Redação sobre Sustentabilidade

Redação sobre Sustentabilidade

Redação Unicamp 2020

PROPOSTA

Você trabalha como colunista em uma revista eletrônica brasileira, bastante acessada por ambientalistas de diferentes países. Esse público demanda, constantemente, matérias sobre a biodiversidade e sobre o caráter multiétnico e multicultural do Brasil. O editor da revista encomendou a você um podcast que aborde a inter-relação entre esses dois temas e sua importância para a sustentabilidade.

Para se preparar para o seu podcast, você escreve o texto que lerá no dia da gravação. Nele você deve: a) relacionar biodiversidade e sociodiversidade, b) tratar da importância da preservação do patrimônio cultural e ambiental para o crescimento sustentável do Brasil e c) argumentar de modo a convencer seus ouvintes.

Podcasts são arquivos digitais de áudio publicados na internet e que podem ser ouvidos, até mesmo em celulares, a qualquer momento, por qualquer pessoa. São considerados "textos para ouvir".

Para redigir seu texto, leve em conta os excertos apresentados a seguir.

1) O patrimônio genético nacional e os conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade brasileira contribuem para o desenvolvimento de novos produtos, muitos deles patenteados para ser comercializados. Isso porque o Brasil é um dos poucos países que reúnem as principais características para ter um sistema de acesso ao patrimônio genético e aos conhecimentos tradicionais a ele associados, de modo a promover o desenvolvimento sustentável. A primeira característica é a biodiversidade: são mais de 200 mil espécies já registradas em seus biomas (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa) e na Zona Costeira e Marinha. Este número pode chegar a mais de 1 milhão e oitocentas mil espécies. A segunda característica é a sociodiversidade: são mais de 305 etnias indígenas, com cerca de 270 diferentes línguas, além de diversas comunidades tradicionais e locais (quilombolas, caiçaras, seringueiros, etc.) e agricultores familiares, que detêm importantes conhecimentos associados à
biodiversidade.

(Adaptado de Patrimônio Genético e Conhecimentos Tradicionais Associados. Disponível em https://www.mma.gov.br/patrimonio-genetico.html. Acessado em 02/08/2019.)

2) o cerrado é milagre, como toda a vida
(é também pedaço do planeta que desaparece)
abraço meu irmão pequizeiro
(... ) os jatobás sorriem
as perobas não dizem nada, apenas sentem
(... )
agora prepare seu coração:
correntão vai passar e levar tudo
ninho de passarinho rasteiro também
depois do correntão,
brotou o que tinha que brotar
mas já era tarde - faca fina do arado cortou a raiz
pela raiz e aí não brotou mais nada. aliás, brotou
coisa melhor: soja, verdinha, verdinha que beleza, diziam
(... )
antes de terminar pergunto: quem vai pagar o preço de tamanha destruição? "daqui a cem anos estaremos todos mortos", disse alguém.
certo. estaremos todos mortos mas nossos netos, não

o cerrado é milagre, minha gente

(Nicolas Behr, O cerrado é milagre, em Primeira Pessoa. Brasília: LGE Editora, 2005, p. 109.)

3) O Cerrado é o lugar onde a sabedoria popular se materializa em planta. Lá as aparências, de fato, enganam. Onde se veem arbustos de galhos retorcidos há o mais importante sistema de captação e reserva de água do Brasil fora da Amazônia. Um sistema baseado em vegetação e que garante nove das principais bacias hidrográficas do país. Ameaçado pela expansão do agronegócio, reduzido a cerca da metade de seu tamanho original, ele agora caminha para a maior extinção de plantas já registrada no mundo, com consequências para a oferta de água e a regulação do clima do centro-sul do país. Falamos de perda de biodiversidade, de segurança hídrica e climática. Um hectare desmatado de Cerrado tem mais impacto hoje do que um hectare desmatado na Amazônia. Não se trata de impedir a produção agrícola. Ao contrário, ela tem condições de aumentar sem precisar desmatar mais - frisa Bernardo
Strassburg, diretor do Instituto Internacional para a Sustentabilidade.

