Puc-Goiás 2009-2 - Redação

ORIENTAÇÃO GERAL
A seguir, há três propostas para produção de texto escrito, a partir da concepção de gêneros textuais. Escolha uma delas e desenvolva o seu texto, em prosa, observando atentamente as orientações que acompanham cada proposta. Você deverá valer-se dos fragmentos da coletânea, bem como de seu conhecimento de mundo e dos fatos da atualidade. Mesmo que a proposta se direcione para um gênero específico de texto, este deverá apresentar caráter argumentativo.

ALTERNATIVA A
O Cerrado é o mais antigo bioma brasileiro. Fala-se que sua idade é de aproximadamente 65 milhões de anos e que 70% de sua biomassa está dentro da terra. Por isso, pode-se dizer que o Cerrado é uma “floresta de cabeça para baixo”. Para alguns especialistas, o Cerrado não permite qualquer revitalização e, uma vez devastado, estará devastado para sempre. O Cerrado também é considerado a grande caixa d’água brasileira, porque do Planalto Central se alimentam bacias hidrográficas que correm para o sul, para o norte, para o oeste e para o leste.

TEXTO I


Feridas – São Domingos/ GO. 2008. Foto: Nelson Santos (Arquivo pessoal)

Proposta 1. Reflita sobre o assunto apresentado e, em seguida, desenvolva uma dissertação crítica a respeito da questão do meio ambiente num de seus mais antigos biomas, o Cerrado, realizando interface entre os textos da coletânea apresentados nesta alternativa.

Proposta 2. Apesar de o bioma Cerrado ocupar 23% do território brasileiro, a totalidade do Distrito Federal, mais da metade dos estados de Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Tocantins, cerca de 57% dele já foram devastados, e a metade do que resta se encontra danificada. Reflita sobre isso e produza uma crônica, que deverá apresentar as seguintes características: o texto deverá ser em 3ª pessoa do singular a voz narrativa e a de um imigrante, que chega numa região devastada e não acredita que ali seja uma região de Cerrado. Ele decide voltar e, na estrada, ao passar por um próspero agricultor, lhe pede carona. No caminho, ele narra sua história, falando de suas dificuldades, de sua mais recente frustração e de seus sonhos.

TEXTO II
“[...] Se achassem água ali por perto, beberiam muito, sairiam cheios, arrastando os pés. Fabiano comunicou isto a sinhá Vitória e indicou uma depressão do terreno. Era um bebedouro, não era?”.

(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 52. ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1984, p.123.)

TEXTO III
“Temos agora em Goiás a monocultura do deserto verde”.

(D. Tomás Balduíno, bispo emérito, criticando o cultivo de cana-de-açúcar no Cerrado goiano.)

TEXTO IV
“A água que você toca dos rios é a última daquela que se foi e a primeira daquela que vem. Assim é o tempo presente.”

(Leonardo da Vinci (1452-1519), artista italiano.)

ALTERNATIVA B
A expressão “Big Brother” foi criada pelo escritor britânico George Orwell, na obra 1984, na qual o autor desenvolve um enredo em que se tem um mundo polarizado por regimes totalitários, e nele a população é vigiada 24 horas por dia por câmeras, tendo sua vida submetida à vontade do designado Grande Irmão, um líder não-personificado do governo. A partir de 1999, a vigilância da vida alheia virou reality show pela produtora holandesa de TV Endemol. No programa, pessoas anônimas são confinadas em uma casa cheia de câmeras por um tempo determinado, sem ter acesso a qualquer tipo de mídia ou informação externa. O participante que mais agradar ao público, geralmente aquele que lhe “parece” (ou que lhe foi apresentado como) o mais simpático ou “bonzinho”, é recompensado com um prêmio em dinheiro e com a fama. Neste ano, o Brasil acompanhou a nona edição da versão brasileira do programa, em nada diferente das versões anteriores, principalmente no que se refere à superexposição dos confinados e à absoluta falta de ética nas relações inter-pessoais. No entanto, os discursos se repetem e se reproduzem, e, mesmo tentando resistir, de forma geral as pessoas amam ao “Grande Irmão”, numa empatia infinita e acrítica.

Com base nessas informações, na coletânea que se segue e em seus conhecimentos prévios, simule a seguinte situação: você é representante de uma entidade estudantil do ensino médio e, depois de várias reuniões e assembléias, é convidado a intermediar as discussões entre a referida classe e as autoridades competentes, acerca da programação veiculada pelos meios de comuniação, dentre eles o mais popular, a televisão – especialmente no que se refere à espetacularização do cotidiano, à banalização das relações humanas, à ênfase no pensamento único e nas diversas formas de globalização cultural. Nesse sentido, você argumentará sobre a importância do papel da mídia na produção e na circulação de sentidos do termo “herói”, sugerindo formas de combate à alienação e ao senso comum. A seguir, você tem duas opções para a elaboração de seu texto, mas escolherá apenas uma delas.

