIIL ou ISIS

O Estado Islâmico (EI) nasceu no Iraque em 2004. Esse grupo islâmico extremista surgiu como um braço do grupo terrorista Al-Queda. Contudo, devido aos métodos violentos empregados e às atrocidades cometidas pelo EI, essa organização passou a ser considerada radical pelo próprio Al Queda. Houve uma ruptura: o EI se tornou uma organização independente. O EI é liderado por Abu Bakr al-Baghdadi, que está à frente dessa organização terrorista desde 2010.

Até recentemente, o grupo era conhecido como Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL, ou ISIS, em inglês), pois o grupo controla partes do Iraque e da Síria (também chamada de Levante). O grupo alterou sua denominação para Estado Islâmico (EI), pois seu líder, Al Baghdadi, não deseja apenas conquistar a Síria e o Iraque. O grupo ambicionar tomar outros países árabes, como a Jordânia e a Arábia Saudita.

O objetivo do EI era de criar um califado: eliminar as fronteiras nacionais entre os países árabes e criar um único Estado, governado por um líder político e religioso e regido pela lei islâmica, a Sharia.

O EI, além de extremamente violento e cruel, era muito bem armado e contava com um enorme poderio econômico. O grupo é financiado por sunitas radicais. O EI, que conquistou e controlou campos de exploração de petróleo e gás no Iraque, vendia fontes energéticas no mercado negro a preços mais baixos que os de mercado. Estimava-se que o EI faturava de um a três milhões de dólares ao dia com a venda de petróleo. Paralelamente, o EI obtinha recursos financeiros por meio de sequestros, roubos a bancos e contrabando, inclusive o de objetos arqueológicos. O grupo também instituiu um sistema de impostos em áreas conquistadas. O objetivo era utilizar essa enorme receita para financiar e expandir a organização e construir o califado.

O EI utilizava a enorme quantia de dinheiro que adquiria para comprar armas e para pagar altos salários para seus combatentes. Além disso, o grupo havia apreendido grandes quantidades de armas do Exército iraquiano. O EI também contrabandeava armas da Líbia – onde os rebeldes líbios foram armados pela OTAN – e de grupos rebeldes da Síria, que foram armados pelo Ocidente e por países do Golfo.

O EI considera que os xiitas, que constituem a maioria da população iraquiana, são infiéis que merecem ser mortos. Ao mesmo tempo, afirmam que os cristãos têm de se converter ao Islã, pagar uma taxa religiosa ou serem executados.

O grupo persegue ativamente os “infiéis”. Por exemplo, durante o “califado”, no Iraque, o EI fez um cerco, massacrou e capturou milhares de cristãs yazidis. O destino das mulheres capturadas pelo EI é sempre terrível: aquelas que cedem às pressões pela conversão ao islamismo podem ser vendidas como esposas. Já as que recusam a se converter ao islamismo são executadas ou mantidas como escravas sexuais.

O EI é uma organização sanguinária e cruel que pratica atos de barbárie: crucifica minorias religiosas, decapita jornalistas, escraviza pessoas, estupra mulheres, meninas e meninos, mata crianças e organiza, incentiva e pratica atos de terrorismo pelo mundo. Em sua estratégia de expansão, o EI utilizava a barbárie – decapitações, crucificações, crimes sexuais e execuções sumárias – como arma de propaganda. Dessa forma, aterrorizava os inimigos e garantia a obediência das populações das cidades conquistadas. Ao mesmo tempo, recrutava mais e mais pessoas, particularmente radicais sunitas – recém-convertidos ou não, de diversas nacionalidades.

O EI recruta pessoas que desejem lutar pelo califado ou praticarem atos de terrorismo. Há pessoas, homens e mulheres, inclusive dos Estados Unidos e da Europa, que se juntaram a esse grupo terrorista. Muitas dessas pessoas nem sequer falam árabe: são ocidentais, de origem islâmica ou não. Esse fenômeno fez com que os países ocidentais lançassem ofensivas em seus territórios para evitar que seus cidadãos conseguissem chegar até a fronteira da Turquia com a Síria, que é o principal portal para o EI. Com a perda territorial, o foco se volta para que essas pessoas radicalizadas cometam atos de terrorismo dentro de seus países.

