Desde sua fundação em 1947, o Paquistão foi um país dividido. O território indiano dividia o Paquistão Oriental do Paquistão Ocidental e as duas regiões eram bastante diferentes. O Paquistão Ocidental era seco, montanhoso e moderadamente povoado; sua língua principal era o urdu e seu povo tinha um padrão de vida mais alto que os paquistaneses orientais. O Paquistão Oriental era, além de quente e chuvosa, uma região densamente povoada. Enchentes e a fome frequentemente atingiam a região. Os paquistaneses orientais falavam bengali e seus costumes eram mais similares à cultura da Índia do que às tradições dos paquistaneses do Ocidente.

Durante os primeiros 20 anos desde a fundação do Paquistão, a região Ocidental dominou o governo do país. O Paquistão Ocidental também vivenciou um rápido crescimento econômico durante a década de 1960. O Paquistão Oriental, porém, era superpovoado e empobrecido.
Essa crescente desigualdade gerou conflitos entre o Paquistão Ocidental e Oriental. Nas eleições de 1970, os paquistaneses orientais obtiveram votos suficientes para tomar o controle do governo do país. Contudo, o ditador militar, que era um paquistanês ocidental, recusou-se a abandonar o cargo. Quando distúrbios e manifestações se iniciaram no Paquistão Oriental, o ditador impôs a lei marcial. Durante o período violento que se seguiu, centenas de milhares de paquistaneses orientais foram mortos pelo exército e milhões de refugiados escaparam para a Índia.
Bangladesh
Em março de 1971, o Paquistão Oriental declarou sua independência do Paquistão Ocidental. O país adotou o nome de Bangladesh, que significa "Nação Bengali". O exército paquistanês ocidental invadiu a região, mas a Índia ofereceu ajuda ao país recém-formado que conseguiu resistir à invasão paquistanesa.

Mas apesar de ter adquirido sua independência, Bangladesh enfrentava sérios problemas. O país era superpovoado e incapaz de produzir alimentos em suficiente quantidade para toda a população. Grande parte do país, incluindo as poucas indústrias existentes, foi destruído durante a guerra civil de independência. Enchentes, fome generalizada e epidemias frequentemente vitimavam a população de Bangladesh.
Bangladesh também sofria de instabilidade política. Após uma série de golpes de estado e assassinatos, líderes militares tomaram controle do governo em 1982. Em 1986, a lei marcial foi abolida, mas Bangladesh permaneceu sob o comando de um general. As eleições de 1988 foram marcadas por surtos de violência e acusações de corrupção no governo.
Instabilidade no Paquistão
O Paquistão (ex-Paquistão Ocidental) também enfrentava dificuldades. Em 1970, Zulfikar Ali Bhutto tornou-se primeiro-ministro. Esperando estabilizar a economia do país, Bhutto nacionalizou diversas indústrias importantes paquistanesas, mas isso apenas serviu para espantar investidores estrangeiros. As reformas de Bhutto lhe renderam muitos inimigos no país e ele foi acusado de corrupção.

Zulfikar Ali Bhutto
Em 1977, pela terceira vez em 30 anos, o exército tomou o controle do governo paquistanês. Bhutto foi aprisionado e em seguida executado. O novo regime, chefiado pelo General Zia-ul-Haq substituiu a lei civil paquistanesa por um código de lei tradicional islâmica. Após a morte de Zia, em 1988, o partido liderado pela filha de Zulfikar Ali Bhutto, Benazir Bhutto, venceu as eleições nacionais. Ela tornou-se primeira-ministra em uma época de preocupação generalizada com a estabilidade interna do país.

General Zia-ul-Haq
Um outro problema para o Paquistão era a Índia. Até hoje, os dois países vivem em conflito e ambos construíram forças armadas modernas para se proteger. O Paquistão ficou extremamente preocupado ao descobrir em 1974 que a Índia havia testado uma bomba atômica.
O Afeganistão
Na fronteira ao norte do Paquistão está o Afeganistão, que obteve sua independência da Grã-Bretanha em 1919. Alguns monarcas afegãos tentaram modernizar o país, mas as tribos muçulmanas que constituíam a maioria da população resistiram às mudanças. Em 1973, líderes militares depuseram o último monarca e estabeleceram a república. Cinco anos depois, um grupo de comunistas apoiados pela União Soviética depôs o regime militar e estabeleceu um estado marxista governado por apenas um partido. Enfurecidos com a interferência do governo em suas práticas religiosas, muitos afegãos rebelaram-se contra os lideres comunistas que governavam o país.
Determinados a espalhar o comunismo no mundo, a União Soviética invadiu o Afeganistão em 1979. Os soviéticos possuíam mais soldados e armas melhores que os afegãos, e logo assumiram o controle das cidades no Afeganistão. Contudo, os soviéticos foram incapazes de esmagar a resistência afegã no interior. Os Estados Unidos forneceram apoio militar e econômico aos rebeldes afegãos.
Durante a guerra contra a União Soviética, mais de quatro milhões de afegãos fugiram de seu país, cruzando as fronteiras para o Irã e Paquistão. Outro milhão de pessoas foram mortas na luta. No final da década de 1980, a invasão soviética havia custado ao Afeganistão um terço de sua população.
Mas em 1988, a União Soviética, tendo fracassado ao tentar esmagar os guerrilheiros muçulmanos, deu início à retirada de suas tropas do Afeganistão.
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