Proposta 1. Você enviará ao Congresso Nacional, em nome dos estudantes brasileiros, uma carta argumentativa, expondo seu ponto de vista a respeito do assunto, justificando seu interesse e solicitando providências.

Proposta 2. Em nome do povo brasileiro, você escreverá um artigo de opinião, previsto para circular no Brasil e no exterior, abordando criticamente a questão em pauta e sugerindo alternativas a curto, médio e longo prazo.

TEXTO I
O termo herói designava, em suas origens, “o condutor do rebanho no campo”, porque ele precisava defender seu rebanho, heroicamente e com risco à própria vida, contra animais selvagens e homens. Por isso, o termo tornou-se a designação do lutador corajoso e “cônscio de seu dever”; o herói “retorna de uma viagem ao além e retorna como agraciado”; além do fundamento genético do herói, surge o “fundamento mítico e ligado à psicologia profunda”. Em outras palavras, a vida heróica mostra como é penoso conquistar feitos duradouros para a cultura da comunidade e repelir tanto as forças caos e da desordem, quanto o isolamento egoístico.

(LURKER, Manfred. Dicionário de simbologia. Trad. Mario Krauss e Vera Barkow. São Paulo: Martins Fontes, 1997. p. 311-312.)

TEXTO II
[...] Não encontrarás novas terras, nem outros mares. A cidade irá contigo. [...] [...] Vais envelhecer no mesmo bairro. Teu cabelo vai embranquecer nas mesmas casas. Sempre chegarás a esta cidade. Não esperes ir a outro lugar, Não há barco nem caminho para ti [...].”

(KAVÁFIS, Konstantinos. A cidade. HATOUM, Milton. Órfãos do Eldorado. São Paulo: Cia das Letras, 2008. p. 7.)

TEXTO III
Existem heróis e heróis. Se existe algo que me irrita profundamente é o jeito sem cerimônias com que o mestre-de-cerimônia do Big Brother Brasil saúda aquela penca de jovens – mais um ou dois da terceira idade – confinados na casa montada pela TV Globo no Rio de Janeiro: “Boa noite, meus heróis!” De tanto usada, a frase virou bordão do BBB. Seu autor? O jornalista e dublê de guru do programa, Pedro Bial. [...]

Hoje, comecei este texto pensando: o que mais me incomoda no BBB, já em sua nona edição consecutiva neste 2009? [...] Os confinados no esquema global podem ser qualquer outra coisa menos heróis. Pode-se até elastificar o vocábulo, o termo, mas é forçar muito a mão (e a paciência) querer que essas criaturas, quase acéfalas, sejam apresentadas ao Brasil em horário nobre, sete vezes por semana, como “nossos” heróis!

E só há um jeito para se contrapor a isso. É comparando o grupo do BBB com minha galeria, não muito extensa, dos heróis que vêm marcando minha vida. E meus heróis, ao contrário de Cazuza, não morreram todos de overdose, mas, com alguma certeza, meus inimigos estão no poder. No poder midiático, pelo menos. Meus heróis têm nome, sobrenome e deram um sentido às suas vidas e, por extensão, deram um alento à minha e a outras gerações. [...]

Reconheço, meio a contragosto, que todos os heróis são espelhos do mundo e da sociedade em que vivem. Os heróis do Bial espelham o mundo da futilidade, o hedonismo, o império dos sentidos humanos, a interação quase total entre os espaços público e privado. Meus heróis espelham o mundo dos ideais, dos valores humanos, do desprendimento e do amor à espécie humana. Os heróis de Bial lutam pelo prêmio financeiro e pelas conseqüências advindas de contratos pecuniários no mundo artístico. Meus heróis lutaram por aquilo em que acreditavam e sua recompensa era tão somente o sentimento de possuírem consciências tranqüilas, tanto que o mito do herói não foi por eles desfrutado: morreram em si para darem vida ao herói que neles subsistia. A diferença maior entre uns e outros é que os heróis de Bial trazem consigo a fraca luminosidade dos vagalumes em sua existências efêmeras. Já os meus heróis trazem consigo sóis e luas. Finalmente, posso afirmar com total certeza: dos meus heróis, sinto uma fisgada de emoção quando deles meu pensamento se ocupa. Já dos outros… quem pode dizer algo?

(Disponível em: ARAÚJO, Washington. Observatório da Imprensa. Acesso em: 12 maio 2009.)

TEXTO IV
“Triste do povo que precisa de heróis.”

(Bertold Brecht)

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