(Adaptado de Ana Lucia Azevedo, Desmatamento do Cerrado pode levar à extinção de 1.140 espécies de plantas. Disponível em O Globo, 14/10/2018. Acessado em 02/08/2019.)

4) O último relatório da ONU que alerta sobre a velocidade com que as espécies estão se extinguindo (uma de cada oito está ameaçada) assinala que essa destruição da natureza é mais lenta nas terras onde vivem os povos indígenas do que no resto do planeta. Mas também destaca a crescente ameaça que ronda essas comunidades na forma de expansão da agricultura, urbanização, mineração, novas infraestruturas. O Brasil, que abriga a maior parte da Amazônia e o ecossistema mais rico do mundo, é um dos países onde essa ameaça é mais evidente. Segundo Nurit Bensusan, da ONG Instituto Socioambiental (ISA), o papel dos indígenas ganha uma dimensão importante: "Por conhecerem tão intimamente as florestas, eles têm uma percepção muito antecipada das mudanças ambientais. Sabem como lidar com isso. Por exemplo, param de caçar em uma área durante um tempo e assim aliviam o impacto antes que quaisquer outros." Os indígenas são parte essencial dos alertas rápidos e da prevenção.

(Adaptado de Naiara Galarraga Gortázar, Por que os indígenas são a chave para proteger a biodiversidade planetária: a ONU destaca que nas terras habitadas pelos povos originários o desaparecimento de espécies é mais lento que no resto do mundo. Disponível em El País, 08/05/2019. Acessado em 04/08/2019.)

Comentário UNICAMP

Na proposta de redação, os candidatos deveriam assumir o papel de um colunista de uma revista eletrônica especializada em temáticas ambientais que deve escrever uma matéria, a ser veiculada em um podcast, sobre a inter-relação entre biodiversidade e sociodiversidade e sua importância para o crescimento sustentável do Brasil. Ou seja, deveriam escrever um texto argumentativo a ser transmitido oralmente. Para quem não soubesse o que é um podcast, a prova apresentou uma definição em um boxe.

A coletânea oferecia subsídios para que os candidatos preparassem esse texto a ser lido em voz alta no dia da gravação do podcast. O primeiro excerto apresenta conceitos que, à primeira vista, poderiam ser desconhecidos, como biodiversidade e sociodiversidade (caráter multiétnico e multicultural do Brasil), e aponta uma associação importante: o conhecimento do patrimônio genético nacional pelas comunidades tradicionais e locais promove desenvolvimento sustentável. As definições de biodiversidade (200 mil espécies registradas em nossos biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa) e de sociodiversidade (350 etnias indígenas, com cerca de 270 diferentes línguas, e comunidades quilombolas, caiçaras, seringueiras, etc.) foram extraídas do site oficial do Ministério do Meio Ambiente e associadas ao desenvolvimento sustentável do Brasil.

O segundo excerto é um poema, "O cerrado é milagre", de Nicolas Behr. O poeta inicia seus versos despedindo-se da beleza natural do Cerrado (o pequizeiro, os jatobás, as perobas), ao mesmo tempo em que celebra a harmonia ali existente antes de o correntão "passar e levar tudo", cortando com a "faca fina do arado" toda a raiz, para que no lugar brotasse "soja, verdinha, verdinha". Nos versos finais o poeta indaga: "quem pagará o preço da destruição?" A futura geração ("os nossos netos"), ele mesmo responde. O poema trabalha com três tempos: o passado (quando o Cerrado existia de maneira pujante), o presente (o Cerrado é destruído para dar lugar à plantação de soja) e o futuro (quando se pergunta sobre as consequências do ecocídio). O passado é tratado nostalgicamente, ao passo que o futuro é entrevisto com certo tom de desesperança: a destruição ambiental é descrita sob uma perspectiva subjetiva no poema, diferentemente do que se observa nos outros excertos.

