Puc-Goiás 2010-1 - Redação

Texto informativo

No final do século XX e no início do XXI, o cotidiano do homem foi invadido pela tecnologia eletrônica em massa, promovendo a contaminação de informações, diversões, serviços e, ainda, da comunicação e do próprio homem. Na controversa pós-modernidade, os indivíduos se veem na condição de adotar estilos de vida e de filosofias, não para que suas escolhas possam ajudá-los a se relacionarem melhor ou a terem qualidade de vida, mas para poderem usufruir do consumo personalizado, a fim de que possam utilizar e consumir bens e serviços.

A essência da pós-modernidade advém da cópia e das imagens de objetos reais. Nesse sentido, a reprodução técnica significa apagar a diferença entre o real e o imaginário, entre o ser e o aparente, apresentando uma forma de real mais interessante e curiosa que a realidade. Talvez resida aí todo o fascínio (ou estranhamento/medo) acerca da pós-modernidade, porque nela o real é intensificado na cor, na forma, no tamanho e em suas propriedades. Tudo parece um sonho, e nele, e por ele, acabamos por extrapolar as expectativas criadas por nós e pelos outros, modelando nossa sensibilidade, cotidianamente seduzida pelos “super-extra-hiper-mega” apelos.

Atualmente, o individualismo narcísico nos remete para a ação de esvaziar, diluir, desencher e desfazer princípios, regras, valores, práticas e realidades, promovendo a des-referencialização do real e a des-substancialização do sujeito. Nesse contexto, o indivíduo se torna narcisista: falta-lhe susbstancialização e identidade, pois tudo é descartável. Ele passou pelo princípio esvaziador do “des”: des-refencialização do real; des-materialização da economia; des-estetização da arte; des-construção da filosofia; des-politização da sociedade; des-substancialização do sujeito e outros.

Novas linguagens surgem não apenas para representar, mas para interpretar livremente a realidade, segundo sua visão, diferenciando a arte da realidade, e as palavras, normalmente utilizadas por nós para “nomear” o pós-moderno, se transformam, entre outras coisas, em signos de saturação, sedução, niilismo, simulacro, desreferencialização.

Questiona-se se elas são “novas”, “re-criadas” ou “re-significadas”, pois desconstruir um discurso não significa, necessariamente, destruí-lo, tampouco mostrar seu processo de concepção, mas deixá-lo aberto para as possibilidades do não-dito que há por trás daquilo que foi apresentado.

O pós-modernismo vivencia e maximiza o real, o presente, o aqui e o agora. Ele é indefinível, mas é sensível, liberto e, ao mesmo tempo, promove a interface com as massas, e por isso é aceito, porque “parece” simples e facilita a exposição e a compreensão do mundo. Parece. Mas não é. Ou será que é?

A coletânea A apresenta duas propostas; as coletâneas B e C apresentam apenas uma, mas você escolherá apenas uma das proposta para redigir. Leia atentamente os textos e observe o gênero indicado.

COLETÂNEA A

TEXTO 01

Algo é o nome do homem
Coisa é o nome do homem
Homem é o nome do cara
Isso é o nome da coisa
Cara é o nome do rosto
Fome é o nome do moço
Homem é o nome do troço
Osso é o nome do fóssil
Corpo é o nome do morto
Homem é o nome do outro.

ANTUNES, Arnaldo. Nome. In: ______ . Nome. CD e DVD. Kikcel Produções. Direção Arnaldo Antunes, Célia Catunda, Kiko Mistrorigo e Zaba Moreau. São Paulo/SP. 1993. 52’

TEXTO 02

Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Gênesis 1:26 e 27

TEXTO 03

TEXTO 04

[...] Trata-se de uma pintura a óleo de René Magritte e que se chama La trahison des images (Ceci n’est pas une pipe). Sobre ele, haveria muitas coisas a dizer. Quanto à imagem, por exemplo, poder-se-ia lembrar que o cachimbo foi uma espécie de obsessão ou tema recorrente na obra magritteana. [...]

Quanto à presença das palavras nos quadros de Magritte, haveria outra porção de coisas a contar. Eis aí um pintor que explora, como talvez nenhum outro, a relação não só entre palavra e coisa, mas também entre palavra e imagem. Poderíamos até atribuir a Magritte o apelido de ‘O pintor das palavras e das coisas’[...].

FIGUEIREDO, Virgínia. Isto é um cachimbo. Kriterion Revista de Filosofia, Belo Horizonte, v. 46, n. 12, dez. 2005

TEXTO 05

 

 

TEXTO 06

[...] Encerrei a primeira reflexão dessa série falando sobre nossa irremediável condicionalidade à linguagem e à arte (no sentido de criação e invenção aplicado por Nietzsche/ de nomear as coisas).

[...] Na primeira parte de A Gaia Ciência, Nietzsche faz uma menção mais direta desse problema da linguagem, quando afirma que, para nós, “mais importa saber como se chamam as coisas do que o que elas são”. Penso que exatamente por não sabermos o que as coisas são em sua essência é que nos aferramos na atividade de nomear, de dizer “isto é assim”, “aquilo é assado”. Mas pergunto: quem está livre de tal condicionalidade? Com isso, Nietzsche denuncia o abismo existente entre nós e o mundo tido como essencial. Nossa relação com ele não é mediada pela correspondência, e sim pela criação: “Só os criadores podem destruir! Mas não esqueçamos isto: basta criar nomes, apreciações, novas verossimilhanças para criar, com o tempo, novas coisas”.

