Protozoários parasitas - Doenças

As relações íntimas e duráveis que se instalam entre espécies diferentes - simbiose - são, muitas vezes, prejudiciais a uma das partes - parasitismo.

Os seres ectoparasitas instalam-se na parte externa do corpo do hospedeiro e vivem à custa destes. Alguns parasitas só procuram o hospedeiro na hora da refeição, como se fossem ao restaurante: é o caso dos mosquitos. Outros ectoparasitas, como o piolho e o chato, moram sobre o corpo da vítima.

Os endoparasitas se estabelecem dentro do corpo de seus hospedeiros, obtendo proteção e alimentação constantes.

PARASITAS

    • Monoxenos (monogenéticos) utilizam um único tipo de hospedeiro para alimentação e ciclo de reprodução.

      Exemplo

      Ascaris; Entamoeba; Giardia; Ancylostoma; etc.

    • Heteroxenos (digenéticos) utilizam dois ou mais hospedeiros para alimentação e realização do ciclo reprodutor:
    • Hospedeiro intermediário (H.I.) indivíduo onde o parasita se reproduz assexuadamente. Em geral, é um invertebrado.

      Exemplos

Trypanosoma (percevejo Triatoma); Leishmania (mosquito Lutzomyia); Schistosoma (caramujo Biomphalaria); Taenia solium (porco); Wuchereria (mosquito Culex); Toxoplasma (homem); Plasmodium (homem).

      • Hospedeiro definitivo (H.D.) indivíduo onde o parasita se reproduz sexuadamente. Em geral, é um vertebrado.

        Exemplos

Trypanosoma (homem); Leishmania (homem); Toxoplasma (gato); Plasmodium (mosquito Anopheles); Schistosoma (homem); Taenia solium (homem); Wuchereria (homem).

A frequência de pessoas de uma população com certa doença transmissível - sua prevalência - é o número de doentes em 100 mil habitantes ou outro total conveniente. A prevalência da hanseníase (lepra) no Brasil, em 1994, era de 143 doentes em 100 mil habitantes, só superada pela da Índia. Por outro lado, em 1977, a prevalência da varíola no mundo tornou-se zero, porque uma pertinaz campanha de vacinação, que durou dez anos, finalmente eliminou do planeta o vírus da varíola. Restam apenas amostras guardadas em alguns laboratórios científicos.

A incidência difere da prevalência porque se refere ao número de casos novos ocorridos no ano. A incidência da poliomielite (paralisia infantil) no Brasil, que em 1980 era de 1,1 novos casos por 100 mil habitantes, caiu para 0,05 em 1983, chegando quase à extinção. Em 1986, porém, o índice elevou-se para 0,44, antes de a doença ser finalmente considerada erradicada do Brasil em 1994, depois de 5 anos de incidência zero. Para que esse resultado fosse atingido, foram desencadeadas várias campanhas de vacinação em massa, que atingiram, em média, 90% das crianças com menos de 5 anos do país.

Os governos mantêm vigilância epidemiológica sobre as incidências das doenças e, quando alguma delas se eleva, desenvolvem campanhas de combate ao agente ou de profilaxia, medidas que ajudam a evitar sua disseminação.

É por meio desse controle que se sabe, por exemplo, que ocorreu redução da incidência de tuberculose entre 1980 e 1990, mas que essa redução foi lenta. Tal comportamento é típico das endemias, doenças cujas incidências pouco variam ao longo dos anos. No caso da tuberculose, o controle da incidência indica que, ultimamente, vem ocorrendo um surto: a mortalidade provocada pela tuberculose aumentou 50% entre 1987 e 1993, na cidade de São Paulo, provavelmente como doença oportunista nos casos de Aids.

Ao contrário das endemias, nas epidemias, a incidência de determinada doença cresce rapidamente e depois se atenua, estabilizando-se em um número baixo de casos ou desaparecendo, como aconteceu com a cólera no Brasil entre 1991 e 1993.

Uma epidemia que se dissemina por vários países é chamada pandemia. A mais terrível de toda a história da humanidade foi a da gripe asiática, que no Brasil ficou conhecida como gripe espanhola. Coincidindo com o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918-1919, afetou 1 bilhão de pessoas e causou 20 milhões de óbitos no mundo.

Protozoários parasitas do homem

espécie

classe

doença

sintomas

transmissão

Entamoeba histolytica
(monoxeno)

Rizópode

amebíase

ulcerações intestinais, diarreia, colite, enfraquecimento.

ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos, eliminados com fezes humanas.

Trypanosoma
cruzi
(heteroxeno)

Flagelado

doença
de
Chagas

miocardite, lesões da musculatura do tubo digestivo (esôfago).

fezes do inseto percevejo Triatoma (barbeiro), através de lesões na pele.

Trypanosoma
gambiensi
(heteroxeno)

Flagelado

doença do
sono

lesões
meningoencefálicas,
ingurgitamento de
gânglios cervicais.

picada da mosca tsé-tsé (Glossina).
Ocorre na África.

Leishmania
brasiliensis
(heteroxeno)

Flagelado

leishmaniose
tegumentar
americana
(úlcera de Bauru)

ulcerações no rosto
(nariz, boca, faringe),
braços e pernas.
Necrose de tecidos
conjuntivos.

picada do mosquito- palha ou birigui (Lutzomyia ou Phlebotomus).

Trichomonas
vaginalis
(monoxeno)

Flagelado

tricomoníase
(D.S.T.)

prurido, vaginite, uretrite, corrimento.

relação sexual; água, toalha e objetos úmidos contaminados.

Giardia
lamblia
(monoxeno)

Flagelado

giardíase

colite, com dores intestinais; diarreia.

ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos, eliminados com fezes humanas.

Balantidium
coli
(monoxeno)

Ciliado

balantidíase

diarreia, febre, anorexia, cólicas abdominais, cefaleia, fraqueza.

ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos, eliminados com fezes humanas.

Plasmodium
vivax
(heteroxeno)

Esporozoário

malária febre (terçã benigna)

febres, anemia. Lesões no baço, fígado e medula óssea.

picada da fêmea do mosquito-prego (Anopheles).

Toxoplasma
gondii
(heteroxeno)

Esporozoário

toxoplasmose
(congênita ou adquirida)

alteração no volume craniano; calcificações cerebrais; corio-retinite; retardamento mental.

água contaminada com cistos eliminados com as fezes do gato. Ingestão de carne "crua" (porco, boi) com cistos.

Outras Leishmanias do homem:

a) Leishmania donovani leishmanioses viscerais: calazar indiano; leishmaniose visceral americana.

b) Leishmania tropica leishmaniose cutânea ou botão do Oriente.

Sumário

- Protozoários parasitas do homem
- Amebíase
- Malária
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