O terceiro excerto da coletânea destaca novamente a relevância do Cerrado - "onde se veem arbustos de galhos retorcidos", e onde há o "mais importante sistema de captação e reserva de água do Brasil fora da Amazônia", garantindo "nove das principais bacias hidrográficas do país" - atualmente reduzido à metade de seu tamanho original e ameaçado pelo crescimento do agronegócio. A destruição da biodiversidade no Cerrado impacta não apenas a oferta hídrica como também desregula o clima no centro-sul do país. Enquanto os holofotes da mídia refletem as consequências do desmatamento na Amazônia, a proposta aqui é fazer um alerta de que o bioma que corre maior risco no Brasil é o Cerrado. A recomendação final é favorável à sustentabilidade: é possível investir na produção agrícola sem, contudo, desmatar.

O último excerto intensifica o tom da tragédia anunciada: uma em cada oito espécies está em extinção. Os predadores são a expansão agrícola, a urbanização, a mineração, as novas infraestruturas. Se por um lado o Brasil tem um dos mais ricos ecossistemas do mundo, por outro é um dos países mais ameaçados. No entanto, tal destruição da natureza não se dá por igual em todo o território nacional, pois, onde vivem povos tradicionais, a degradação é mais lenta, como é o caso dos indígenas na Amazônia: "por conhecerem tão intimamente as florestas, eles têm uma percepção muito antecipada das mudanças ambientais", salienta Nurit Bensusan, da ONG Instituto Socioambiental (ISA).

Como se vê, a coletânea trazia várias informações que poderiam ser mobilizadas como argumentos pelos candidatos na elaboração de seu texto para o podcast. A expectativa é que os melhores textos sejam aqueles que, em vez de lidar com todos os excertos, façam um recorte, selecionando argumentos e os articulando. Por exemplo, o excerto 1 ressalta a importância das comunidades tradicionais e locais para a preservação do nosso patrimônio genético, o que é retomado no excerto 4, em que se apontam as práticas sustentáveis dos indígenas na preservação da floresta amazônica. Os excertos 2 e 3, por sua vez, têm em comum a preocupação específica com a destruição do Cerrado. Os candidatos poderiam aproveitar os versos do poema como argumentos que indicam a destruição causada pelo desenvolvimento predatório (a soja verdinha toma o lugar do pequizeiro, dos jatobás, das perobas), e associá-los ao excerto 3, que reforça o desastre causado pela expansão do agronegócio, responsável pela redução do Cerrado à metade do seu tamanho original. Contudo, diferentemente da distopia do poema, o excerto 3 permite aos candidatos vislumbrar um crescimento sustentável: produzir sem desmatar.

Fonte: Unicamp

Redação Puc-GO 2011-1

As catástrofes climáticas vivenciadas pela população mundial têm deixado todos em estado de alerta. Essas mudanças são rápidas e têm provocado efeitos devastadores, principalmente nos últimos anos.

A Europa foi castigada por ondas de calor de até 40 oC; o Brasil tem sido atingido por ciclones, principalmente na costa sul e sudeste; tem aumentado o número de desertos, principalmente na África e no Brasil; furacões causam a morte de milhares de pessoas em várias partes do mundo; e as calotas polares estão derretendo numa velocidade assustadora, fator que pode ocasionar o avanço dos oceanos sobre as grandes cidades litorâneas. O que está provocando essa mudança climática?

Segundo os cientistas, todos esses acontecimentos estão relacionados ao aquecimento global. Para eles, tais fenômenos devem-se, sobretudo, ao aumento da emissão de gases poluentes, principalmente dos derivados da queima de combustíveis fósseis na atmosfera. Esses poluentes acabam formando uma camada de difícil dispersão, provocando o efeito estufa, pois os referidos gases absorvem grande parte da radiação infra-vermelha emitida pela Terra, dificultando, assim, a dispersão do calor.

Os pesquisadores citam, ainda, o desmatamento e a queimada de florestas e matas como fatores que aceleram esse processo. Consequentemente, ocorrem o aumento do nível dos oceanos, o surgimento de desertos e a morte de várias espécies animais e vegetais, desequilibrando diversos ecossistemas. São verificadas também intensas ondas de calor que têm provocado, além de doenças, a morte de idosos e crianças em todo o planeta.

