Maias, Incas e Astecas

Maias, Incas e Astecas

Os maias, incas e astecas constituíram algumas das maiores civilizações antigas da História. Essas civilizações se desenvolveram na região da Mesoamérica (atual México e parte da América Central) e na região andina (atual Peru). Os maias, incas e astecas dominaram uma parte significativa das Américas até a chegada dos europeus ao continente, no século XVI.

Ao estudar as antigas civilizações das Américas, devemos lembrar que existem teorias, mas não evidências, para podermos concluir a maneira pela qual esta área do mundo foi originalmente habitada. Cientistas, arqueólogos e historiadores acreditam que há milhares de anos atrás, diversos grupos de caçadores migraram da Ásia para a América do Norte. Com o passar do tempo, muitos desses caçadores migraram novamente e se assentaram na América do Sul.

Acredita-se que os primeiros povos chegaram às Américas durante a Era Glacial. As geleiras que se formaram nesta época serviam como uma ponte que atravessava o que é hoje o Estreito de Bering, ligando as Américas à Ásia. Estas geleiras permitiram que caçadores viajassem da Ásia para as Américas. Mesmo com as geleiras cobrindo toda a área que hoje forma o Canadá e o norte dos Estados Unidos, havia alguns vales que não estavam congelados, que eram usados pelos caçadores para viajar para o sul e leste das Américas. Após muitos séculos, estes caçadores se fixaram pelos continentes e estabeleceram comunidades dispersas, cada uma se tornando muito diferente da outra e cada qual tendo desenvolvido sua própria língua.

Com o fim da Era Glacial, as geleiras derreteram e a ponte de gelo da Ásia desapareceu. Como consequência, os povos das Américas foram isolados das civilizações que se desenvolviam em outras partes do mundo, o que ajuda a explicar porque a tecnologia desenvolvida pelos primeiros povos das Américas era diferente daquela desenvolvida em outras civilizações.

O clima na América do Norte mudou à medida que as geleiras derreteram. Algumas áreas tornaram-se mais quentes e secas. Os caçadores aprenderam a cultivar grãos e outras plantas que encontraram em abundância. Percebendo que o cultivo provia um suprimento de comida mais estável que as caçadas, os povos eventualmente se estabeleciam em vilas e se dedicavam à agricultura.

Os Olmecas

Em aproximadamente 1200 a. C., um povo conhecido como os Olmecas se fixou na costa do Golfo Pérsico. Historiadores não sabem como eles se denominavam, e os chamaram de Olmecas, que significa "povo da borracha", já que foram os primeiros a extrair a seiva da seringueira. A maioria dos arqueólogos acredita que a cultura Olmeca serviu de modelo para as civilizações do México e da América Central.

Os Olmecas possuíam uma forma de escrita, mas ninguém até hoje conseguiu decifrá-la. Eles também estudavam matemática e astronomia básica. Quanto a sua religião, os Olmecas eram politeístas - acreditavam em vários deuses - para quem construíram grandes templos e monumentos.

Por volta do primeiro século a.C., a cultura Olmeca desapareceu. As ruínas de sua civilização não foram descobertas até o século XX, e a razão de seu desaparecimento permanece um mistério para os historiadores. Porém, arqueólogos encontraram muitas evidências de que os Olmecas influenciaram outros povos. Alguns de seus artefatos foram encontrados no México e na América Central, indicando que outros povos utilizaram e melhoraram seu sistema de escrita e de números, seu calendário e estilo arquitetônico.

Teotihuacán

Acredita-se que no primeiro século da era comum (ou um pouco antes disso), a primeira cidade das Américas nasceu no Vale do México. Denominada de Teotihuacán, ela foi a maior cidade da região até a chegada dos espanhóis, 1500 anos depois. Teotihuacán chegou a conter mais de 200.000 habitantes.

A maioria dos teotihuacanos vivia nos arredores da cidade, onde cultivavam suas terras. O centro da cidade era dominado por templos e construções públicas. O maior destes era a massiva Pirâmide do Sol, maior que qualquer das famosas pirâmides egípcias.

O povo de Teotihuacán acreditava em muitos deuses. Seu deus mais importante era Quetzalcoatl, a Serpente Emplumada, que acreditavam ter sido a fonte de todos os benefícios da civilização, tais como o conhecimento da agricultura, a habilidade de escrever, o calendário, as leis e ofícios. Acreditava-se que Quetzalcoatl era um deus pacífico e gentil, e por isso o povo da cidade vivia pacificamente.