O Estado Islâmico utiliza a Internet – promove uma agressiva estratégia nas redes sociais – para ganhar aderentes de todas as idades e origens. Há membros do EI que são especialistas em recrutar combatentes em países ocidentais, como os Estados e a França. A organização até publica uma revista em inglês e francês.

Uma das maiores ameaças aos países ocidentais, como os Estados Unidos, a França e a Inglaterra, é a possibilidade de que os estrangeiros que adentraram o Estado Islâmico retornem aos seus países para perpetrar ataques terroristas.

Outra grande ameaça aos países ocidentais é que os próprios cidadãos, dentro de seus próprios países, se radicalizem e cometam atentados terroristas – como “lobos solitários” ou a serviço do EI ou de outros grupos fundamentalistas.

O termo “lobo solitário” se refere àquele que comete um atentado terrorista sem ter havido planejamento coletivo ou assistência de um grupo terrorista. O “lobo solitário” é incentivado e inspirado pela propaganda terrorista. Atos de terrorismo promovidos por “lobos solitários” são muito difíceis de prevenir, pois costumam ser espontâneos.

O avanço do Estado Islâmico

O EI capturou territórios no Iraque e na Síria. O califado atingiu o auge durante os anos 2014 a 2017. O mapa abaixo exibe a extensão do território conquistado e controlado pelo EI até 2017.


Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/subcultura-jihadista-engrossa-fileiras-do-terror-do-estado-islamico

Apesar de ter surgido no Iraque, o Estado Islâmico se fortaleceu durante a guerra civil na Síria. O EI é um dos vários grupos armados sunitas que lutam na guerra civil desse país contra o regime de Bashar al-Assad.

Enquanto os Estados Unidos permaneciam no Iraque, o crescimento do EI no país era limitado. Contudo, a retirada das tropas norte-americanas do Iraque eliminou a resistência à entrada do Estado Islâmico nos territórios majoritariamente sunitas do oeste do país, próximos da fronteira com o território sírio.

Em 2014, o Estado Islâmico (EI) passou a tomar importantes cidades do Iraque e anunciou que pretendia tomar a capital do país, Bagdá. O avanço dos rebeldes causou reação internacional: os Estados Unidos e seus aliados decidiram retornar ao Iraque e bombardear os combater os militantes do EI para conter o crescimento e a expansão da organização.

Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos e formada por mais de 40 países se mobilizou para destruir o Estado Islâmico (EI). Contudo, o governo dos Estados Unidos declarou repetidamente que soldados norte-americanos não voltariam a lutar em solo iraquiano.

A estratégia dos Estados Unidos e da coalizão para derrotar o Estado Islâmico consiste em bombardeios, apoio aos Peshmerga (guerrilheiros curdos) e a formação de um governo iraquiano que inclua a presença de sunitas, curdos e cristãos, diferenciando-se do governo anterior, que era controlado por xiitas. Com os sunitas no Iraque fazendo parte do novo governo e, portanto, se sentindo representados, as forças armadas do Iraque, com apoio dos Estados Unidos, enfrentaram menos resistência nas áreas controladas pelo Estado Islâmico e obtiveram apoio dos líderes tribais.

O Estado Islâmico chegou a controlar 40% do território iraquiano. O exército do Iraque, com o apoio de seus aliados, conseguiu libertar os territórios que estavam sob o controle do EI. Em dezembro em 2017, o governo iraquiano declarou que havia vencido a guerra contra o EI.

Combater o Estado Islâmico na Síria é um desafio mais complexo do que fazê-lo no Iraque, pois lutar contra o EI na Síria significa perseverar o atual ditador do país, Bashar al-Assad – considerado um criminoso de guerra pelo Ocidente.

Guerra Civil na Síria


Cidade de Alepo antes da guerra

A Síria é governada pelo presidente Bashar al-Assad desde 2000. O predecessor de Bashar al-Assad foi seu pai, Hafez al-Assad.

Vale lembrar que o ditador do Iraque, Saddam Hussein, pertencia a uma minoria do país. O mesmo vale para a família Al-Assad, que governa a Síria desde 1971. O atual presidente, Bashar Al-Assad, é um membro da minoria alauíta do país. Os alauítas – um grupo étnico religioso, que se considera xiita, constitui apenas 15% da população síria. A grande maioria dos sírios é sunita e se sente prejudicada pelo governo alauíta.