Disponível em: http//www.solnaboca.blogspot.com\vivianemose. Acesso em: 20 out. 2009.

TEXTO 07

[...] A falta de palavras não deixa de ser uma palavra.

CARPINEJAR. Eu também. In: ______. O amor esquece de começar. Crônicas. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2006. p. 211.

PROPOSTA 1

Leia atentamente os textos da Alternativa A e, em seguida, desenvolva um texto argumentativo, no qual você discorrerá sobre a importância da nomeação das coisas, dos seres e do mundo em que vivemos. Dê um título para seu texto.

PROPOSTA 2

Com base nas ideias apresentas pelas coletâneas, desenvolva um texto narrativo ficcional, abordando a questão da linguagem, com as seguintes características:

1. uso da 3ª pessoa do singular;
2. recorrência a um leitor imaginário;
3. subversão de valores considerados tradicionais;
4. contradição histórica e política;
5. reflexão crítica;
6. culto à não-identidade: unidade dispersa;
7. referência ao capitalismo recente, informacional e pós-industrial.

 

COLETÂNEA B

TEXTO 01

[...]

Os internautas (Youtube) opinam sobre o primeiro comercial:

“Toda vez que esse comercial passava eu mudava de canal, onde já se viu dizer que ser moderno e sair transando por aí?”

“A Censura simplesmente fez o trabalho dela, agora, se os políticos estão fazendo coisas erradas em Brasília, ai já é outra estória, pois um erro não justifica o outro. Democracia não significa ter que abusar do direito de liberdade.”

“aaaah para né, tanta coisa aai que os politcos fazem e nada acontece, aai uma propagando que eu dou muita risada é censurada... eeeeee Brasil...”

“povo ipócrita a praça e nossa e o zorra total são mil vezes pior e muita gente vê essas [...], nada de mais no comercial.”

“Mas sacanagem q tem em Brasilia e ninguem vai Preso!!!”

YOUTUBE. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch>. Acesso em: 23 set. 2009.

TEXTO 02

Funâmbulo: do Lat. funambulu - fune, corda + ambulare, andar-s. m. artista de circo/aquele que anda ou dança na corda bamba; volteador; equilibrista.

NOVO AURÉLIO SÉCULO XXI. O Dicionário da Língua Portuguesa. CD - Versão 3.0. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Lexikon Informática.

TEXTO 03

[...] Quando a revolução das ideias negou o processo material da modernidade, Roger não se perturbou. Era isso mesmo, dizia ele. As coisas precisam movimentar-se, fervilhar e, se possível, explodir-se... [...]

RODRIGUES, Maria Aparecida. O camaleão. In: ______. Cinzas da paixão e outras estórias. Goiânia: Ed. da UCG, 2007. p. 23.

TEXTO 04

TEXTO 05

PROPOSTA

Com base em suas experiências pessoais de leitura e nas idéias sugeridas pelos textos da Coletânea B, desenvolva uma crônica, na qual você apresentará, objetiva e subjetivamente, suas impressões acerca das diferentes formas de linguagem articuladas, criadas e recriadas na pós-modernidade. Dê um título para seu texto.  

 

COLETÂNEA C

TEXTO 01

[...] o futuro é exaustivo. Desacelere um pouco e ouça os sábios conselhos do passado distante quanto a respeito e à consideração.

COHEN, Roger. Roger entrevista Eric Hobsbawn. O futuro pode esperar. Folha de São Paulo/ The New York Times. São Paulo, segunda-feira, 27 jul. 2009.

TEXTO 02

A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível.

Foucault, M. apud CAMPOS, Jorge Lúcio de. Espéculo. Revista de Estudos literários, Madrid, 2004. Disponível em: http://www.ucm.es/ingo/rdprvulo/numrto27/mshtiyyr.hyml.

PROPOSTA

- Observe atentamente os textos da Coletânea C e simule a seguinte situação:

1. Você vai criar um ser à sua imagem e semelhança.

2. O mundo inteiro aplaudirá sua invenção e os meios de comunicação transformarão esse fato num grande espetáculo. Sua “criatura” será admirada e amada por todos.

3. Esse ser será guiado por você, por meio de comando de voz e por estímulos visuais digitais.

4. A “criatura”, ao executar suas ordens, não as questionará, apenas repetirá o que vê ou ouve.

5. Os dias passam e a harmonia reinará nessa relação.

6. Porém, um dia, ... (você vai iniciar sua narrativa por este item.)

Elabore um texto narrativo, na primeira pessoa do singular, no qual você apresentará sua criatura, descrevendo-a física e psicologicamente; ela estará inserida num dado contexto e num determinado momento da história; por algum motivo, ela mudará de comportamento, causando a você uma série de transtornos. Isso o(a) deixará apreensivo(a), pois pode significar que você está perdendo (ou perdeu) o controle sobre ela. Dê um nome para o fruto de sua criação e um título para o seu texto.

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