Os teotihuacanos eram artistas e artesãos habilidosos. As paredes de suas casas eram cobertas com cenas de deuses dançando, pássaros e sacerdotes. Os comerciantes da cidade transportavam bens para outras partes da América Central. Na época, os teotihuacanos construíram o mais amplo império comerciante da região.

Aproximadamente em 600 d.C., tribos nômades vindas do norte atacaram e incendiaram Teotihuacán. Apesar da destruição da cidade, as habilidades e conhecimentos de sua população em muito influenciaram outros povos de regiões vizinhas.

A Civilização Maia


Príncipes Maias

Enquanto Teotihuacán estava se expandindo, um povo conhecido como os Maias estava construindo centros religiosos na Península Yucatan, onde os países como México e a Guatemala se encontram. Nos anos de 300-700 d.C., os Maias estabeleciam a maior civilização da América Central.

Assim como os Olmecas, a civilização Maia cresceu ao redor de grandes centros religiosos. Estes centros evoluíram em cidades-estados, onde viviam milhares de pessoas. O líder de cada cidade-estado era um governante absoluto chamado de "em verdadeiro". As pinturas maias revelam que as cidades frequentemente entravam em guerra e lutavam para conseguir mais territórios e prisioneiros. Os prisioneiros de guerra eram escravizados ou sacrificados aos deuses dos Maias.

A civilização maia também era avançada quanto ao comércio. Estradas largas e pavimentadas e rotas marítimas ligavam a civilização maia a muitas outras cidades-estados e seus mercantes comercializavam milho, sal, carne defumada, mel, peixe seco, pele de animais e produtos feitos de madeira. Os Maias também comercializavam cerâmicas finas e outros itens de luxo.

A religião exercia um papel fundamental na vida do povo Maia. Apesar dos sacerdotes não serem os únicos governantes, eles detinham um poder importante. Os Maias aparentemente acreditavam que os deuses destruiriam o mundo se suas cerimônias religiosas - realizadas por seus sacerdotes - não ocorressem nos dias corretos. Seus líderes ensinavam que a data de nascimento de uma pessoa influenciava seu futuro. Eles decidiam quando noivos poderiam se casar, quando transações comerciais deveriam ocorrer, quais batalhas deveriam ser lutadas e quando os templos poderiam ser construídos.

Os líderes Maias observavam as estrelas e os planetas e previam exatamente quando eclipses iriam ocorrer. Seu calendário, consistindo de 365 dias, foi dos mais precisos já desenvolvidos. Os Maias acreditavam que os últimos cinco dias do calendário eram dias de má sorte.

A sociedade Maia era estruturalmente baseada numa rígida organização social. Sacerdotes, nobres e guerreiros constituíam a classe alta. Os guerreiros comandavam as tropas durante as batalhas entre as cidades-estados, enquanto os nobres ajudavam a governar o povo, coletar impostos, inspecionar o trabalho que havia sido feito e cuidar do sistema de estradas. O restante da população era constituído, em sua maioria, por camponeses. Cada família tinha a obrigação de contribuir com parte de sua safra de milho como forma de imposto. Os homens tinham que trabalhar em construções e, quando necessário, servir como soldados. Os fazendeiros também produziam ferramentas, ornamentos e utilidades domésticas para vender. As fazendeiras colhiam mel, produziam objetos cerâmicos e teciam roupas. Tanto a tecelagem fina e a cerâmica eram de grande demanda. As mulheres cuidavam de suas casas e trabalhavam no campo, mas não podiam ter ofícios públicos e nem mesmo entrar nos templos.

A sociedade maia, muito tradicional, mudou muito pouco em 600 anos. No entanto, de repente, durante os anos 850-900 d.C., os centros da civilização Maia foram abandonados. O povo não migrou, e seus descendentes ainda vivem na mesma região. Não obstante, sua civilização entrou misteriosamente em colapso. Até hoje ninguém sabe como explicar o fim dessa importante civilização das Américas.

O Surgimento do Império Asteca

Já estudamos a respeito de Teotihuacán, que foi a primeira cidade das Américas. Por volta de 600 d.C., esta cidade caiu nas mãos de invasores do norte, nômades primitivos que a incendiaram. Não obstante a violência praticada, estes invasores foram fortemente influenciados pelas civilizações que haviam conquistado. Admiravam a cultura dos teotihuacanos e se casaram com eles. Durante muitos séculos, várias tribos lutaram entre si pelo controle da região. Aproximadamente no ano 1000, a tribo Tolteca derrotou seus rivais e criou um novo império com sua capital em Tula. Os Toltecas governaram todo o México central durante dois séculos, até serem derrotados por um novo grupo de invasores.


