História do Império Romano

O período imperial de Roma

A partir de seu regresso a Roma, Otávio empreendeu reformas políticas de tal forma que a República foi extinta, tendo sido implantada uma outra forma de governo, o Império (os governadores utilizavam o título de Imperador), no qual o poder era exercido pelo comandante supremo do exército.

A instalação do Império significou que a hegemonia do Estado passou para as mãos dos Homens Novos e os patrícios ficaram reduzidos à condição de uma nobreza tradicional.

A exemplo do que fizera Júlio César, Otávio adotou o caminho de acumular uma série de cargos e títulos, através dos quais os poderes romanos foram sendo totalmente concentrados em suas mãos.

Os títulos acumulados por Otávio foram:

  • Tribuno da Plebe - Otávio tornou-se sacrossanto e inviolável;
  • Imperador- Otávio tornou-se comandante supremo de todos os exércitos romanos;
  • Pontífice Máximo- Otávio tornou-se o chefe supremo da religião romana;
  • "Princips Senatus"- Otávio passava a ser o primeiro cidadão do Estado e tinha o direito de presidir o Senado.

Em 27 a.C., Otávio passou a receber o título de Augusto (filho de deus) que, até então, só era atribuído aos deuses. Com o título de Augusto, Otávio passou a receber a Apoteose (o culto pessoal) e a ter direito de indicar o seu sucessor nos poderes que estavam concentrados em suas mãos. Era o fim da República e o início do Império.

Otávio governou, como imperador, de 27 a.C. a 14 d.C. Seu governo foi caracterizado, dentre outras coisas, pela implantação de uma nova estrutura política:

Os magistrados passaram a ter funções meramente civis.

O Senado passou a ter apenas o controle administrativo de Roma e da Itália.

Foi criado o Conselho do Imperador, órgão que lhe prestava assessoria direta, formado por cidadãos indicados pessoalmente pelo Imperador e que passou a ter maior importância que o Senado.

Foram criados diversos novos cargos: prefeito da cidade, prefeito do pretório (comandava as tropas que defendiam Roma), prefeito das vigílias (encarregado da polícia noturna e da luta contra incêndios), prefeito da anona (encarregado do abastecimento).

As províncias foram divididas em províncias civis (não eram submetidas à ocupação militar, mas governadas pelo Senado), províncias militares ou imperiais (submetidas à ocupação militar e governadas diretamente pelo Imperador através do "Legati Augusti").

As fronteiras passaram a ser guarnecidas pelas Legiões (unidades profissionais do exército) e governadas por enviados do Imperador (os "Legati Legionis").

Os impostos devidos pelas províncias passaram a ser arrecadados diretamente pelo Estado, fato que provocou um significativo aumento na arrecadação e um menor nível de exploração dos provincianos.

Essas reformas políticas significaram, fundamentalmente, um fortalecimento do poder central, ou seja, uma hipertrofia do poder nas mãos do Imperador.

O ALTO IMPÉRIO

Otávio preocupou-se também em reformular a estrutura social. Três novas ordens sociais foram criadas com base em um critério censitário:

A Ordem Senatorial, que agregava os cidadãos com uma fortuna superior a um milhão de sestércios (moeda de prata) que tinham uma série de privilégios políticos e o direito de utilizar a tarja púrpura na toga.

A Ordem Equestre, que compreendia os cidadãos com fortuna entre quatrocentos mil e um milhão de sestércios; esses tinham o direito exclusivo de ocupar certos cargos na administração e no exército; sua cor distinta era o azul.

A Ordem Inferior, que reunia os cidadãos com fortuna inferior a quatrocentos mil sestércios, que não possuíam direitos políticos.

A situação de paz e prosperidade, vigente durante o governo de Augusto, favoreceu o desenvolvimento cultural que também foi estimulado pela ação de Mecenas, amigo pessoal do Imperador, que sustentava poetas e escritores com seus próprios recursos. Dentre os nomes mais significativos dessa época, podemos citar: Virgílio cujas principais obras foram Bucólicas e as Geórgicas, coletâneas de poemas em que o autor faz a exaltação da vida no campo, e a Eneida, em que é narrada a lenda da fundação de Roma; Tito Lívio, o mais notável dos historiadores romanos; Horácio autor de Odes, poemas em que dá conselhos e faz reflexões filosóficas sobre a amizade.

