Alterações do Sistema Nervoso - Doenças degenerativas do Sistema Nervoso

Ingestão de álcool

As bebidas alcoólicas são usadas em ocasiões festivas, diminuindo a timidez e facilitando a comunicação. Em exagero, acarretam perda de controle dos próprios atos e chega a produzir náuseas e vômitos.

O álcool é absorvidopelo estômago e intestino e distribuído pelo sangue a todos os líquidos do corpo. A maior parte do álcool ingerido é oxidada no fígado - via acetaldeído em CO2 e H2O em um ritmo de 10 a 20 ml por hora - e o resto vai sendo eliminado pelos rins e pulmões. Antes disso, no entanto, ele chega às células do cérebro - em ordem descendente do córtex cerebral à medula - provocando alteração no organismo e no comportamento.

Os teores de álcool eliminados pelos pulmões correspondem às concentrações sanguíneas. Por isso é possível ler diretamente na escala do bafômetro os valores referentes à concentração de álcool no sangue. O motorista que tiver mais de 0,08% de álcool é impedido de prosseguir viagem, é multado e pode ter a carteira de habilitação apreendida. Essa concentração é ultrapassada quando se ingerem seis chopes ou três uísques.

O inibe a liberação do hormônio antidiurético (A.D.H.) armazenado na neuro-hipófíse. Dessa forma, a reabsorção de água nos rins - órgão-alvo - diminui. A urina fica mais abundante e diluída. Por isso, quem bebe muito sente sede. Daí o hábito de se beber água acompanhando o vinho.

A intoxicação alcoólica, provocada pela ingestão excessiva de álcool etílico (etanol), determina depressão do sistema nervoso central. Inicialmente, enquanto a concentração de álcool no sangue fica entre 1,0 e 2,5%, o indivíduo revela um estado de euforia. A partir dessa concentração de álcool no sangue, começa a ocorrer um quadro de narcose e, quando a concentração passa de 4,5%, podem suceder o coma alcoólico e a morte.

A dose letal para um adulto médio é 300 a 400 ml de álcool puro - 600 a 800 ml de whisky 100 proof - se consumido em menos de uma hora, enquanto que em crianças tem-se observado grave sintomatologia por 1 ml/kg de álcool desnaturado contendo 5% de álcool metílico.

Na intoxicação aguda leve - alcoolemia de 0,05 a 0,15%; 0,5 a 1,5 mg/ml - observa-se decréscimo das inibições, distúrbios visuais leves, incoordenação muscular pouco intensa e atraso no tempo de reação. A intoxicação aguda moderada - alcoolemia de 0,15 a 0,3%; 1,5 a 3 mg/ml - acusa insuficiência visual bem definida, perda de sensibilidade, incoordenação muscular, atraso no tempo de reação e pronúncia indistinta. Atingida a intoxicação aguda grave - alcoolemia de 0,3 a 0,5%; 3 a 5 mg/ml - constata-se incoordenação muscular acentuada, visão embaçada ou dupla, torpor próximo. Às vezes ocorre hipoglicemia grave com hipotermia, desvio conjugado dos olhos, rigidez em extensão das extremidades, convulsões. Os óbitos começam a aparecer nestes níveis.

Os achados patológicos nos casos fatais compreendem edema cerebral e hiperemia e edema do trato gastrintestinal. Os dados pós-mortem em pacientes falecidos por ingestão crônica de grande quantidade de álcool incluem alterações degenerativas no fígado, rins e cérebro; gastrite atrófica e cirrose hepática.

Dor

Os órgãos sensitivos para a dor são as terminações nervosas livres (nuas) encontradas quase em todos os tecidos do organismo. Os impulsos dolorosos são transmitidos ao sistema nervoso central por dois tipos de fibras: mielinizadas A e amielinizadas C.

Ambos os tipos de fibras terminam nos neurônios do feixe espino-talâmico lateral e os impulsos dolorosos sobem, via este feixe, através do tálamo, donde são retransmitidos para o giro pós-central do córtex cerebral.

