O Iluminismo e o despotismo esclarecido

O Iluminismo e o despotismo esclarecido

SÉCULO XVIII- CULTURA E IDEOLOGIA

CIÊNCIAS

No século XVII, no plano religioso e artístico, verificamos uma generalizada intolerância e fanatismo derivados dos conflitos entre católicos e protestantes. Entretanto, no plano científico e filosófico, assistimos ao desabrochar de novas maneiras de pensar que podem ser vistas como herdeiras do período renascentista.

Essa maneira “moderna” de pensar não consiste apenas em negar os dogmas e modelos medievais, mas fundamenta-se na ideia positiva de que a norma da descoberta e interpretação da ciência é a experiência e não a autoridade. Dada essa premissa, a atividade científica deixará de ser uma mera observação e classificação dos fenômenos e passará a se preocupar com a determinação das leis que regem os fenômenos. É exatamente esta atividade da ciência experimental e seu método de trabalho (a análise) que alimentaram a atividade filosófica do século XVII.

Esses novos métodos de investigação científica tiveram em Francis Bacon (autor de Novum Oranum, publicado em 1620) um de seus iniciadores e, seguramente, um de seus principais formuladores. Ele afirmou que a partir das experiências podemos inferir leis gerais dos fenômenos e, desta forma, fundou o Empirismo.

Uma outra contribuição notável foi a de René Descartes (autor de Discurso sobre o Método, publicado em 1637), que transformou a dúvida em instrumento de reconhecimento e desta forma estabeleceu as bases do racionalismo. Embora Descartes tenha sido um verdadeiro sistematizador do pensamento racionalista, ele preservou uma crença arcaica na existência das ideias inatas.

Graças ao paulatino progresso do método experimental como norma de conduta científica, verificamos notáveis progressos nas ciências ao longo do século XVII.

A Astronomia foi um dos domínios do conhecimento humano que mais prosperou: o alemão Keppler provou, em 1609, que os planetas descrevem órbitas elípticas e, desta forma, eliminou a antiga noção, formulada por Aristóteles, segundo a qual a órbita de todos os astros eram círculos perfeitos; na mesma época, Galileu Galilei descobriu os satélites de Júpiter, observou as manchas solares, estudou as fases de Vênus e pôde comprovar aquilo que muitos afirmavam sem condições de provar, ou seja, os movimentos da Terra.

Através do estudo dos corpos celestes, Galileu tornou-se o primeiro a dar bases científicas para a Física. Foi ele quem pela primeira vez fez a aplicação sistemática da Matemática ao estudo dos fatos concretos.

Os horizontes do conhecimento humano foram bastante ampliados, tendo em vista as necessidades e possibilidades sociais e a curiosidade intelectual existentes.

O inglês Isaac Newton é um outro exemplo do grande número de pensadores da época, mistos de filósofos e cientistas. Em seu livro Princípios Matemáticos de uma Filosofia da Natureza, publicado em 1637, ele explicou matematicamente o movimento dos astros pela atração que exercem uns sobre os outros. Fundamentado nos conhecimentos obtidos por Keppler nas conclusões de Galileu, Newton chegou à conclusão de que as leis verificáveis na Terra valem para o Universo. Daí a imagem formulada por ele de que o Universo era uma grande máquina funcionando harmonicamente.


Isaac Newton

Algumas outras conquistas científicas do período que merecem ser destacadas são:

Na Matemática

1614: tábua de logaritmos — Napier.

1633: régua calculadora retilínea — Oughtred.

1637: geometria analítica — Descartes e Fermst

1687: cálculo infinitesimal — Newton e Leibnitz.

1713: cálculo de probabilidades — Bernouilli.

Na Física

1589: lei sobre a queda dos corpos — Galileu.

1609: lei sobe o movimento dos planetas — Keppler.

1618: refração da luz — Snell.

1638: lei do movimento — Galileu.

1675: cálculo da velocidade da luz — Romer.

1687: teoria da gravitação universal — Newton.

1738: hidrodinâmica — Bernouilli.

1787: princípio de conservação da matéria — Lavoisier.

Na Biologia e na Química

1677: espermatozoides — Leeuvwen Hoek.

1735: classificação das espécies — Linnec.

1766: hidrogênio — Cavendish.

1774: oxigênio — Scheele e Priesley.

1780: teoria da combustão — Lavoisier.

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Sumário

- Século XVIII- Cultura e Ideologia
- Iluminismo
- Teóricos Políticos e Sociais
- Economistas
- Despotismo Esclarecido
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