A partir da época de Augusto, os habitantes das províncias passaram a ser admitidos no exército como integrantes das legiões que eram incumbidas de guarnecer as fronteiras. A defesa da cidade de Roma fica exclusivamente a cargo da Guarda Pretoriana.

Em termos de política externa, não se pode dizer que Augusto tenha desenvolvido uma ação imperialista. O fato é que ele desenvolveu uma política de consolidação de fronteiras através da fortificação da linha do rio Reno (após uma tentativa fracassada de conquistar a Germânia), da ocupação de terras ao sul do rio Danúbio (os reinos da Récia, Nórica, Panônia e Nécia, respectivamente as atuais Suíça, Áustria, Hungria e Bulgária), a anexação da Galácia e da Judeia, do estabelecimento da soberania romana na Armênia (este território não chegou a ser anexado) e da fixação das fronteiras asiáticas no rio Eufrates, além do qual havia o Reino Parta.

Com Augusto, estabeleceu-se um mecanismo de sucessão imperial através da indicação de alguém pelo Imperador ainda em vida. Normalmente, essa indicação era confirmada pela adoção filial do indicado pelo Imperador. A partir desse mecanismo, podemos entender que, no contexto da história de Roma, uma dinastia era uma sequência de Imperadores, cada qual indicado pelo seu antecessor. Uma dinastia terminava quando o poder passava para as mãos de alguém que não houvesse sido indicado pelo seu antecessor.

Augusto iniciou a primeira das dinastias do Império Romano: a Dinastia Júlio-Claudiana, que governou da morte de Augusto em 14 até o ano 68.

Os imperadores da Dinastia Júlio-Claudiana foram:

Tibério (14/37) - Seguiu as orientações que haviam sido traçadas por Augusto; foi acusado da morte do general Germanicus, o que fez com que o Senado e o povo passassem a lhe fazer oposição; a partir desse fato, Tibério desencadeou violentas perseguições políticas.

Calígula (37/41) - Filho de Germanicus, pretendeu tornar-se um monarca em estilo oriental. Foi assassinado por oficiais da Guarda Pretoriana.

Cláudio (41/54) - Tio de Calígula, foi levado ao poder pela Guarda Pretoriana (com esse evento teve início uma crescente intervenção dos militares na sucessão imperial); conquistou a Bretanha e a Mauritânia; mandou executar a mulher Messalina, mãe de Britanicus, em função de sua conduta moral; casou-se então com Agripina, que já tinha um filho, Nero, o qual foi indicado para a sucessão. Cláudio morreu envenenado por Agripina.

Nero (54/68) - Foi educado pelo filósofo Sêneca e caracterizou-se como um dos mais perversos imperadores de Roma (mandou matar seu irmão Britanicus, sua mãe, suas duas esposas e seu mestre Sêneca); foi responsável pelas primeiras perseguições aos cristãos após acusá-los de haverem incendiado Roma; sua ação inconsequente e sádica provocou uma revolta no exército e o Senado considerou-o inimigo público, levando-o ao suicídio.

Com a morte de Nero, em 68, teve início uma disputa entre os exércitos que pretendiam elevar seus comandantes a Imperador.

Nesse contexto, teve início a Dinastia dos Flávios, cujos imperadores, originários das legiões do Oriente, foram os seguintes:

Vespasiano (69/79) - Dedicou-se à pacificação do Império, sendo nesta atividade seu filho Tito notabilizado por haver sufocado uma revolta dos judeus, tendo destruído Jerusalém e dispersado seus habitantes.

Tito (79/ 81) - Seu governo foi marcado por uma erupção do vulcão Vesúvio que soterrou as cidades de Pompeia e Herculano.

Domiciano (81/96) - Desenvolveu intensas perseguições aos judeus e aos cristãos; foi assassinado por uma conspiração palaciana.

