Relação do homem com a natureza

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A relação do homem com a natureza constitui um fenômeno de importância fundamental para a sobrevivência da humanidade. Inicialmente, os povos eram nômades. Com o passar do tempo, o homem desenvolveu a agricultura e a pecuária, que resultaram na formação das primeiras civilizações. Hoje, a relação do homem com a natureza está voltada à extração de recursos consumidos pela sociedade.

Quando os primeiros homens começaram a praticar a agricultura, há uns 10 mil anos, o mundo inteiro tinha apenas cerca de 5 milhões de habitantes. Em termos comparativos, era como se os moradores da cidade do Rio de Janeiro, espalhados por todos os continentes, fossem os únicos habitantes da Terra. A agricultura fixou o homem ao solo e, aumentando a oferta de alimentos, diminuiu a mortalidade por inanição. Hoje, como herança de enorme vergonha, a fome é, ainda, uma das principais causas de mortalidade no mundo.

Após o advento da agricultura, nos oito milênios seguintes, a população mundial cresceu pouco: chegou a uns 130 milhões de pessoas - no início do primeiro milênio - menos do que a população brasileira atingiu em 400 anos.

Em 1650, havia no mundo meio bilhão de habitantes, que ancorados pela Revolução Industrial e pelos avanços da medicina - proporcionando maior longevidade à população - desencadeou a explosão populacional que estamos atravessando. Em 2016, atingimos a marca de 7,2 bilhões de habitantes no planeta, segundo as estatísticas da Organização Mundial de Saúde. Em 2016, 

A previsão é de que o aumento continue, com velocidades diferentes nos diversos continentes, até atingir a transição demográfica, ocasião em que a população passará a diminuir. O tempo para que isso ocorra está subordinado ao planejamento familiar, fazendo com que cada pessoa só tenha os filhos que desejar. A causa principal das "gestações indesejadas" é a falta de informação e de meios para evitar filhos, ou seja, uma associação entre ignorância e pobreza.

Taxa de crescimento da população mundial

Retrospectiva

A análise das relações do homem com o ambiente, desde seus primeiros dias até a época atual, permite reconhecer basicamente quatro fases:

A primeira - do caçador-coletor - é, disparadamente, a mais longa. Se considerarmos o Homo erectus, o primeiro a se servir do fogo, essa fase iniciou-se há cerca de 500 mil anos. Se for considerado apenas o Homo sapiens sapiens - o homem na sua fase atual - a contagem pode ser iniciada há 35 mil anos, com o Homem de Cro-Magnon.

Nesse período o homem usava ferramentas de pedra lascada e vivia em bandos nômades, acompanhando rebanhos de caça. Assemelhava-se aos outros animais, diferindo pela capacidade de manipular o fogo, o que permitia habitar zonas de outro modo inóspitas para a sobrevivência. O Homo erectus, conquistador do fogo, é o primeiro hominídeo a abandonar a África, lar dos australopitecos e do Homo habilis por vários milhões de anos.

Antes do uso do fogo, o impacto da humanidade - ou pré-humanidade, como preferem alguns - sobre o meio ambiente era nulo. Estes hominídeos gastam energia para se manter, crescer e reproduzir como qualquer outro mamífero de grande porte, quanto ao consumo de calorias por dia, à custa de sua ação para obter carcaças de outros animais, frutos, raízes, brotos tenros.

Quando começa a usar o fogo, a humanidade inaugura um novo tipo de consumo energético que a distingue, quantitativamente, dos outros animais de sangue quente, com peso semelhante ao seu. Pelo que sabemos da cultura do homem da Idade da Pedra, e também utilizando informações provenientes do estudo de tribos atuais que ainda vivem da caça e coleta de alimentos, sem agricultura, calcula-se que a quantidade de quilocalorias gasta por dia por nossos antepassados caçadores-coletores era por volta de 2.600.

Por volta de 12 mil anos passados, as geleiras estavam recuando e, com isso a fauna à qual o Homem de Cro-Magnon estava ligado ia se deslocando para o norte da Europa e Ásia e ele seguia atrás de seu principal alimento.

