Teatro e a História do Teatro

O Teatro

A história do teatro se iniciou na Antiga Grécia, em torno do século VI a.C. Na época, realizavam-se rituais em louvor ao deus mitológico Dionísio – a divindade grega relacionada à fertilidade, vinho e alegria. A história do teatro no Brasil se iniciou por meio dos jesuítas, que se empenhavam em catequizar as populações indígenas do território brasileiro.

A palavra teatro tem a mesma origem da palavra teoria: contemplar para entender e explicar determinada realidade.

Atuar é personificar, de modo dramático, outro personagem. A profissão de ator é uma das mais antigas.

O teatro é sobre ser humano. É sobre os desafios, os problemas e os conflitos que enfrentamos ao longo de nossa vida. O objetivo do teatro é incentivar o diálogo, definir problemas e oferecer soluções quando uma situação parece desanimadora e perdida. O teatro celebra a vontade do homem de entender seu mundo e sua existência. É concedida ao artista de teatro a oportunidade de causar impacto sobre a vida de outras pessoas.

Historicamente, o teatro foi utilizado como uma forma de ensino. Durante a Idade Média, a Igreja, por meio do teatro, transmitia ensinamentos a respeito da Bíblia e do Cristianismo. Os antigos gregos recorriam ao teatro para ensinar princípios morais.

O teatro pode ser um meio de promover mudanças sociais e políticas. Pode ser utilizado para influenciar o público e retratar um contexto social e histórico.

O teatro contribui para o desenvolvimento de habilidades pessoais e sociais, pois exige disciplina e dedicação. As pessoas que participam de apresentações teatrais aprendem a trabalhar em grupo e adquirem maior facilidade nos relacionamentos interpessoais. O teatro também incentiva a criatividade e a imaginação.

O teatro é a arte da representação. Praticamente todas as apresentações podem ser consideradas teatro, mas como uma arte de representação, o verdadeiro teatro é uma apresentação ao vivo, em que os atores criam uma situação dramática.

O teatro é uma forma de arte que engloba várias outras; é uma forma de contar uma história. O teatro informal é quase tão antigo quanto a própria humanidade.

Ao longo dos séculos, o teatro assumiu diferentes formatos. Algumas apresentações incluem música e dança. As artes visuais também nele desempenham um papel fundamental. De fato, uma apresentação teatral envolve muito mais do que se vê no palco. Exige um roteiro, a criação de roupas e fantasias, a elaboração e construção de cenários, além da adição de músicas. Em outras palavras, uma produção teatral não depende apenas de atores. Mesmo uma apresentação teatral modesta requer criatividade, dedicação e muito trabalho.

Tipos de teatro

Há muitos gêneros teatrais. O drama é o gênero no qual a fala é de suma importância. O teatro político, que é um gênero milenar, tem o propósito de educar e informar os espectadores sobre assuntos de sua época. O teatro político visa a promover mudanças políticas e sociais. Já o teatro religioso tem o propósito de ensinar e entreter as pessoas por meio de peças que tratam de assuntos religiosos.

Os gêneros mais populares são a comédia, a tragédia e o musical.

Comédia advém da palavra grega “komos”, que significa “celebração” ou “festança”. A comédia não é necessariamente engraçada; às vezes, trata de um problema que leva a alguma forma de crise. Mas, no final, a crise é resolvida, gerando felicidade e alegria.

Tragédia é o drama que aborda, de modo sério e digno, acontecimentos tristes, ou até terríveis, enfrentados ou causados por um indivíduo heroico.

Musical é o gênero de teatro que combina música, canções e danças, além de diálogos falados.

A História do Teatro

Grécia Antiga

Teatro Grego
Teatro grego

Na Grécia antiga, as peças de teatro celebravam festas religiosas ou cívicas. O drama grego exemplifica a mais antiga forma de drama conhecida pela humanidade. A tragédia, como gênero dramático, se desenvolveu por meio de peças que encenavam ou retratavam temas da história ou mitologia grega. Os temas das tragédias costumavam ser os grandes conflitos da natureza humana. As tragédias gregas não eram necessariamente melancólicas. Sua função era catártica, ou seja, fazer com que os espectadores refletissem sobre os valores éticos e políticos da sociedade e se libertassem dos vícios, erros morais e injustiças. O objetivo da tragédia consistia em purgar a cidade dos desvios éticos. Na Grécia, as peças teatrais eram sempre apresentadas ao ar livre e em anfiteatros e caracterizavam-se pela presença do coro, que explicava o texto aos espectadores.