Com o assassinato de Domiciano, instalou-se no poder a Dinastia dos Antoninos, cujos imperadores eram originários das legiões da Gália e da Península Ibérica. Durante os governos dos Antoninos, o Império Romano alcançou seu apogeu, tendo atingido sua máxima extensão territorial, uma grande prosperidade econômica, paz interna e uma eficiente administração. Os imperadores Antoninos foram:

Nerva (96/117) - Anexou a Dácia, a Armênia e a Alta Mesopotâmia; provocou um grande desenvolvimento da produção agrária em função de haver introduzido o crédito agrícola a baixos juros.

Adriano (117/138) - Sufocou uma revolta dos judeus e expulsou-os da Palestina; foi o responsável pela elaboração do “Édito Perpétuo”, redigido pelo jurisconsulto Sálvio Juliano, no qual o Direito Pretoriano foi codificado.

Antônio Pio (138/161) - Deu nome à Dinastia.

Marco Aurélio (161/180) - Era filósofo e desencadeou violentas perseguições aos cristãos. Durante o seu governo, os bárbaros germânicos começaram a pressionar as fronteiras do Danúbio. Marco Aurélio morreu em meio às guerras no Danúbio.

Cômodo (180/192) - Filho de Marco Aurélio, teve de enfrentar várias conspirações e, numa delas, foi assassinado.

Após a morte de Cômodo, as legiões do Danúbio conseguiram impor seus comandantes como imperadores, formando a Dinastia dos Severos, a qual governou de 193 a 235.

Essa dinastia foi iniciada por Sétimo Severo, que foi sucedido por Caracala e que teve em Severo Alexandre seu último imperador.

A partir da Dinastia dos Severos, o Império Romano passou a ter características políticas semelhantes às dos grandes impérios do Oriente, ou seja, os Imperadores passaram a buscar sua sustentação na máquina burocrática e no exército.

Por essa época, a economia romana começou a apresentar os primeiros sintomas de crise: em função de um êxodo urbano, decorrente de uma crescente ruralização econômica, as arrecadações do Estado diminuíram, obrigando-o a emitir dinheiro e, consequentemente, a desencadear um processo inflacionário. As crescentes pressões nas fronteiras e as revoltas das províncias agravaram a situação militar e econômica.

O CRISTIANISMO

Não é possível negar que o Cristianismo é, até hoje, uma das mais importantes religiões que já surgiram. O cristianismo originou-se nos ensinamentos de Jesus Cristo, que nasceu há mais ou menos 4 a.C. em Belém, na Palestina.

Desde 64 a.C., a Palestina pertencia ao Império Romano, sendo que Jesus viveu no Reino da Galileia (uma das regiões que compõe a Palestina) durante o reinado de Herodes Antipas (o Reino da Galileia era considerado como um “aliado” de Roma e por isso tinha o seu próprio governante, que reconhecia a soberania romana).

Embora tenha nascido em Belém, Jesus passou boa parte de sua vida em Nazaré e, com mais ou menos trinta anos de idade, iniciou as suas pregações, afirmando ser o Messias esperado pelos judeus, que seu reino era no céu e não na Terra, e que era filho de Deus. Desde muito cedo, Jesus reuniu em torno de si um grupo de discípulos, os Apóstolos, que o acompanharam por toda parte. A doutrina pregada por Jesus tinha como seus pontos fundamentais: o desapego aos bens materiais, o perdão às ofensas e o amor ao próximo.

Condenado com a autorização do procurador romano Pôncio Pilatos, Jesus foi crucificado no Monte do Calvário.

Após a crucificação de Jesus, os apóstolos iniciaram suas pregações em meio aos próprios judeus. Os cristãos formavam uma verdadeira comunidade particular no seio do judaísmo.

Os apóstolos eram os responsáveis pelas pregações doutrinárias. Os fiéis escolhiam os homens mais dedicados para ocuparem a função de Diácono, ou seja, o encarregado de prover as condições materiais para a realização do culto. Um diácono de nome Estevão acusou os sacerdotes do Templo de Jerusalém de terem condenado o Messias à morte. Tendo, portanto, que sair da Palestina, os apóstolos passaram a correr o mundo levando o Evangelho (a “Boa Nova”). Nesse trabalho, destacaram-se Pedro e Paulo que, dentre outras coisas, levaram o Cristianismo para Roma.