Desde 2011, a Síria enfrenta uma guerra civil. O objetivo dos rebeldes é remover o presidente Assad do poder. As Nações Unidas declararam que é praticamente impossível determinar o número de mortos na guerra civil da Síria. Estima-se que o número ultrapassou 500 mil. Além disso, mais de 11 milhões de pessoas – representando metade da população da Síria pré-guerra civil – tiveram de abandonar seu lar: 6.6 milhões de pessoas estão refugiadas dentro da Síria e mais de 5.6 milhões fugiram para outros países. Muitos deles procuraram refúgio em países vizinhos, como Líbano, Jordânia e Turquia. Um milhão de sírios pediram asilo na Europa: 300 mil deles imigraram para a Alemanha.

A guerra destruiu a infraestrutura da Síria, gerou uma grave crise humanitária e fortaleceu grupos extremistas.

Os esforços para derrubar o ditador sírio não se iniciaram de forma violenta.  Em março de 2011, iniciaram-se na Síria grandes manifestações pacíficas contra o governo. A população estava insatisfeita: o cenário econômico do país era ruim e o desemprego, alto. A população, inspirada pela Primavera Árabe, foi às ruas para exigir democracia, liberdades individuais e direitos civis.

O governo de Assad reagiu às demonstrações com violência e brutalidade. Vários demonstradores foram espancados e executados. Forças do governo atiraram indiscriminadamente contra as multidões.  O presidente Assad afirmava que tal violência era necessária, pois as demonstrações contra seu governo eram promovidas por terroristas. Os manifestantes pediram ajuda dos Estados Unidos, mas seus pedidos foram negados. O governo de Barack Obama se recusou a se envolver no conflito da Síria.

A violência empregada pelas forças do presidente Assad fomentou a determinação dos manifestantes e, em julho de 2011, centenas de milhares de sírios saíram as ruas exigindo a renúncia de Assad. Os países ocidentais, inclusive os Estado Unidos, pressionaram o presidente Assad a renunciar. Contudo, a pressão diminuiu devido ao surgimento e fortalecimento do Estado Islâmico na Síria. Acredita-se que vários países do Ocidente preferem que Assad permaneça no poder, apesar dos crimes contra a humanidade que cometeu, pois temem que sua queda significará a tomada da Síria pelo Estado Islâmico ou outros grupos terroristas.  

Apesar das manifestações, Assad se recusou a renunciar. Em vez disso, fez algumas concessões para tentar apaziguar os manifestantes: encerrou o estado de emergência no país, que vigorava há 48 anos, elaborou uma nova Constituição e realizou eleições multipartidárias. Tais medidas não aplacaram os manifestantes, cujo objetivo era nada menos que o fim do governo Assad.

Aos poucos, à medida que a repressão do governo se tornava mais violenta, os protestos foram se espalhando pelo país e deixaram de ser pacíficos. Os manifestantes se armaram para se defender e para expulsar as forças sírias de suas cidades. Em 2012, a luta chegou à capital síria, Damasco, e a Aleppo. Os rebeldes sírios não estavam bem armados e eram bombardeados pela aeronáutica do governo. Os rebeldes pediram ajuda aos Estados Unidos e a outros países. Receberam pouquíssimo apoio.

O conflito na Síria, que se iniciou de forma pacífica, se tornou uma guerra civil envolvendo não apenas a população do país, mas também outros países, inclusive potências regionais e mundiais. O presidente Assad recebeu apoio de seus aliados: Rússia, China, Irã e Hezbollah – um grupo terrorista libanês xiita. A Rússia é uma aliada de enorme importância para Assad. O governo de Vladimir Putin, que tem interesses econômicos e estratégicos no Oriente Médio, fornece armas a Assad, veta resoluções do Conselho de Segurança da ONU que sejam desfavoráveis à Síria e forças militares Russa se encontram na Síria, fornecendo apoio a Assad e atacando alvos de oponentes. Já o Hezbollah – um satélite do Irã no Líbano – envia combatentes para lutar em prol do governo Assad.

O Hezbollah (Partido de Deus) é uma organização terrorista política e militar sediada no Líbano. É formada majoritariamente por muçulmanos xiitas e é financiada pelo Irã. Seu líder é o xeque Hassan Nasrallah.
A hostilidade em relação a Israel é a principal plataforma do grupo. Em sua retórica, o partido pede a destruição do Estado Judeu. O Hezbollah é um grupo muito bem armado e treinado.