O teatro grego permitia a participação apenas de atores masculinos. Alguns dos anfiteatros onde eram apresentadas as peças acomodam até 25.000 pessoas. Mas em um anfiteatro com tanta gente, muitos dos espectadores não conseguiam ouvir o que diziam os atores. Portanto, no decorrer das apresentações, os atores gregos falavam em voz alta e gesticulavam com exagero. Também usavam máscaras e trajes simbólicos.

Sófocles (496 – 406 a.C.) é o tragediógrafo grego mais estudado na atualidade. Foi o criador de clássicos como “Antígona”, “Electra” e “Édipo Rei”.

Importante é ressaltar que a tragédia grega captou, com extremo talento e rara perspicácia, os arquétipos (modelos fundamentais) da condição e do comportamento humanos. Prova disso é que, séculos depois, a Psicanálise, disciplina científica nascida no século XIX, usaria personagens e situações das tragédias gregas para explicar a psicologia humana: “Complexo de Édipo”, “Complexo de Electra”.

Além da tragédia, o teatro grego conheceu, em menor escala, espetáculos de comédia, gênero dedicado a descrever, de maneira satírica e crítica, a vida cotidiana e os costumes da comunidade. As festas gregas passaram a incluir três tragédias gregas que eram contrabalançadas por uma comédia ou uma peça satírica.

Roma


Coliseu de Roma

É comum dizer que Roma conquistou a Grécia militarmente, mas foi por ela conquistada culturalmente. Isso se aplica em especial ao teatro.

Os romanos foram inspirados pela arte, cultura e teatro dos gregos, tendo escrito as versões latinas das peças gregas. Mas em Roma, era a comédia, e não a tragédia, o gênero mais popular.

No teatro romano, eram os escravos que atuavam. Diferentemente do teatro grego, o teatro romano contava com a participação de mulheres. Todavia, jamais conseguiam papéis importantes.

O teatro romano competia em audiência com as corridas de biga, as lutas entre os gladiadores e as execuções públicas. Para conquistar mais espectadores, tornou-se necessário construir mais teatros públicos. Foi isso que os romanos fizeram – construíram mais de 125 casas teatrais. Contudo, com o passar do tempo, as peças romanas se tornaram violentas e grosseiras. Os cristãos não viam com bons olhos o conteúdo das peças romanas e fecharam todos os teatros.

Foram poucos os trabalhos de dramaturgos romanos que sobreviveram ao tempo. O maior impacto que Roma teve sobre o teatro foi fazer com que a Igreja o condenasse – algo que retardou o crescimento das artes dramáticas durante vários séculos.

A comédia vulgar, a sede das massas por violência e o fato de as peças romanas estarem vinculadas à brutalidade (que incluiu o martírio dos primeiros cristãos) fizeram com que o teatro passasse a ser condenado pela Igreja. De fato, as peças romanas continham violência, vulgaridade, indecência e rituais e festas pagãs.

O Teatro na Idade Média

O teatro na Europa praticamente deixou de existir logo após a queda do Império Romano. Quem o manteve vivo no continente europeu foram grupos itinerantes, formados por acrobatas, ilusionistas, treinadores de animais, que apresentavam peças teatrais em veículos puxados por animais. Os temas de tais peças abordavam o cotidiano - as experiências do dia a dia. Eram, em sua maioria, comédias ou mímicas; a escolha dependia da preferência dos espectadores. Havia, portanto, certa interação de atores e espectadores. Estes podiam expressar seus pontos de vista a respeito da temática abordada.