A vegetação começou a mudar no sul da França e da Espanha, ao longo do Mediterrâneo de modo geral. Desenvolveu-se aí nova cultura, principalmente na beira de rios, que se utilizava muito da pesca e da caça a aves migratórias, como patos, gansos e marrecos. Este é o homem que inventa o arco e flecha, pois o Homem de Cro-Magnon só linha lança. Também constrói embarcações e muitos tipos de armadilhas.

Há cerca de 10 mil anos - segunda fase - começam as primeiras experiências de domesticação de animais que lhe convinha (pastoreio) e a agricultura de subsistência. De acordo com os registros conhecidos, elas ocorreram primeiro no Oriente Médio, principalmente em Israel, Síria e Jordânia e, algumas centenas de anos depois, no Novo Mundo.

É dessa época a domesticação do cachorro. Esse animal mudou muito a maneira de caçar. O cachorro passou a ser a extensão dos sentidos do homem, pois fareja e descobre a caça melhor do que o homem.

O cultivo de plantas e a criação de animais fizeram com que a energia alimentar se tornasse mais concentrada, resultando em economia de trabalho na busca de alimento. O homem aumentou sua eficiência em utilizar biomassa do ambiente e, dispende menos tempo em procurar comida, usando boa parte deste tempo nas atividades de manipulação e armazenamento do excedente de produção a ser estocado para os períodos de carência. Além da lenha para os fogões lareiras, sem dúvida agora mais ativos, é também necessário obter combustível para os fornos das olarias.

Estima-se que o consumo energético per capita das sociedades de 10 mil anos atrás estava ao redor de 4.700 Kcal, e que a população mundial andasse em torno dos 8 milhões de habitantes. O impacto sobre o ambiente passa a ser bem maior.

Publicações relativamente recentes indicam os resultados do estudo dos vestígios de uma das mais antigas vilas do mundo: Ain Ghazal (Primavera das gazelas), localizada na Jordânia. Sua formação data de mais de 11.000 anos e provavelmente, esse local testemunhou uma transição fundamental na pré-história do homem: a passagem da vida nômade de caçador e coletor para a vida sedentária, de agricultor e criador de animais.

Esses resultados levaram a uma nova visão da vida pré-agrícola do homem e do início da vida agrícola. Até então, pensava-se que a domesticação das plantas e dos animais havia causado uma revolução no modo de vida do homem, tornando-o sedentário e habitante de moradias permanentes; isso teria levado os grupos humanos a uma vida social e cultural mais complexa. Em outras palavras, a revolução agrícola sempre foi considerada um marco entre uma organização socioeconômica simples de sobrevivência e outra mais complexa.

No entanto, a análise dos vestígios encontrados mostra que essa vila da Jordânia se estabeleceu antes da domesticação de plantas e animais. Isto não significa que, em outros locais, a domesticação de plantas e animais não tenha antecedido a formação de vilas.

Nessa antiquíssima vila localizada na borda da floresta do Mediterrâneo, a população dispunha de grande fartura de cereais, legumes e outros vegetais em estado selvagem. O lugar também era rico em caça, devido à sua localização na rota de migração das gazelas que vinham do sul a cada primavera. Portanto, a clássica suposição de que caçadores e coletores eram necessariamente nômades pode ser contestada. Está se tornando evidente que, para muitos grupos humanos, houve exploração dos recursos naturais na ausência da agricultura e na presença de vilas.

Com a fixação em locais favoráveis e uma quantidade maior de alimento, a população humana começou a crescer. Foi durante esse período que se desenvolveram os primeiros aglomerados humanos merecedores do nome de cidades. As mais antigas de que se tem notícias parecem ser Jericó (Oriente Médio) e Arapas (Mesopotâmia), por volta de 8.500 anos atrás. Os grandes aglomerados fixos surgiram em vales de grandes rios, como Tigre, Eufrates, Nilo, Indo, Amarelo, onde havia melhores condições para a agricultura. Pouco depois surgiram as cidades da América Central.

