Gene letal - Alelos Múltiplos

Cada Drosophila homozigótica para o gene vestigial, tem asas notavelmente mais curtas que as normais, além de outras características observáveis. Diz-se que estes genes têm uma penetrância completa, isto é, todo indivíduo com genótipo apropriado desenvolve um fenótipo que o distingue dos indivíduos com outros genótipos. Estes mesmos genes possuem também uma expressividade muito constante – seus efeitos fenotípicos, pelo menos no ambiente usual, são mais ou menos uniformes.

Mas, o gene para a epiloia tem penetrância incompleta, pelo menos no que se refere a seus efeitos letais; algumas pessoas portadoras deste gene morrem com pouca idade, enquanto outras vivem tempo suficiente para terem descendência. O gene apresenta também um expressividade variável, visto que alguns dos seus portadores não desenvolvem certos sintomas patológicos que outros apresentam.

Indivíduos portadores de um determinado fenótipo podem, eventualmente, não expressá-lo. Fala-se, então, que o genótipo tem penetrância incompleta. Quando 100% dos indivíduos de determinado genótipo manifestam o fenótipo esperado, fala-se em penetrância completa.

Genes cuja manifestação varia apresentam expressividade variável. Indivíduos com mesmo genótipo para um determinado caráter podem expressar fenótipos com maior ou menor acentuação, dependendo das condições ambientais a que estão submetidos e/ou de seu genótipo total.

Genes Co-dominantes

Existem ainda casos onde o indivíduo portador do genótipo heterozigoto expressa os dois fenótipos, o materno e o paterno, ao mesmo tempo. A esse fenômeno chamamos de codominância.

O exemplo mais conhecido é em relação ao sistema de determinação sanguínea ABO. Nos genótipos verificamos uma ordem de dominância: IA > i ; IB > i. No entanto, no genótipo heterozigoto IAIB, os dois genes se expressam, produzindo os dois tipos de antígenos; isto indica que entre os genes IA e IB não há dominância (codominância). O indivíduo com sangue tipo AB é heterozigoto e expressa o fenótipo dos dois genes que possui.

Genes Letais

As pessoas portadoras do gene dominante para a doença Coreia de Huntington podem gozar de boa saúde durante a maior parte da sua vida. A doença se inicia com movimentos involuntários da cabeça, das extremidades e do corpo e progride com alterações degenerativas do sistema nervoso, perda das faculdades físicas e mentais, seguida de morte.

Contudo, conforme se vê na tabela a seguir, a idade de aparecimento desta doença, quer dizer, a idade em que se manifesta pela primeira vez, varia entre a infância e a velhice.

Idade de aparecimento da Coreia de Huntington no homem (segundo Julia Bell)

Idade

Número de casos

Idade

Número de casos

0 – 4

4

40 – 44

57

5 – 9

5

45 – 49

42

10 – 14

15

50 – 54

28

15 – 19

24

55 – 59

12

20 – 24

38

60 – 64

7

25 – 29

57

65 – 69

7

30 – 34

83

70 – 74

1

35 – 39

80

Total

460

É virtualmente certo que algumas pessoas portadoras do gene desta doença morrem de outras causas antes de desenvolver os sintomas da Coreia de Huntington. Portanto, pode-se dizer que o gene apresenta uma penetrância incompleta.

Também é variável a sua expressividade. Quando a vítima da doença morre jovem, antes de ter filhos, pode-se considerar que o gene teve um efeito letal. Se a vítima morrer até a “metade” do período reprodutor da sua vida, o gene atua como semiletal ou subvital. Quando a “invalidez” e a morte ocorrem na velhice, depois de terminado o período reprodutor, o gene – e isto pode parecer um paradoxo – não é letal em absoluto. A saúde ou a doença durante a velhice não está sob a regulação direta da seleção natural no processo evolutivo. A morte depois de terminado o período reprodutor, do ponto de vista da genética, pode ser considerada como uma “morte natural”.

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Sumário

- Genes Codominantes
- Genes Letais
- Alelos múltiplos
i. Série albina da cor dos pelos em coelhos
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