Mas os cristãos acreditavam que tais peças constituíam uma forma de pecado. Portanto, criaram outro tipo de teatro. Os artistas itinerantes preservaram certos aspectos da arte dramática, mas foi a própria Igreja que preservou o teatro. É irônico que a Igreja, que havia fechado os teatros durante a queda e o fim do Império Romano, tenha sido uma das principais responsáveis por sua preservação durante a Idade Média. Isso ocorreu devido à necessidade de a Igreja se firmar dentro de comunidades, que, na época, estavam muito envolvidas com superstições e rituais pagãos, que eram celebradas em festas sazonais. A Igreja acabou associando suas próprias festas religiosas a essas festas e passou a utilizar o teatro como instrumento para transmitir as histórias da Bíblia e os motivos da celebração das festas cristãs. Isso se revestia de especial utilidade principalmente para analfabetos.

O Renascimento e William Shakespeare

William Shakespeare

William Shakespeare

Durante o Renascimento (séculos XIV-XVII), os europeus voltaram a se interessar pela arte, cultura e teatros dos antigos gregos e romanos.

Muito popular na época foi a commedia dell’arte, que significa “comédia da profissão”. Essa forma de teatro popular improvisado sobrevive até hoje. Tais apresentações eram feitas pelas ruas e praças públicas. Os atores vestiam máscaras e improvisavam falas. As filhas e esposas desses atores foram algumas das primeiras mulheres a atuar no teatro.

Durante o Renascimento, muitas peças foram financiadas por ricos aristocratas. As fantasias eram elegantes e desenhadas com esmero.

Na Inglaterra, a Rainha Elizabeth I era um grande mecenas do teatro. Durante a Era de Elizabeth I (1558-1603), o mais famoso dramaturgo de toda a história, William Shakespeare, iniciou a carreira. Suas obras foram amplamente difundidas e traduzidas para quase todas as línguas do mundo.

Shakespeare escreveu suas peças durante o reinado da Rainha Elizabeth I e durante o reinado de James I, seu sucessor. Nessa época, a poesia e o teatro floresciam no teatro.

Shakespeare escreveu mais de 38 peças – comédias, tragédias e peças históricas. Seus escritos são famosos até os dias de hoje. Tornou-se não apenas famoso, mas rico também, pois era sócio da companhia de teatro. Mas Shakespeare não publicava suas peças, pois na época a dramaturgia não era bem remunerada e não havia direitos autorais. Shakespeare preferia que suas peças fossem representadas em vez de publicadas.

Ele tinha um incrível conhecimento da natureza humana, que explorou por meio de seus personagens. Ilustrou e desenvolveu as motivações, os defeitos e os traços do comportamento humano. Ao ler suas peças, vemos espelhados elementos de nossa própria personalidade.

Entre as maiores tragédias de Shakespeare estão: Romeu e Julieta, A Tempestade, Júlio César, Antônio e Cleópatra, Hamlet, Otelo, Rei Lear e Macbeth.

O Teatro Moderno

A história do teatro durante os séculos XVIII, XIX e XX foi marcada pelo aumento da comercialização da arte, por inovações tecnológicas, pela introdução de críticas e por uma maior variedade de assuntos retratados. Foi adotada uma forma mais natural de atuar.

No século XIX, desenvolveram-se mecanismos sofisticados para mudar o cenário das peças. Mas os dramaturgos eram muito mal pagos. Os atores e o roteiro eram bem mais valorizados que o próprio autor.

O século XX presenciou as duas maiores guerras na história da humanidade, além de levantes populares. Os movimentos políticos do “proletariado” se manifestaram no teatro por meio de movimentos como o realismo, o naturalismo, o simbolismo, o impressionismo e, finalmente, o antirrealismo, particularmente no início do século XX, quando a sociedade lutava para definir os principais objetivos e o significado da filosofia política na vida do homem.

O teatro cresceu muito nessa época. Desenvolveram-se formas populares de drama, como grandes musicais. Ao mesmo tempo, avanços tecnológicos possibilitaram a produção de grandes espetáculos, como O Fantasma da Ópera, Miss Saigon e Hair, que chegaram a competir por espectadores com outra grande inovação artística: o cinema.

Sumário

- Tipos de teatro
- A História do Teatro
i. Grécia Antiga
ii. Roma
iii. O Teatro na Idade Média
iv. O Renascimento e William Shakespeare
v. O Teatro Moderno
- O Teatro e a Literatura
- O Teatro e a Psicologia
- O Teatro como Profissão
- Por que estudar teatro?
Assine login Questões de Revisão image Questões para o Enem image