O que nós podemos fazer, a curto, médio e longo prazo, para reverter essa situação? Como os governos podem contribuir para as ações propostas? A sustentabilidade é possível? Como conciliar sustentabilidade e desenvolvimento econômico?

INSTRUÇÕES

Esta prova de Redação em Língua Portuguesa apresenta duas alternativas de coletânea, cada uma com duas propostas. A seguir, você lerá as propostas e deverá desenvolver apenas uma delas, conforme a sua escolha de construção textual (1 ou 2).

Em caso de fuga ao tema ou de cópia da coletânea, a prova terá nota igual a zero.

Não assine a Folha de Redação definitiva.

ALTERNATIVA A

COLETÂNEA
TEXTO 01

[...]

As mudanças climáticas podem produzir impactos sobre a saúde humana por diferentes vias. Por um lado, causam
impactos de forma direta, como no caso das ondas de calor, ou mortes causadas por outros eventos extremos, como furacões e inundações. Mas, muitas vezes, esse impacto é indireto, sendo mediado por alterações no ambiente, como a alteração de ecossistemas e de ciclos biogeoquímicos, que podem aumentar a incidência de doenças infecciosas, [...] mas também, de doenças não-transmissíveis, que incluem desnutrição e doenças mentais. Deve-se ressaltar, no entanto, que nem todos os impactos sobre a saúde são negativos. Por exemplo, a alta de mortalidade que se observa nos invernos poderia ser reduzida com o aumento das temperaturas. Também o aumento de áreas e períodos secos pode diminuir a propagação de alguns vetores. Entretanto, em geral, considera-se que os impactos negativos serão mais intensos que os positivos [...].

(Disponível em:<www.scielo.iec.pa.gov. Epidemologia e serviços de saúde>. Acesso em: 17 out 2010).

TEXTO 02


(Disponível em: <http: // www.surftotal.com / page8.asp ? ID=1167& seccao = ambiente>. Acesso em: 16 out. 2010.)

TEXTO 03

Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. [...]

Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiramse. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.

– Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai.

Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo.

A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.

– Anda, excomungado.

O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. [...]

(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 100. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.)

Tema da Alternativa A: A mudança climática como consequência da degradação ambiental e do aquecimento global.

Propostas de Redação da Coletânea A (escolha apenas uma proposta):

Proposta 1 - Desenvolva um texto argumentativo sobre a questão da degradação ambiental resultante das mudanças climáticas. Discuta, inclusive, como desenvolver a sustentabilidade econômica do planeta, sem promover sua degradação.

Proposta 2 - Elabore um editorial sobre a temática apresentada.

ALTERNATIVA B

COLETÂNEA

TEXTO 01


(Disponível em: <www.atitudessustentaveis.com.br>. Acesso em: 21 out. 2010.)

TEXTO 02

A sustentabilidade é um ideal sistemático que se perfaz principalmente pela ação e pela constante busca entre desenvolvimento econômico e ao mesmo tempo preservação do ecossistema. Podem-se citar medidas que estão no centro da questão da sustentabilidade ambiental: a aquisição de medidas que sejam realistas para os setores das atividades humanas.

Os pontos elementares da sustentabilidade visam à própria sobrevivência no planeta, tanto no presente, quanto no futuro. Esses princípios são: utilização de fontes energéticas que sejam renováveis, em detrimento das não renováveis.

Pode-se exemplificar esse conceito com a medida e com o investimento que vem sido adotado no Brasil com relação ao biocombustível, que por mais que não tenha mínima autonomia para substituir o petróleo, ao menos visa reduzir seus usos. O segundo princípio refere-se ao uso moderado de toda e qualquer fonte renovável, nunca extrapolando o que ela pode render. Em um quadro mais geral, pode-se fundamentar a sustentabilidade ambiental como um meio de amenizar (a curto e a longo prazo, simultaneamente) os danos provocados no passado. A sustentabilidade ambiental também se correlaciona com os outros diversos setores da atividade humana, como o industrial, por exemplo.