Impulsos que são dolorosos geralmente, incitam respostas enérgicas de retirada e de evitação. Ademais, a dor é peculiar entre as sensações no sentido de que é associada a forte componente emocional. A informação transmitida, através dos sentidos especiais, pode secundariamente evocar emoções agradáveis ou desagradáveis, dependendo largamente da experiência prévia, mas apenas a dor possui um afeto "intrínseco" desagradável. A evidência atual indica que esta resposta afetiva depende de conexões das vias de dor no tálamo.

Em alguns casos, a dor pode ser dissociada do seu desagradável componente afetivo e subjetivo, pela secção das conexões profundas entre os lobos frontais e o resto do cérebro (lobotomia pré-frontal). Depois desta operação os pacientes relatam que ainda sentem dor mas aquela não os "incomodam". Esta operação, algumas vezes, é útil no tratamento de dor irredutível causada pelo câncer nos estados finais.

A diferença principal entre sensibilidade superficial e a dor profunda é a natureza diversa da dor despertada pelos estímulos nocivos. Ao contrário da dor superficial, a dor profunda é mal localizada, nauseante e frequentemente associada com sudação e variações da pressão sanguínea.

Foi sugerido que a dor é mediada quimicamente e que os estímulos que a provocam têm em comum a capacidade de libertar um agente químico que estimula as terminações nervosas

Linguagem e memória

Lesões no hemisfério cerebral esquerdo, mas não no direito, podem produzir afasia, a incapacidade de falar. Isso ocorre devido a importante assimetria funcional entre os hemisférios, confirmada com as imagens da PET (tomografia de emissão de pósitrons). Mais ainda, a anestesia apenas do hemisfério esquerdo deixa a pessoa acordada e alerta, mas incapaz de falar.

Crianças que mal conseguem andar aprendem a falar e, principalmente, a entender qualquer língua. Isso sugere uma tendência genética para usarmos as regras básicas da gramática, do mesmo modo como nascemos com uma laringe estruturada para produzir sons. O difícil é desvendar que tipo de conexões entre neurônios determina essa predisposição.

O hipocampo, situado no lobo temporal, faz parte do sistema límbico, que coordena nossas emoções. Ele também é responsável pela memória de curta duração. O hipocampo processa a memória imediata e pode eliminá-la ou então transferi-la para ser armazenada como memória de longa duração.

Após procurar um número de telefone na lista, você disca, fala e esquece, porque o hipocampo só guardou o número por pouco tempo. O número do(a) namorado(a) você não precisa ver na lista, porque a memória dele já está no lobo parietal.

Que fatores favorecem a transferência de um fato para a memória de longo prazo? O interesse que o assunto desperta em você, a atenção concentrada, a repetição e o relacionamento do fato com outros que foram retidos anteriormente na memória de longo prazo.

Estudos recentes mostram que a memória de curto prazo é registrada e processada em várias localizações do cérebro, mas só se torna definitiva quando transferida para o lobo parietal.

A aprendizagem e a memória são acompanhadas de alterações elétricas nos neurônios, produção de sinais químicos e modificação das proteínas existentes nas sinapses. Além disso, durante esses processos, são desfeitos circuitos formados por neurônios encadeados e novos circuitos se constituem.

Doenças degenerativas do sistema nervoso

Doença de Alzheimer

Ocorrem alterações importantes em diversos grupos de neurônios do córtex cerebral. É a principal doença degenerativa cortical. Apresenta-se, normalmente, após os 50 anos de idade, com perda progressiva da memória e das capacidades de tomar decisões, aprender e falar. Sua principal manifestação clínica é a demência, isto é, a perda progressiva da função cognitiva independentemente do estado da atenção. É a causa mais comum de demência no idoso.

Essa doença é a terceira causa de morte nos países desenvolvidos, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares e para o câncer.

Coreia de Huntington

É uma síndrome (quadro clínico ou conjunto de sinais e sintomas) caracterizada pela acentuada e progressiva descoordenação motora, com movimentos irregulares e involuntários da cabeça, mãos, braços e pernas, consequente a lesões neurológicas dos centros nervosos superiores. É condicionada por gene autossômico dominante e costuma se manifestar após os 30 anos de idade, com tremores generalizados e deterioração mental (demência), evoluindo inexoravelmente - em cerca de 15 anos - para a morte. Como a doença costuma manifestar-se tardiamente, os portadores desse gene desafortunadamente se casam e têm filhos, propagando, assim, a doença.