A Turquia, a Arábia Saudita, o Qatar e outros países árabes predominantemente sunitas apoiaram os rebeldes na Síria. A Inglaterra, a França e os Estados Unidos também afirmavam estar do lado dos rebeldes. Contudo, a ascensão de milícias radicais islâmicas entre as forças rebeldes causou com que muitos países ocidentais deixassem de apoiar os esforços bélicos contra o governo Assad.

Um dos maiores problemas que os rebeldes sírios enfrentam é que as forças lutando contra Assad são extremamente fragmentadas. Estima-se que são 1.000 grupos rebeldes que comandam ao todo 100.000 combatentes. Entre os grupos rebeldes há moderados seculares, moderados islâmicos e radicais islâmicos, inclusive o próprio Estado Islâmico. Uma das primeiras forças internas que se rebelou contra o governo sírio era constituída pelos chamados “rebeldes moderados” – sunitas que não são adeptos do radicalismo islâmico.

O principal grupo moderado é a Coalizão Nacional Síria, apoiado pelo Exército Livre da Síria. Os Estados Unidos, os países do Golfo Pérsico e a maioria dos países europeus apoiam essa organização, pois a consideram moderada. 

A guerra contra o regime do presidente Assad atraiu para a Síria jihadistas do mundo inteiro. Há moderados lutando contra o governo Assad, mas há também radicais, inclusive o Estado Islâmico e o Al-Nusra, um braço da organização terrorista Al-Qaeda.

A participação de grupos terroristas na luta contra o governo sírio complica ainda mais o cenário para o país. Entre os rebeldes, já há mais jihadistas do que moderados. Além disso, os próprios grupos rebeldes lutam entre si: os radicais empregam táticas sanguinárias para eliminar os grupos menos radicais, como o Exército Livre da Síria. Ao mesmo tempo, acredita-se que o principal alvo de Assad são os rebeldes moderados, pois ele deseja eliminar os grupos de oposição a seu governo que, pelo fato de serem moderados, possam receber apoio do Ocidente. Na ausência dos moderados, permanecerá apenas os jihadistas radicais lutando contra Assad. Se isso ocorrer, Assad vencerá a “guerra da opinião pública”, pois o Ocidente prefere o ditador sírio ao Estado Islâmico. Vale ressaltar que desde o início da guerra na Síria, Assad argumenta que está lutando contra terroristas internacionais, cujo objetivo é semear o caos. Assad afiram que as forças armadas sírias lutam para manter a integridade nacional do país. Inicialmente, essa não era a realidade. O levante contra o governo Assad se iniciou de forma pacífica. Contudo, a presença de radicais islâmicos entre os rebeldes fez com que muitos países deixassem de exigir a renúncia de Assad. Com efeito, nenhum país ocidental apoiará econômica ou militarmente os jihadistas que lutam contra Assad.  

O conflito na Síria era inicialmente política, mas se tornou uma luta religiosa entre os diferentes grupos religiosos que vivem no país. O conflito não se divide entre as forças de apoio e de oposição ao governo Assad. Tornou-se uma guerra religiosa entre a maioria sunita e a minoria alauíta (xiitas) do país.

Grupos religiosos envolvidos na guerra da Síria

  • O Hezbollah, o Irã e o presidente Assad são xiitas.
  • O Estado Islâmico é sunita.
  • A maioria da população da Síria é sunita.

O exército curdo também participa da guerra. Constitui um dos grupos que os Estados Unidos apoiam no norte da Síria.

O conflito na Síria destruiu o país. É marcado por derrotas e vitórias militares dos dois lados, e pelo grande número de mortes. Ambos lados são acusados de cometerem crime de guerra.  

Em agosto de 2013 o governo Sírio foi acusado de lançar armas químicas contra os rebeldes. Tal ataque resultou na morte de mais de mil mortos. O presidente Assad afirmou que foram os rebeldes, não o seu governo, que utilizaram armas químicas. Os Estados Unidos, liderados pelo presidente Barack Obama, ameaçaram atacar as forças de Assad em represália à utilização de armas químicas. Para evitar o ataque norte-americano, Assad concordou em remover ou destruir o arsenal de armas químicas da Síria por meio de uma missão conjunta liderada pelas Nações Unidas e pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).