A sua aplicação pode ser feita em diversos níveis: a adoção de fonte de energias limpas está entre as preocupações centrais; algumas empresas têm desenvolvido projetos de sustentabilidade voltando-se para o aproveitamento do gás liberado em aterros sanitários, dando energia para populações que habitam proximamente a esses locais.[...] O replantio de áreas degradadas, assim como a elaboração de projetos que visem áreas áridas e com acentuada urgência de tratamento, são exemplos que já vêm sido tomados.

Pode-se afirmar que as medidas estatais corroboram perceptivelmente com a sustentabilidade ambiental. É necessário não apenas um investimento capital em tecnologias que viabilizem a extração e o desenvolvimento sustentável, mas também atitudes sistemáticas em diversos órgãos sociais e políticos, como, por exemplo, a propaganda, a educação e a lei.

(Disponível em: <www.atitudessustentatveis.com.br/sustentabilidade/sustentabilidade-ambiental-o que-e-a-sustentabilidade-ambiental/>. Acesso em: 21 out. 2010.)

TEXTO 03

Sustentabilidade social versus pobreza extrema

Como ter qualidade de vida, segurança, moradia digna, boas condições de vida e uma população que entenda seu papel e pratique boas condutas ambientais em qualquer parte do planeta? [...] basta que essa população tenha todas as suas necessidades básicas mais importantes satisfeitas ou que consiga, através de seus próprios meios ou de outrem, satisfazê-las dentro de um prazo de tempo razoável. E isso é a síntese da sustentabilidade social.

Apoio e boas condições de ensino; prevenção de doenças e acompanhamento para crianças e idosos; oportunidades de trabalho e de geração de renda e a criação de uma mentalidade de respeito ao próximo são muito eficientes quando buscamos a criação e a propagação de um conceito de sustentabilidade mais amplo, como a sustentabilidade econômica e ambiental. [...]

Mas, infelizmente, em muitos países esse avanço vem sendo tolhido pela reticência de governantes e de empresários que acham que a sustentabilidade social é algo sem importância e que demanda muitos investimentos para tornar-se realidade. Por isso mesmo, querem implementar os programas de preservação e de sustentabilidade ambiental através de decretos e de legislações que prevejam pesadas penas. O que, é lógico, torna-se totalmente improdutivo quando se trata de comunidades miseráveis que lutam pelo simples privilégio de sobreviver até o próximo dia.

[...] Percebemos claramente que a sustentabilidade social, a ambiental e a econômica (o triângulo da sustentabilidade) ainda estão muito longe de tornarem-se uma realidade e de serem aplicadas conjuntamente em qualquer empreendimento, seja ele governamental ou privado. Assim, prolongam-se os protestos e os discursos sobre o tema sem, contudo, verificar-se qualquer disposição real de implementar toda a abrangência que os conceitos exigem.

Assim, fica cada vez mais difícil levar a comunidades carentes de tudo a necessária gama de informações e conseguir a criação de um pensamento premente da importância de refrear-se o consumo de determinados recursos e de preservarmos o que pudermos para as gerações futuras. [...]

(Disponível em: <www.apartamentosustentaveis.com.br./ sustentabilidade-social/sustentabilidade-social-vs-pobreza-extrema/>. Acesso em: 21 out. 2010.)

Tema da Alternativa B:  Sustentabilidade ambiental e sustentabilidade econômica: como quebrar paradigmas?

Propostas de Redação da Coletânea B (escolha apenas uma proposta):

Proposta 1

Redija ao Ministro do Meio Ambiente uma carta argumentativa propondo sugestões para a questão da sustentabilidade social e cobrando medidas efetivas que apontem caminhos para a resolução desse problema vivenciado pela população.

Proposta 2

Desenvolva um texto argumentativo, versando sobre como resolver a questão da sustentabilidade econômica sem prejuízo à sustentabilidade social.