O distúrbio dos movimentos - coreia - consiste em movimentos bruscos, hipercinéticos e, às vezes, distônicos que afetam todas as partes do corpo. Movimentos de contorção dos membros são típicos.

É conveniente não confundir essa enfermidade com a coreia de Sydenham ou doença de São Guido, coreia que atinge mais frequentemente as crianças, como consequência da febre reumática.

Doença de Parkinson

O parkinsonismo é uma síndrome clínica caracterizada por diminuição da expressão facial, postura encurvada, lentidão dos movimentos voluntários, marcha festinante (passos progressivamente encurtados e acelerados), rigidez e um tremor de "rolar pílulas". Esse tipo de perturbação motora é observado em vários distúrbios que têm em comum uma lesão do sistema dopaminérgico.

Os movimentos da pessoa afetada passam a ser lentos - por volta dos 60 anos de idade - acompanhados de rigidez corporal e tremor incontrolável (mais típico durante o repouso). A substância neurotransmissora - dopamina - fabricada pelos neurônios do corpo estriado, está muito reduzida.

Há um comprometimento cognitivo que, associado ao distúrbio motor, gera incapacidade comparável aos acidentes vasculares cerebrais. A incidência em homens é ligeiramente maior que nas mulheres.

Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é um distúrbio desmielinizante caracterizado por episódios distintos de déficits neurológicos, separados no tempo, atribuíveis a lesões da substância branca que são separados no espaço. É o mais comum dos distúrbios desmielinizantes, com uma prevalência aproximada de 1 por 1.000 pessoas na maior parte dos Estados Unidos e Europa. Ocorre em consequência da degeneração progressiva da bainha de mielina que envolve os nervos do sistema nervoso central.

A doença é mais frequente nas mulheres - o dobro da frequência - e se manifesta por volta do 30 anos de idade. Os primeiros sintomas mostram alterações da sensibilidade e fraqueza muscular. Enquanto a doença progride, pode se tornar problemática a capacidade de andar e apresentarem-se distúrbios emocionais, queda de pressão, sudorese intensa, incontinência urinária etc. A diplopia (visão dupla) vai ocorrer quando o nervo óptico for atingido.

Epiloia

Também conhecida como doença de Bourneville, é determinada por gene autossômico dominante de caráter subletal, pois não mata necessariamente todos os seus portadores. Há aqueles que, por motivo ainda não bem esclarecido, revelam uma forma branda da doença, compatível com vida longa e quase normal. Na epiloia sucedem tumores cerebrais e placas de esclerose na superfície dos ventrículos laterais do cérebro, acarretando debilidade mental progressiva, convulsões epilépticas e morte.

Nos casos em que há a expressividade reduzida do gene, os indivíduos conservam a capacidade de reprodução, o que explica a preservação dessa patologia.

Idiotia amaurótica

É uma doença hereditária ligada à ação de genes autossômicos recessivo em homozigose, com efeito cumulativo letal. A moléstia se manifesta na infância ou na adolescência, com quadro de degeneração mental progressiva, cegueira, paralisia e morte.

O termo amaurótica é derivado de amauros (escuro ou obscuro), e se refere originalmente à causa obscura da progressiva cegueira, que é uma das características da desordem.

Os heterozigóticos não revelam a doença e, por isso, involuntária e inconscientemente, transmitem o gene à prole, perpetuando essa heredopatia.

Psicose maníaco-depressiva (PMD)

É um distúrbio do comportamento próprio dos indivíduos chamados ciclotímicos, isto é, que revelam permanentemente um ciclo com revezamento de fases depressivas e fases de excitação ou mania. Pode ser observada de maneira grave, com comprometimento das atividades normais e profissionais, ou de forma discreta, imperceptível aos olhos dos leigos. Está condicionada à ação de um gene autossômico dominante.

Sumário

- Ingestão de álcool
- Dor
- Linguagem e memória
- Doenças degenerativas do sistema nervoso
i. Doença de Alzheimer
ii. Coreia de Huntington
iii. Doença de Parkinson
iv. Esclerose múltipla
v. Epiloia
vi. Idiotia amaurótica
vii. Psicose maníaco-depressiva
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