Escultura Asteca

Após a derrota dos Toltecas, uma tribo nômade chamada de Asteca chegou ao México. Suas lendas relatam que um deus guiou os astecas ao Vale do México, onde avistaram uma águia pousada sobre um cacto, segurando uma cobra. Os astecas interpretaram aquilo como um sinal de que deveriam se estabelecer naquele local.

Em 1325, os astecas construíram a vila de Tenochtitlan, numa ilha em um rio onde hoje está localizada a Cidade do México, capital do país. Tenochtitlan tornou-se exemplo da conquista asteca: os engenheiros cavaram aquedutos para obter água fresca, construíram pontes ligando a cidade às terras vizinhas e esgotos para remover o lixo. Represas protegiam a cidade de enchentes e um sistema de irrigação levava água para as plantações durante os períodos de seca. Tenochtitlan tornou-se uma grande cidade com praças ao ar livre e grandes mercados. Em meados do século XV, sua população estimada era de 300 mil habitantes, superior a qualquer cidade europeia da época.

Os astecas criaram uma forma incomum de aumentar a quantidade de terras cultiváveis em Tenochtitlan. Num lago raso que rodeava a cidade os fazendeiros astecas construíram diversas ilhas pequenas, feitas de restos de comida, vegetações e lama. Estes "jardins flutuantes", chamados de chinampas, eram fertilizados naturalmente por animais e plantas deteriorados nas ilhas. Usando as chinampas, os astecas realizavam colheitas três vezes ao ano. Sua safra básica era o milho, mas também cultivavam feijão, abóbora, tomate e pimentas.


Chinampas

Por volta do século XV, os astecas haviam conquistado todas as outras tribos do México central. À medida que seu império se expandia, os astecas incorporavam as descobertas e invenções de outros povos. Sua arquitetura era baseada na de Teotihuacán e seu calendário e sistema de escrita eram baseados nos dos Toltecas. O sistema social, a religião e muitas das artes e habilidades astecas também derivaram das primeiras culturas americanas.

A Sociedade Asteca

O governo do Império Asteca era comandado por um imperador com poder absoluto. Apesar de alguns imperadores terem tomado o poder à força, a maioria havia sido eleita por sacerdotes e guerreiros. O imperador era chefe de estado, comandante militar e sacerdote chefe. Suas ordens eram absolutas e ele esperava que o povo obedecesse sem questionar. Os grandes nobres e sacerdotes abaixavam a cabeça quando o imperador aparecia. Olhar em seu rosto poderia resultar em punição, até numa condenação à morte.


Pedra esculpida pelos Astecas

Os astecas não governaram diretamente sobre os povos que conquistavam, mas exigiam tributos tais como comida, pedras preciosas e até mesmo escravos. Foram os sistemas de comércio e de tributação, e não a organização política, que mantiveram o Império Asteca forte e unido.

Os astecas eram politeístas - acreditavam em muitos deuses. Os sacerdotes mantinham um complexo calendário religioso que consultavam para decidir quando honrar cada deus. As cerimônias religiosas eram realizadas diariamente e reuniam uma grande multidão em Tenochtitlan.

Assim como os Toltecas, os astecas acreditavam que o sol poderia parar de brilhar se não fossem feitos sacrifícios ao deus sol. Eles frequentemente ofertavam flores e comida. Porém, em ocasiões especiais e em tempos de crise, os astecas acreditavam que o sol deveria receber corações humanos, e sendo assim, os astecas usavam prisioneiros de guerra ou escravos para realizar os sacrifícios. Muitos desses escravos eram obtidos de povos derrotados como parte do pagamento do tributo ao imperador.

Nas antigas culturas das Américas, o sacrifício humano era raro. Ser escolhido para servir como sacrifício aos deuses era considerado uma honra. Sob o reino asteca, porém, o sacrifício humano era frequente, e os sacerdotes até mesmo incentivavam a guerra para que se conseguissem prisioneiros para o sacrifício. Em certa ocasião, 20 mil prisioneiros foram sacrificados em dedicação a um templo em Tenochtitlan. Tais cerimônias levaram povos do México e América Central a temerem e odiarem os astecas.

