Igreja Católica na Idade Média

O movimento renascentista dos séculos XV e XVI chamava a Idade Média de “Idade das Trevas”, em uma clara demonstração de repúdio aos valores medievais. Segundo seus representantes, a intensa religiosidade do período e o controle exercido pela Igreja sobre a mentalidade e cultura, impediu ou dificultou a produção artístico-intelectual.

A mentalidade predominante na Idade Média era teocêntrica. A religião era o centro das preocupações humanas e a vida terrena deveria ser uma preparação para se atingir a vida eterna. Dessa forma, os poderes da Igreja e de seus representantes eram enormes e, por isso, a instituição eclesiástica foi a principal produtora e irradiadora da cultura medieval. A imobilidade da sociedade medieval refletia-se na cultura. Assim, não havia especulação, curiosidade ou investigação. Os padrões éticos e estéticos eram ditados pelos religiosos e levavam ao imobilismo e ao conformismo.

Assim, a produção artístico-cultural na Idade Média era impregnada de valores religiosos, predominantes na época.

Arquitetura: aparecimento dos estilos românico e gótico na construção de igrejas e catedrais. O estilo românico é mais sólido e sombrio; o gótico, típico da Baixa Idade Média, é mais leve e iluminado.


Igreja da idade média

Literatura: a língua predominante na Idade Média era a usada nos ofícios sagrados, ou seja, o latim. Nos mosteiros, monges copistas dedicavam suas vidas a reproduzir obras em língua latina da Antiguidade, mas também clássicos em grego. Desenvolveram-se também a poesia épica, valorizando os ideais da cavalaria, e o trovadorismo, em sua forma romântica ou satírica.

Artes: tanto a pintura como a escultura refletiam uma visão estática e religiosa do mundo. As figuras humanas eram reproduzidas segundo esses padrões e os temas religiosos eram os únicos permitidos. Vale destacar a produção de iluminuras – pequenas gravuras que ilustravam os textos sagrados.

Filosofia: o principal filósofo medieval, responsável pelo fortalecimento de uma visão estática e conformista do mundo, foi São Tomás de Aquino, fundador da Escolástica. Segundo esse pensador, o conhecimento era resultado da união entre razão e fé, estando, portanto, acessível a alguns poucos escolhidos por Deus. Tal forma de pensar inviabilizava o desenvolvimento científico, pois desestimulava a especulação e a investigação.


Tomás de Aquino

A Igreja, portanto, era a grande responsável pela produção cultural da Idade Média. Essa instituição usufruía de grande prestígio e poder entre a população europeia medieval. Dividida em clero secular (“os que vivem no mundo” – párocos, bispos e cardeais) e clero regular (“os que seguem regras” – os habitantes dos mosteiros: monges e abades), a Igreja contava com uma rígida hierarquia que pressupunha respeito e obediência às ordens emanadas dos superiores.

Havia leis eclesiásticas, que governavam a vida dos cristãos, e tribunais especiais, destinados a julgar os infratores. As ideias religiosas eram divulgadas pelos párocos, que viviam em contato direto com a população. Esses religiosos, porém, muitas vezes despreparados para a vida de sacrifícios que a Igreja impunha, ou desinteressados em fazê-los, acabavam por apresentar um comportamento pouco adequado aos olhos dos fiéis.

Gradualmente, o clero tornou-se corrupto e decadente e muitos fiéis começaram a questioná-lo e, até mesmo, abandoná-lo. Nasceram as heresias – movimentos que questionavam o poder e a doutrina da Igreja e que, por esse motivo, foram violentamente perseguidas e combatidas. No interior do próprio clero, surgiram indivíduos comprometidos com a luta pela moralização do clero, como por exemplo, a Ordem de Cluny – seguidores de São Bento, ou beneditinos.

A ordem de Cluny surgiu em 910 e, em pouco tempo, difundiu-se por toda a Europa. Seus objetivos eram moralizar, reformar e fortalecer a Igreja, por meio da normatização do comportamento clerical e da luta contra a interferência do poder temporal nos assuntos espirituais. Dirigindo-se para o Sacro Império Romano Germânico, condenava o Cesaropapismo (o controle da Igreja pelo Imperador: este nomeava não apenas os bispos – a nobreza clerical -, mas o próprio papa) e a simonia (o controle do clero local pela nobreza senhorial: os senhores feudais nomeavam bispos e curas, que vendiam cargos e controlavam a população). Os beneditinos condenavam, acima de tudo, a submissão do poder da Igreja ao poder do imperador na região do Sacro Império.

A luta contra o poder imperial por parte da Igreja teve em Gregório VII, seu maior expoente. O papa Gregório VII entrou em choque violento com o poder temporal do imperador do Sacro Império, Henrique IV, em um episódio conhecido como a Querela das Investiduras.

Percebendo que a origem dos males que assolavam a Igreja era o poder que o Imperador e os nobres possuíam para nomear pessoas despreparadas e corruptas para os postos eclesiásticos, o papa proibiu que isso continuasse a ocorrer (1075). Considerando-se prejudicado por não mais poder nomear papas, o imperador, Henrique IV, não acatou a ordem papal. Gregório VII excomungou o imperador, mas diante de seu pedido de perdão (Canossa, 1077), desculpou-o. Em 1122, as disputas entre a Igreja e o Império se acalmaram, com a assinatura da Concordata de Worms, que estabelecia que o Papa usufruiria da investidura espiritual e o imperador, da política.