Prova de Redação

Em um dos maiores êxodos da história recente, milhões de pessoas fugiram da Síria desde o início do conflito armado, a maioria delas mulheres e crianças. A esse respeito, leia a coletânea a seguir.

Texto 1

As cenas de frágeis barcos rebocados em alto mar ou de centenas de pessoas amontoadas em improvisados campos de refugiados causam indignação, insuflam a solidariedade e obrigam as autoridades a tomar atitudes para a resolução do problema. Por outro lado, a chegada de milhares de imigrantes muçulmanos, negros e ciganos vem aumentando o sentimento xenófobo de parte da população europeia, o que pode ser exemplificado pela ação da cinegrafista húngara Petra Lászlö, flagrada chutando sírios na fronteira com a Sérvia – não por acaso, a Hungria tem a maioria das cadeiras do Parlamento ocupadas por partidos de direita e extrema-direita. Diante da crise econômica, que parece global, os fascistas e neonazistas vêm ampliando o espaço político na Europa, notadamente na Alemanha, Áustria, França, Suécia, Grécia, Itália e Irlanda. É curioso, porque justamente a Alemanha, o Império Austro-Húngaro, a Itália, a Irlanda e a Suécia despejaram, no século XIX, milhões de camponeses esfomeados para fora de suas fronteiras, o que provocou um reequilíbrio demográfico, possibilitando o reerguimento econômico no século seguinte. Estes, que deveriam ser os primeiros a abrir as portas para os estrangeiros, veem em uma dimensão cada vez mais larga crescer o preconceito étnico e religioso.

RUFFATO, Fernando. Imigração e Xenofobia. Disponível em: <http://brasil.elpais.com/autor/luiz_fernando_ruffato_de_souza/a/>. Acesso em: 1 mar. 2016.

Texto 2

O homem, responsável pela humanidade, sentirá angústia ao escolher, pois esta escolha implica o abandono de todas as outras possibilidades. Porém, a ideia de que a existência precede a essência permite outros desdobramentos. O homem não pode responsabilizar a sua existência a natureza alguma. Não há nada que legitime seu comportamento, não há nada que o determine. O homem faz-se a si próprio, é livre: tem total liberdade para escolher o que se torna, é responsável por sua paixão. Assim, não há nada que justifique seus atos. O homem está desamparado, condenado à sua própria escolha. Já a moral para Kant afirma que devemos tratar as pessoas como fim, e não como meio. Porém, ao escolher algo como fim, as outras opções serão tratadas como meio. Então, seria o sentimento que determina nossa escolha pela moral a ser seguida? Só podemos dizer que fizemos algo por amor, depois que já tivermos realizado. Justificar uma ação pelo sentimento terá seu valor apenas depois que o ato se concretizar: o sentimento se constituiu pelos atos praticados. Portanto, não podemos consultar nossos sentimentos como guia de nossas ações e não há também nenhuma moral que me guie: o homem é livre para escolher e tem a constante possibilidade de se inventar. L'APICCIRELLA, Nadime. O Existencialismo de Jean Paul Sartre. Disponível em:

<http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_26/sartre.html>. Acesso em: 2 mar. 2016.

Texto 3


Disponível em: <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/41596/charge+do+latuff+sirios+fogem+de+guerra+civil+e+partem+para+europa.shtml>. Acesso em: 3 mar. 2016.

Texto 4

Justificativas das mais diversas são divulgadas para tentar amenizar a relutância dos europeus em não aceitar os refugiados sírios. Dentre estas, o medo do terrorismo, a indignação em ter que trabalhar e pagar impostos por estes imigrantes que são acusados de não querer trabalhar, mas sim viver por conta dos nativos. Aliado a tudo isso, tem o receio de os refugiados não voltarem para seus países de origem quando a guerra terminar. Talvez esses refugiados sírios desejem até voltar para suas terras, sua cultura, suas casas, suas famílias, mas como retornar se a guerra só se intensifica a cada dia mais? Por outro lado, como ficar em um lugar onde as pessoas fazem questão de ser xenofóbicas e deixar bem claro que eles são “pragas” que só fazem mal para o ambiente, economia e vida do país? Entendemos que é difícil para um indivíduo ver a sua casa sendo “invadida” por pessoas com cultura, costumes diferentes e que estão desesperadas por uma oportunidade. Mas enquanto não aprendermos a nos colocar no lugar do outro, possivelmente os maiores conflitos da humanidade continuarão. Talvez, bom seria se, como diz o filósofo Baruch Spinoza, conseguíssemos entender que todo ser humano é fruto dos afetos trocados em seus diversos encontros. Isso justifica muito o jeito de ser do outro e a forma como retribuímos ao próximo. Provavelmente, assim, teríamos uma sociedade menos xenofóbica.