A sociedade asteca era similar à dos Maias, porém menos rígida. A valorização da educação resultou num grande progresso na sociedade asteca. Todas as crianças deveriam ir à escola, onde aprendiam a história e a religião asteca. As meninas aprendiam a tecer e os meninos aprendiam práticas militares e suas obrigações como cidadão. Os astecas também tinham escolas especiais onde os jovens mais brilhantes eram treinados para deveres religiosos. Lá, meninos e meninas aprendiam a ler e escrever, a interpretar o calendário, usar remédios, compor poesias e a debater. A educação permitia que um jovem de qualquer classe social se tornasse um alto oficial do governo, um comandante militar ou sacerdote. As mulheres, contudo, deveriam ser devotas às suas famílias e aos afazeres domésticos.

Os astecas comandaram o último império de Nativos no México e na América Central. Como estudaremos futuramente, este império foi destruído ao chegarem os conquistadores espanhóis em 1519.

A Construção do Império Inca

Nos Vales do Andes, muitas culturas diferentes se desenvolveram. Os povos da região, assim como os do México e da América Central, dependiam principalmente da agricultura como forma de subsistência. Eles viviam nas encostas das montanhas e praticavam a agricultura em terraços: construíam nos lados das montanhas vastos bancos de solo como degraus, onde cultivavam batatas, abóboras, feijões, amendoins e algodão. Nas regiões secas aprenderam a irrigar a terra.

Em 1000 a.C., algumas vilas nos Andes centrais tornaram-se centros religiosos. Diversos estados conquistaram regiões vizinhas, mas nenhum dominou a área até o século XV d.C. Por volta de 1438, um povo numeroso chamado Inca havia conquistado uma grande área ao redor de sua capital em Cuzco, e foram expandindo gradualmente suas terras até governarem um império que se estendia por mais de 4.000 quilômetros ao longo da costa do Pacífico. Em 1532, o império incluía terras que hoje fazem parte do Peru, Equador, Bolívia, Chile e Argentina. Estima-se que aproximadamente seis milhões de pessoas viviam no Império Inca.

Os incas compartilhavam certas semelhanças com os astecas. Eles também se originaram de uma pequena tribo que se tornou poderosa por meio de conquistas. Assim como os astecas, adoravam o sol, e adotaram as descobertas culturais de outros povos. Dos povos do norte, por exemplo, aprenderam a trabalhar a prata e o ouro, sendo que as paredes dos grandes templos em Cuzco eram cobertas de ouro.

Os incas são conhecidos por seus feitos na área de engenharia. Eles construíram um sistema de estradas para ligar diferentes partes do império com a capital. Túneis foram cavados através de montanhas, e estradas eram utilizadas pelos mercantes, oficiais e mensageiros. Os viajantes incas tinham que se locomover a pé porque não possuíam veículos sobre rodas e, portanto, construíram estalagens ao longo das estradas, provendo-os com abrigo e conforto.

O imperador inca, assim como o governante asteca, detinha poder absoluto. Os incas acreditavam que o imperador era descendente do deus sol. Críticas ao imperador ou à sua política resultavam em condenações à morte.

O Império Inca era mais rígido que o asteca. Os incas não só exigiam tributos dos povos conquistados, como também os controlavam e os forçavam a aceitar sua religião, língua e modo de se vestir. Cada vila tinha um líder, supervisionado pelos oficiais do governo, que mantinham registros sobre o tamanho da população e de suprimento alimentício. Sem uma língua escrita, usavam o quipu para manter registros numéricos. Os quipus eram feitos de tecidos coloridos de diversos tamanhos e eram bordados em intervalos para indicar somas diferentes.


Arte Inca

O governo mantinha um controle rígido sobre a vida de seu povo. Não havia mudança de classes, porém as pessoas necessitadas podiam consumir a comida e a lã mantida nos reservatórios governamentais. A maioria da população tinha a obrigação de se dedicar, durante alguns dias por semana, ao trabalho nas terras públicas e na ajuda em construções do governo. Registros oficiais detalhados restringiam a privacidade das pessoas. Todos deveriam se casar, sendo que quem se recusasse teria um parceiro escolhido. Viagens eram raramente permitidas. Tais leis e regulamentos resultaram numa grande insatisfação da população em relação ao Império Inca no início do século XVI.

Sumário

- Os Olmecas
- Teotihuacán
- A Civilização Maia
- O Império Asteca
- O Império Inca
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