Independência das colônias espanholas

A independência da América espanhola

A independência das colônias espanholas na América ocorreu no século XVIII, após quase três séculos de domínio colonial. A independência das colônias espanholas foi inspirada por um conjunto de ideias iluministas e foi causada por diversos fatores, entre eles, a influência exercida pela Revolução Americana, o objetivo de substituir o pacto colonial pelo livre comércio e a expansão do império napoleônico que resultou na destituição do rei da Espanha, Fernando VII.

Causas da luta pela independência das colônias latino-americanas

São muitas e complexas as causas da luta pela independência das colônias latino-americanas. Umas, remotas, acumulando-se ao longo dos tempos coloniais; outras, imediatas, mais próximas dos acontecimentos revolucionários.

  • Restrições econômicas devido à doutrina do mercantilismo, ou seja, monopólio comercial em benefício da Metrópole e dos cidadãos peninsulares.
  • Demasiada centralização do governo, que tornava as colônias excessivamente dependentes da Metrópole (com os naturais prejuízos decorrentes). Além disso, a política dos Bourbons, na Espanha, ao pretender fortalecer o poder central, diminuía os direitos tradicionais dos municípios americanos.
  • Estruturação da sociedade em função das diferenças raciais. O grupo mais privilegiado era o dos espanhóis peninsulares (chapetones), que ocupavam os altos cargos do governo civil, religioso e militar. Os "criollos", descendentes puros de espanhóis, nascidos nas colônias, eram donos dos principais latifúndios e das minas. Por sua situação economicamente forte e alto nível cultural, essa classe aspirava ao domínio político de suas nações, com a eliminação dos peninsulares.

    Havia ainda um grande número de mestiços, resultantes da mistura de diversas raças aqui existentes. Sem nenhum direito no início, iam, pouco a pouco, ascendendo. O grupo mais oprimido da população era formado pelos índios, expulsos de suas terras e submetidos política e economicamente aos conquistadores. Em algumas regiões, concentravam-se núcleos de escravos negros, que também viviam em péssimas condições.
  • A política fiscal dos Bourbons, que era mais severa que a dos seus antecessores, provocou reações.
  • Diversos fatos que criavam a consciência do próprio valor americano e desenvolviam sentimento nacional.

Exemplo:

A luta vitoriosa dos portenhos contra as tropas inglesas, cuja repercussão foi mundial.

Fatores Externos

  • Programação das ideias liberais do século XVIII: as doutrinas do Iluminismo e dos enciclopedistas.
  • A proclamação do princípio da autodeterminação dos povos feita pelos Estados Unidos da América.
  • As influências e a colaboração inglesas: estímulo e simpatia dos governos ingleses para com os revolucionários hispano-americanos pelo interesse em prejudicar a Espanha inimiga e em obter novos mercados para o comércio e a indústria da Inglaterra.
  • A Revolução Francesa.
  • A invasão da Espanha pelas tropas napoleônicas, em 1808.

ANTECEDENTES

  •   Peru: rebelião indígena de Tupac Amaru (índio das zonas minerais) em 1780.
  •   Nova Granada: rebelião criolla dos comuneros (gente comum do povo) contra os aumentos dos impostos, 1781.
  •   Chile: conjuntura para estabelecer uma república independente (influência do pensamento enciclopedista).
  •   Caracas: conspiração em prol da liberdade venezuelana e da proclamação da república. Os conjurados foram descobertos e presos; e 45 deles foram executados.
  •   México: duas tramas revolucionárias e republicanas (1794/1797).

O PROCESSO DE EMANCIPAÇÃO

As contradições existentes na América só precisavam de um pretexto para explodir numa luta violenta. Foi a situação na Espanha esse pretexto. Sob Carlos V, a Administração espanhola apresentava-se enfraquecida e sem uma organização definida. A fim de efetivar o Bloqueio Continental, Napoleão atravessa a Espanha para invadir Portugal. Estoura uma rebelião na Espanha que obriga Carlos V a abdicar em favor de seu filho, Fernando VII. Em seguida, Napoleão impõe a renúncia dos dois e coloca a coroa real espanhola na cabeça de seu irmão, José Bonaparte.

Os "criollos" aproveitam-se da situação caótica da Espanha para proclamar a independência. O "município" da cidade do México, e "cabildo" de Buenos Aires e outras instituições semelhantes dominadas pelos "criollos" tentaram tomar o poder em nome do rei Fernando VII. No México, essa tentativa fracassou devido a um golpe de Estado organizado pelos espanhóis peninsulares. Nas outras regiões, em consequência dos atos realizados pelos municípios ou "ayuntamientos", a luta continua até a consumação da independência.

México

No México, em 1810, explode uma violenta rebelião, na cidadezinha de Dolores. A insurreição foi, de início, encabeçada por Don Miguel Hidalgo, e dela participavam muitos índios e mestiços. Contudo, em 1811, Don Miguel Hidalgo é derrotado e executado.

A rebelião continua sob o comando de outro sacerdote, o padre José Maria Moreles, que também cai prisioneiro e é executado em 1815. O movimento se mantém apenas no sul da Nova Espanha, encabeçado por Vicente Guerrero.


José Maria Morelos

Depois de várias outras tentativas frustradas, Agustín Iturbide, em 1821, proclama a independência mexicana. Um ano depois, proclama-se imperador, mas é derrotado pelos republicanos, que o fizeram fugir para a Europa. Tendo voltado ao México para tentar recuperar o poder, é preso, condenado e fuzilado pouco depois de seu desembarque (1824). No mesmo ano (04 de outubro de 1824), proclama-se a Constituição da República do México.

Venezuela, Colômbia e Equador

Caberá a Simon Bolívar, natural de Caracas, a libertação dessas regiões. Esse militar levou a cabo uma série de campanhas em todo o Continente Sul-americano, tentando manter a Unidade da América Latina contra a Espanha e também contra os Estados Unidos. Libertou grande parte da Nova Granada e atirou-se à conquista da Venezuela. Obtém triunfos e derrotas. Conquista Caracas (1813), mas torna a perdê-la. Em 1814, a Espanha recupera sua independência e envia poderosas forças, sob o comando do general Morillo, a fim de esmagar definitivamente o exército revolucionário de Bolívar. Este retira-se para Jamaica.

 
Simon Bolívar

Da Jamaica, auxiliado pelo presidente Pétion, que lhe oferece navios e armamentos, passa para a Venezuela, e, em 1817, reinicia a luta. Grandes vitórias vão sendo alcançadas por suas forças. A vitória da Batalha de Boyacá (1819) garante a libertação da Colômbia. Na Venezuela, as forças espanholas são vencidas no combate de Carabobo (1821). Em 1822, Sucre, oficial de Bolívar, vence em Pechincha, libertando o Equador. Todavia, para conseguir tal feito, Sucre contou com apoio de forças argentinas comandadas por Necochea.

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