FERREIRA, Lúcia. Refugiados árabes e a xenofobia na Europa. Disponível em:< http://www.unasp-ec.com/canaldaimprensa2/index.php/refugiados-arabes-e-a-xenofobia-na-europa/>. Acesso em: 1 mar. 2016.

Texto 5

Nós vivemos num tempo que se caracteriza pela irracionalidade dos comportamentos gerais, e por aqui um pouco de senso comum, no sentido de que, acima de tudo, o que há a proteger é a vida [...] é quase impossível... E mais, se esse ser humano enfrenta outro ser humano porque crê num outro deus, ou porque, ao ter uma outra tradição, vê o outro como um inimigo... A partir do momento em que vemos o próximo como inimigo, a guerra está declarada. A intolerância não é uma tendência, é uma brutal realidade.

A INTOLERÂNCIA é uma Brutal Realidade. Disponível em: <http://www.citador.pt/textos/a-intolerancia-e-uma-brutal-realidade-jose-de-sousa-saramago>. Acesso em: 3 mar. 2016.

Texto 6

Jane Austen publicou Orgulho e Preconceito em 1813. É um grande romance de costumes, que revela os pensamentos e os valores dos (mais ou menos) privilegiados na Inglaterra de 1800. A moral da história ainda vale: por orgulho e preconceito, podemos desperdiçar nossa vida, renunciando a amores verdadeiros. Depois de assistir ao filme “Orgulho, preconceito e zumbis”, de Burr Steers, vi que, apesar dos Zumbis, o filme é fiel ao espírito do livro de Austen. Construir uma muralha ao redor da cidade para impedir a entrada dos zumbis? Inventar controles rigorosos para identificá-los? Isso é na Inglaterra de 1800 ou na Europa de 2016? São refugiados ou zumbis se pendurando no trem que atravessa o canal da Mancha? Ou derrubando portões entre Grécia e Macedônia? Você dirá que os refugiados, à diferença dos zumbis, não mordem. Eu concordo com você, mas não sei se os europeus concordam conosco. Primeiro, é sempre difícil fazer a diferença entre os que querem entrar para participar do baile e aqueles que, ressentidos, querem acabar mesmo com a festa. Segundo, faz 1500 anos que os europeus se defendem de zumbis de todo tipo, e a memória coletiva é um tipo de herança genética - ela age em nós, mesmo que a ignoremos.

CALLIGARIS, Contardo. Orgulho, preconceito e zumbis. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2016/03/1745699-orgulho-preconceito-e-zumbis.shtml>. Acesso em: 08 mar. 2016.

Com base na leitura da coletânea, escolha UMA das três propostas de construção textual (dissertação, narração ou carta argumentativa) apresentadas a seguir e discuta a questão-tema abaixo:

Rejeição aos refugiados: precaução, xenofobia ou falta de humanidade?

DISSERTAÇÃO

O artigo de opinião é um gênero textual no qual são apresentados argumentos para convencer os leitores a respeito da validade de um ponto de vista sobre determinado assunto.
De posse dessa orientação, amparando-se na leitura dos textos da coletânea e ainda em sua visão de mundo, imagine-se na função de articulista, de uma revista ou de um jornal de circulação nacional, e escreva um artigo de opinião posicionando-se acerca da questão-tema desta prova.

NARRAÇÃO

O gênero crônica, em sentido atual, é uma narrativa que se caracteriza por basear-se em considerações do cronista acerca de fatos correntes e marcantes do cotidiano. Em torno desses fatos, o autor manifesta uma visão subjetiva, pessoal e crítica.
Tendo em vista essa definição de crônica, crie uma narrativa a partir da seguinte situação: na loja em que você atua como encarregado de seleção, surgiram três vagas de trabalho. No dia da entrevista havia cinco refugiados e sete brasileiros na fila para concorrer aos empregos. Quando você chegou para realizar as entrevistas, já havia um clima de tensão entre os concorrentes brasileiros e os estrangeiros... Conte, em um texto em prosa, qual foi a sua reação e medida tomada diante do fato observado. Não deixe de transmitir suas possíveis reflexões e impressões sobre a situação criada, obviamente, relacionando-a com o tema desta prova. Sua narração, portanto, deverá ser em primeira pessoa.

CARTA ARGUMENTATIVA

A carta de leitor é um gênero textual, comumente argumentativo, que circula em jornais e revistas. Seu objetivo é emitir um parecer de leitor sobre matérias e opiniões diversas publicadas nesses meios de comunicação.
Considerando a definição desse gênero textual, a leitura da coletânea e, ainda, suas experiências pessoais, escreva uma carta de leitor a um jornal ou revista de circulação nacional, emitindo seu ponto de vista − contrário, favorável ou outro que transcenda esses posicionamentos − a respeito da situação exposta no Texto 4 da coletânea.

OBSERVAÇÃO: Ao concluir sua carta, NÃO a assine; subscreva-a com a expressão UM (A) LEITOR (A).

UEG 2016 - 1ª Fase - 2ª Prova

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