A Espanha, o Separatismo e o Terrorismo

A Espanha é um dos principais países em que há movimentos separatistas. Os dois principais movimentos separatistas da Espanha envolvem a Catalunha e o País Basco.

A Espanha se situa entre o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo, entre a Europa e a África. O território espanhol é formado pela maioria da Península Ibérica, pelas Ilhas Baleares e Canárias e por duas cidades no norte da África – Ceuta e Melilla.

A Espanha, formada ao longo da Guerra da Reconquista (a expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica), conheceu seu apogeu no século XVI e no início do XVII, sob o domínio dos Habsburgos. Após um longo período de decadência, em 1931 era proclamada a República. De 1936 a 1939, a Espanha foi vítima de uma sangrenta guerra civil, que deixou um saldo de 1 milhão de mortos.

A guerra civil foi travada entre os "nacionalistas" - setores sociais conservadores, sob influência fascista: militares, clero e grandes proprietários, liderados pelo general Francisco Franco e apoiados pela Alemanha Nazista e pela Itália Fascista contra "republicanos" - socialistas, comunistas, anarquistas e democratas, auxiliados por voluntários estrangeiros, as Brigadas Internacionais e apoiados pela União Soviética.

Redemocratizada a partir de 1975, depois de 36 anos de autoritarismo, a Espanha conhece o grave problema do separatismo basco.

O governo da Espanha é constituído por uma federação de regiões autônomas. O país é dividido em 17 regiões autônomas. O nível de autonomia diverge por região. Exemplificando: Basco e a Catalunha têm seu próprio idioma, sua própria identidade cultural e mais independência do governo central do que as outras regiões.

A Espanha adotou o Euro. 

A Cataluña (Catalunha)

A Catalunha é uma região semiautônoma localizada no nordeste da Espanha. Nos últimos anos, o governo central espanhol tem concedido mais autonomia a Catalunha – maiores poderes judiciais e tributários.

Existem segmentos da população da Catalunha que visam a uma independência total da Espanha.

O País Basco

O País Basco é uma região histórico-cultural situada na fronteira entre o norte da Espanha e o sudeste da França. A região é habitada por 2,2 milhões de pessoas. O idioma é o basco.

Durante o governo de Franco, a língua basca foi proibida e intelectuais bascos foram presos e torturados por suas posições políticas e por seu esforço em tentar preservar sua cultura. O País Basco resistiu a Franco. Quando o ditador fascista morreu, em 1975, a transição para a democracia na Espanha resultou numa certa autonomia para a região basca, onde vivem aproximadamente 2,2 milhões de habitantes. 

O País Basco tem seu próprio Parlamento, sua polícia e coleta seus próprios impostos, mas o ETA, grupo político nacionalista, exigia e lutava pela independência total. 

O ETA tinha como método de ação o terrorismo e era classificado pela União Europeia e pelos Estados Unidos como um grupo terrorista.

O ETA

O ETA, grupo político nacionalista, tinha como método de ação o terrorismo e era classificado pela União Europeia e pelos Estados Unidos como um grupo terrorista. A organização extremista ETA estava empenhada, por mais de 40 anos, em uma campanha armada que objetiva a independência de sete regiões no norte da Espanha e sudoeste da França. Os separatistas bascos afirmavam que essas regiões eram seu território.

O Euskadi Ta Azkatasuna (ETA), cujo nome significa Pátria Basca e Liberdade, nasceu na década de 60. Inicialmente, foi um movimento de resistência estudantil que lutava contra a ditadura militar do general e ditador fascista espanhol, Francisco Franco.

Desde sua fundação, o grupo ETA perpetrou uma série de atentados terroristas. O ETA foi formado em 1959 com o objetivo de criar um Estado Basco independente. Em 1978, foi fundado o braço político do ETA, o HB (Herri Batasuna).

Até 1980, 118 pessoas já haviam morrido em atentados ligados ao ETA. Em julho de 1997, o ETA foi acusado de sequestrar e matar um conselheiro municipal basco, Miguel Angel Blanco, o que provocou uma revolta popular e levou oito milhões de espanhóis a participar de protestos públicos. Apesar de negociações entre os partidos políticos da Espanha e o ETA no final da década de 90, o ETA não abandonou a violência e, em novembro de 1999, anunciou o final de seu cessar-fogo de 14 meses e culpou o governo espanhol pela falta de progresso nas negociações de paz.
Em dezembro de 2001, a União Europeia, por decisão unânime de seus membros, declarou o ETA uma organização terrorista. Isto representou uma vitória diplomática para o governo espanhol. Em março de 2003, a Suprema Corte da Espanha proíbe o Batasuna (braço político do ETA) permanentemente. É a primeira vez, desde a morte do ditador Francisco Franco, que um partido político é considerado ilegal na Espanha.