REDAÇÃO ENEM 2001

Enem 2001

(Caulos, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1978)

Conter a destruição das florestas se tornou uma prioridade mundial, e não apenas um problema brasileiro. (...) Restam hoje, em todo o planeta, apenas 22% da cobertura florestal original. A Europa Ocidental perdeu 99,7% de suas florestas primárias; a Ásia, 94%; a África, 92%; a Oceania, 78%; a América do Norte, 66%; e a América do Sul, 54%. Cerca de 45% das florestas tropicais, que cobriam originalmente 14 milhões de km quadrados (1,4 bilhão de hectares), desapareceram nas últimas décadas. No caso da Amazônia Brasileira, o desmatamento da região, que até 1970 era de apenas 1%, saltou para quase 15% em 1999. Uma área do tamanho da França desmatada em apenas 30 anos. Chega.

(Paulo Adário, "Coordenador da Campanha da Amazônia do Greenpeace." http://greenpeace.terra.com.br)

            Embora os países do Hemisfério Norte possuam apenas um quinto da população do planeta, eles detêm quatro quintos dos rendimentos mundiais e consomem 70% da energia, 75% dos metais e 85% da produção de madeira mundial. (...)
Conta-se que Mahatma Gandhi, ao ser perguntado se, depois da independência, a Índia perseguiria o estilo de vida britânico, teria respondido: "(...) a Grã-Bretanha precisou de metade dos recursos do planeta para alcançar sua prosperidade; quantos planetas não seriam necessários para que um país como a Índia alcançasse o mesmo patamar?"
A sabedoria de Gandhi indicava que os modelos de desenvolvimento precisam mudar.

("O planeta é um problema pessoal - Desenvolvimento sustentável." www.wwf.org.br)

            De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado.
O que fere a terra, fere também os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.
Trecho de uma das várias versões de carta atribuída ao chefe Seattle, da tribo Suquamish. A carta teria sido endereçada ao presidente norte-americano, Franklin Pierce, em 1854, a propósito de uma oferta de compra do território da tribo feita pelo governo dos Estados Unidos.

(PINSKY, Jaime e outros (Org.). "História da América através de textos", 3  ed. São Paulo: Contexto, 1991.)

Estou indignado com a frase do presidente dos Estados Unidos, George Bush.
"Somos os maiores poluidores do mundo, mas se for preciso poluiremos mais para evitar uma recessão na economia americana".

R.K., Ourinhos, SP. (Carta enviada à seção "Correio" da "Revista Galileu." Ano 10, junho de 2001).

Com base na leitura dos quadrinhos e dos textos, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema:

DESENVOLVIMENTO E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL: COMO CONCILIAR OS INTERESSES EM CONFLITO?

            Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender o seu ponto de vista, elaborando propostas para a solução do problema discutido em seu texto. Suas propostas devem demonstrar respeito aos direitos humanos.

Observações:

  • Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da língua.
  • O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narrativa.
  • O texto deverá ter no mínimo 15 (quinze) linhas escritas.

O Educabras prepara você para o Vestibular e o Enem. Entre na faculdade de sua escolha e siga a carreira de seus sonhos!
Conteúdo e recursos para otimizar seu tempo de estudo e maximizar sua nota no Vestibular e no Enem.

Mais informaçõesimage
image

Agilize e facilite seu trabalho!
- Conteúdo didático para elaborar aulas e usar em classe.
- Banco de dados com milhares de questões por matéria.
- Elabore provas em alguns minutos! Opção de imprimir ou baixar provas e salvá-las em seu cadastro para usá-las no futuro.

Mais informaçõesimage
image

ESTUDO PERSONALIZADO

Programa de Estudo Personalizado com foco nos vestibulares que você prestará:
- Otimize o tempo de estudo: concentre-se nos assuntos relevantes para os vestibulares de sua escolha.
- Opção de incluir o Enem em seu Programa de Estudo Personalizado.
- Conteúdo e Ferramentas: Aulas, resumos, simulados e provas de Vestibulares e do Enem.
* Confira se os vestibulares de sua escolha fazem parte do Programa de Estudo Personalizado

Mais informaçõesimage

Colégios

O Educabras ajuda o colégio a melhorar o desempenho acadêmico dos alunos no Enem e no Vestibular e aumentar o índice de aprovação nas mais conceituadas faculdades do Brasil.
Pacotes de assinaturas: contrate assinaturas a um valor menor para seus professores e alunos.

Mais informaçõesimage