A terceira fase é caracterizada pela urbanização. Na verdade, para a humanidade como um todo, essa fase nunca se completou. As regiões mais áridas do Velho Mundo, ou seja, as bordas dos desertos da África e da Arábia e as grandes estepes da Ásia Central, constituem, desde os tempos pré-históricos, o lar de tribos nômades de pastores, enquanto as florestas densas do Velho Mundo e das Américas ainda servem de abrigo a povos que vivem da caça epequena agricultura de subsistência.

Nos locais mais propícios à agricultura, os povoados e vilarejos foram crescendo até constituírem grandes civilizações como a da Mesopotâmia e do Egito, por volta de 5.500 anos atrás, ou 3.500 a.C., para usar a medida que marca o início da história, o registro do "homem civilizado".

Para avaliar o impacto desta fase da humanidade, está disponível mais uma fonte de informações - a palavra escrita - a história das primeiras metrópoles. Dentro de suas muralhas notam-se os sinais de muitos fogos. Aos fornos das olarias juntam-se os das forjas dos ferreiros, caldeireiros, sopradores de vidro e outras oficinas.

O ambiente agora não oferece apenas a biomassa dos rebanhos e das colheitas, mas também matérias-primas minerais. Aumenta a importância das minas e jazidas, ou, na linguagem de hoje, dos recursos não renováveis. O impacto causado sobre o meio ambiente por cidades como Tebas, Nínive ou Babilônia é mais ou menos equivalente ao de Atenas, Roma ou Constantinopla e persiste na mesma medida até além da Idade Média.

Estima-se em 11.000 Kcal o consumo calórico per capita dessa fase e a população, na época dos grandes descobrimentos, em 400 milhões de almas. Assim, pode-se deduzir que o impacto tornou-se imensamente maior do que o causado pelo "caçador artista".

Com o aparecimento das cidades, modifica-se a organização social e energética do homem: formam-se os grupos dos que cuidam da produção e dos que consomem sem produzir, efetuando, porém, outros serviços.

A quarta fase é a da tecnologia moderna. Como na fase anterior, a mudança deu-se por etapas, sendo que em muitos locais ainda está ocorrendo. Contudo, devido à capacidade de atuação do homem tecnológico, os efeitos agora se fazem sentir em escala planetária. Podemos marcar o início desta fase com a Revolução Industrial, ocorrida na Europa e nos Estados Unidos há aproximadamente 180 anos.

Da época dos descobrimentos até o final do século XVIII, o consumo energético per capita cresceu mais 1.600 Kcal, somando 12.600. As forjas e fundições, já aperfeiçoadas desde a transição do uso do bronze para o do ferro, produzem agora aço. A lenha, um recurso renovável, começa a ser substituída por não renováveis, inicialmente o carvão mineral. A população mundial encontra-se na casa dos 800 milhões de pessoas e o impacto multiplicou-se milhares de vezes em relação ao inicial, porém ainda não existem automóveis, nem a luz elétrica, e o crescimento da população é, por enquanto, relativamente lento.

As cidades continuam a se desenvolver lentamente e o crescimento da população humana ao longo do tempo é mais ou menos uniforme e lento até a Revolução Industrial, que marca o início da grande explosão populacional humana.

As causas da aceleração na taxa de crescimento que leva à explosão demográfica giram em torno de dois parâmetros populacionais: as taxas de natalidade e de mortalidade. Muitos autores acreditam que, pelo menos na Europa, onde se iniciou a Revolução Industrial, uma série de mudanças contribuíram para diminuir a taxa de mortalidade, tais como maior disponibilidade de alimento e melhoria nas condições sanitárias. A ênfase é dada ao primeiro fator por uns - melhoria das técnicas agropecuárias - e ao segundo por outros - controle de moléstias infecciosas, principalmente varíola e tuberculose.

Por outro lado, alguns autores afirmam ter havido um aumento na taxa de natalidade em função de mudanças sociais. O lento crescimento da população humana nas fases pré-industriais estaria relacionado à força das tradições. A Revolução Industrial trouxe uma alteração na estrutura familiar, promovendo a queda de numerosos tabus, principalmente ligados à atividade sexual, que serviam para manter estáveis as culturas tradicionais.