Em maio de 2003, os Estados Unidos declaram o Batasuna uma organização terrorista.

No decorrer de sua existência, o ETA foi responsável pela morte de 830 pessoas. Muitas das vítimas desse conflito eram membros da polícia nacional espanhola e políticos espanhóis que se opunham às exigências do ETA.

Em 2012, o ETA se dissolveu e, em 2017, entregou seus depósitos de armas e explosivos. Em 2018, o grupo assumiu responsabilidade pelos atos de terrorismo que perpetrou e pediu perdão às vítimas e às famílias delas por todo o sofrimento que causaram.

Terrorismo do ETA

  • A campanha de terrorismo do ETA começa no ano de 1961, com uma tentativa de descarrilar um trem que transportava políticos;
  • Em 1968, o ETA faz a sua primeira vítima, ao matar Melitón Manzanas, um dos líderes da polícia secreta na cidade de San Sebastián.
  • Em dezembro de 1973, nacionalistas bascos assassinam em Madri o primeiro-ministro espanhol, o almirante Luís Carrero Blanco. O assassinato foi um ato de retaliação contra a execução de militares bascos pelo governo.
  • Em 1995, o ETA tenta assassinar José Maria Aznar, líder do partido de oposição (PP), que é futuramente eleito primeiro-ministro.
  • Em fevereiro de 2000, um carro-bomba explode na cidade basca de Vitória, matando um político socialista e seu guarda-costas.
  • Em julho de 2000, o conselheiro municipal da cidade andaluz de Málaga, José Maria Martín, do PP, é assassinado a tiros.
  • Em setembro de 2000, um político do PP, José Luiz Ruiz Casado, é assassinado em Barcelona. O ETA assume a autoria desse e de outros atentados que haviam sido cometidos anteriormente.
  • Em março de 2001, o político Froilan Elexpe é assassinado na cidade de Lasarte. Desde o final do cessar-fogo, em dezembro de 1991, o ETA é responsável por 28 mortes.
  • Em novembro de 2001, o juiz José Maria Lidon é morto a tiros em Bibao. Seu assassinato ocorreu menos de 24 horas depois que um carro bomba explodiu, deixando quase 100 feridos em Madri. O juiz morto havia condenado seis simpatizantes do ETA a longas penas de prisão em 1987.
  • Em julho de 2003, bombas explodem nos balneários espanhóis de Alicante e Banidorm, ferindo pelo menos 13 pessoas. Cinco dias mais tarde, outra bomba explode em um estacionamento no aeroporto de Santander.
  • Em dezembro de 2006, ETA explode um carro-bomba no aeroporto Barajas, em Madri.
  • Em dezembro de 2007: ataque a dois policiais da Guarda Civil espanhola. Ambos morrem.
  • Em 2008, houve vários assassinatos e explosões. Em outubro, um carro-bomba explode na Universidade de Navarra, no norte da Espanha, deixando 17 feridos. Em novembro, o ETA assume responsabilidade por 10 explosões.

Em 2012, o ETA se dissolveu. Em 2017, o grupo entregou oficialmente suas armas.

Ataques terroristas na Espanha

Em 11 de março de 2004, aproximadamente 140 kg de dinamite explodiram em quatro trens de Madri, atingindo estações de grande movimento. Esse ataque terrorista ocorreu num momento em que os trens e as estações estavam lotados de pessoas. Este atentado terrorista, o maior do país e da Europa nas últimas décadas, deixou 191 mortos e 1.900 feridos.

Terroristas da organização Al Qaeda assumiram responsabilidade pelo ataque, alegando que ter sido um ato de vingança pelo envio de tropas espanholas ao Iraque e ao Afeganistão.

No dia 17 de agosto de 2017, Younes Abouyaaqoub, que dirigia uma van, atropelou e matou 14 pessoas e feriu mais de 130 na rua mais turística de Barcelona, em La Rambla. Algumas horas mais tarde, houve outro atropelamento, próximo à Barcelona.

Acredita-se que um grupo de 12 jihadistas estavam envolvido nos ataques terroristas. A polícia Catalã encontrou uma fábrica de bombas, sede do grupo jihadista, que havia explodido no dia anterior ao ataque terrorista em La Rambla. A polícia acredita que os jihadistas haviam planejado um ataque mais terrorista, mas que, graças à explosão, tiveram que adotar métodos mais rudimentares, como o atropelamento.

O Estado Islâmico assumiu autoria pelos ataques, afirmando que foi executado por seus “soldados”.