A partir de Nero, os cristãos passaram a ser perseguidos em Roma. Essas perseguições ocorriam em função de diversos fatores: por pregarem o monoteísmo, os cristãos negavam a divindade dos imperadores, sendo que esse atributo era fundamental, pois se constituía em dos alicerces do poder imperial; o Cristianismo difundia-se fundamentalmente junto às camadas inferiores da população romana e o governo temia as mensagens revolucionárias do Cristianismo.

O fato é que, até 313, durante o governo do imperador Constantino, os cristãos foram intensamente perseguidos, sendo que essas perseguições aumentavam nos períodos de crise do Império.

Apesar das perseguições, o número de cristãos cresceu rapidamente. Nos primórdios do século IV, uma significativa parcela da população do Império já estava convertida ao Cristianismo.

Em 313, o imperador Constantino promulgou o Edito de Milão, segundo o qual a prática do Cristianismo foi liberada, com isso findaram as perseguições aos cristãos.

Em 391, o imperador Teodósio transformou o Cristianismo em religião oficial do Império.

A propagação das ideias cristãs fundamenta-se, inicialmente, nos textos dos “Evangelhos”, escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João, nos “Atos dos Apóstolos”, nas “Epístolas” e no “Apocalipse”, sendo que esse conjunto de textos forma o Novo Testamento da Bíblia. Mais tarde, começaram a surgir os chamados escritos apologéticos, cujo intuito era defender o Cristianismo das acusações que lhe eram feitas pelos pagãos (dentre os escritos apologéticos, o mais conhecido é o Discurso de São Cipriano). Depois começaram a surgir verdadeiros tratados da doutrina (as obras de Tertuliano, por exemplo), cujo objetivo era combater as heresias; desvios de uma doutrina, ou dogmas aceitos oficialmente pela Igreja, responsável pela prática da religião.

Os Concílios (reunião de bispos) tiveram um papel decisivo na consolidação da doutrina cristã. O primeiro deles foi o Concílio da Niceia, convocado em 325 pelo imperador Constantino e no qual se definiu que Jesus Cristo era filho de Deus e igual ao Pai. Essa definição do Concílio de Niceia destinava-se ao combate ao Arianismo.

O Arianismo foi o movimento herético, iniciado pelo bispo Ário, de Alexandria, que pregava que Cristo não era Deus e, portanto, não era igual ao Pai. A partir do Arianismo, surgiu uma outra heresia, o Nestorianismo, que negava a divindade de Cristo e, consequentemente, não aceitava que a Virgem Maria fosse mãe de Deus.

Em suas origens, a Igreja cristã não apresentava uma distinção nítida entre seus fiéis e o clero. Os Padres ou Presbíteros (encarregados da celebração do culto) e os Diáconos (encarregados das condições materiais para a celebração do culto) eram homens comuns que acrescentavam às suas funções civis a obrigação religiosa que lhes era conferida pela escolha dos demais fiéis. Com o aumento do número de cristãos e com a sua difusão geográfica, esse informalismo acabou sendo fonte do surgimento de diversas heresias. Em função dessa realidade, não só as funções sacerdotais foram ganhando aspectos formais e especializados, assim como foi sendo definida uma hierarquia para o clero.

Na base dessa hierarquia, havia os padres e os diáconos, que se subornavam aos Bispos. Os fiéis escolhiam os padres e os diáconos que, por sua vez, elegiam os bispos. Os bispos das quatro principais cidades do Império (Alexandria, Jerusalém, Antioquia e Constantinopla) recebiam o título de Patriarcas. O bispo de Roma, considerado sucessor de São Pedro, recebia o título de Papa e gozava da primazia na Igreja Cristã. Esta hierarquia definia o chamado Clero Secular. Havia também o Clero Regular, cujos membros viviam em mosteiros, retirados do mundo (“seculum” em latim).

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