As mudanças europeias refletem-se em todo o mundo através do colonialismo: a "nova ordem" levada às sociedades não industrializadas rompe as tradições ancestrais e, na maioria dos casos, não cria valores substitutos, conduzindo-as à miséria e à insegurança. Destruídos os mitos reguladores, para sobreviver ao caos psicológico, as populações do "hoje" denominado Terceiro Mundo foram forçadas a procurar novas formas e estratégias de segurança. Uma delas é a de ter mais filhos, que possam, à custa de seu trabalho - ou muitas vezes de esmolas ou furtos - garantir o sustento da família.

Expectativas e reflexões

A população atual, com seus 7,8 bilhões de seres humanos, representa um triunfo de nossa espécie. O homem é, sem dúvida, o animal dominante do planeta. A espécie humana encontrou meios de aumentar sua taxa de crescimento, criando a explosão populacional - também um sucesso em termos biológicos - e, sua capacidade de dominar o tempo, o espaço e a energia representa indiscutivelmente um triunfo cultural. No entanto, esse triunfo - grande orgulho dos cidadãos da primeira metade do século, causa hoje preocupações e dúvidas. Pois, vivemos num planeta limitado e nos comportamos como se os recursos fossem infinitos.

A biosfera como um todo, apresenta na base das pirâmides, um único nível trófico, o dos produtores. A história da vida revela uma sequência de predadores cada vez mais eficientes, com alto metabolismo energético e repertório comportamental cada vez mais elaborado, até chegar ao triunfo da espécie humana.

O homem interfere hoje praticamente em todas as cadeias alimentares do planeta. A energia do Sol, captada pelos produtores, vai sendo transferida de nível para nível até chegar ao homem, instalado no alto da pirâmide alimentar. É bom lembrar que o homem não consome energia apenas ao se alimentar, pois a cultura humana utiliza para outros fins os seres que estão ou já estiveram inseridos nas teias alimentares do planeta.

É muito importante considerar também que, na pirâmide alimentar, uma grande quantidade de seres precisa ser comida para que os do degrau seguinte obtenham energia. Evidentemente, os que comem têm de ser em menor número do que os que são comidos, pois de outro modo estes seriam rapidamente levados à extinção por falta de oportunidade de reposição através de reprodução. À medida que uma população cresce, cresce também sua demanda sobre as teias alimentares.

A reflexão sobre o impacto do crescimento da população humana sobre as teias alimentares e os seus recursos, deve levar em conta, basicamente, dois tipos de curvas que expressam os crescimentos populacionais. Uma delas, a chamada curva em S, ou sigmoide, mostra a população que, no início, cresce lentamente e, depois, explorando as possibilidades favoráveis do ambiente, passa a crescer rapidamente, até atingir um clímax, que expressa a potencialidade máxima desse ambiente. Aí, então, a população entra em equilíbrio com o ambiente e a curva se estabiliza formando um platô.

curva em S, ou sigmoide

Outra é a curva em J, ou curva em pico, na qual a população mostra, inicialmente, um crescimento lento, depois rápido, explosivo, até atingir um ponto onde o ambiente não suporta mais aquela enorme quantidade de organismos e há uma mortalidade drástica, uma redução a um nível mínimo, seguida eventualmente de extinção ou de reflorescimento.

curva em J, ou curva em pico,

No momento, a população humana continua crescendo. Será que ela vai se estabilizar e atingir um platô ou vai chegar a uma situação de catástrofe e decrescer subitamente? Ainda não sabemos o que vai acontecer e as opiniões variam a esse respeito! Uns acham que caminhamos para um desastre e outros, que têm fé na capacidade do homem, acreditam que tudo vai se resolver da melhor maneira. Estes dois grupos foram rotulados como "apocalípticos" e "integrados" e atualmente travam caloroso debate.

Sumário

- Retrospectiva
- Expectativas e reflexões

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