A África do Sul e o Apartheid

A África do Sul se tornou um domínio em 1910 e permaneceu sendo uma nação governada por povos de descendência europeia. Em 1960, aproximadamente 19% da população era branca - a mais alta porcentagem de todos os países africanos. A população branca da África do Sul era dividida entre africânderes - pessoas que falavam a língua africâner que é derivada do holandês - e pessoas que falavam a língua inglesa. A maioria da população, aproximadamente 68%, era constituída por africanos nativos.

A África do Sul possuía a mais bem desenvolvida economia do continente e liderava o mercado mundial na produção de ouro e diamante. Durante o século XX, a indústria sul-africana também foi desenvolvida. Muitos africanos e mulatos trabalhavam nas minas e fábricas do país - frequentemente em condições perigosas.

Nas eleições de 1948, a população branca da África do Sul elegeu o Partido Nacional, que era dominado por africânderes. O novo governo rapidamente introduziu uma nova política chamada de apartheid - palavra que significa segregação ou divisão. Essa política foi posteriormente denominada de "vida separada".

As leis de apartheid restringiam os direitos de não brancos no país e estabeleciam regras de segregação. Com a exceção de empregados, africanos e mulatos não mais poderiam viver ou mesmo entrar em áreas habitadas por brancos. Para controlar o movimento dos africanos, o governo estabeleceu a Lei do Passe, que impedia africanos e mulatos de percorrem livremente o país. Os africanos tinham que carregar passes que informavam onde eles viviam e trabalhavam e se haviam pagado impostos.

Os africanos eram obrigados a viver em reservas que eram pouco melhores que favelas rurais. Para sobreviver, eles tinham que viajar para a África do Sul "branca" para trabalhar. Em 1976, o país começou a declarar que esses guetos rurais eram nações africanas independentes, mas outros países continuaram a considerá-los como sendo parte da África do Sul.

Durante a década de 1950, uma coligação de africanos, mulatos e asiáticos organizou protestos pacíficos contra a segregação, as leis de passe e outras políticas de apartheid. Alguns brancos apoiavam esse movimento. Em 1955, o "Congresso do Povo" constituído por 3.000 sul-africanos de todas as cores, pediu por uma democracia não racial na África do Sul. A "Carta da Liberdade" aprovada nesse Congresso declarava que a África do Sul pertencia a todos os seus habitantes e que um governo só seria legítimo se ele representasse os interesses de todos os segmentos da população.

O governo sul-africano utilizou violência para reprimir o crescente movimento de protesto no país. Em 1960, a polícia de Sharpeville, uma cidade próxima a Johanesburgo, abriu fogo contra uma multidão desarmada de africanos que protestava contra as leis de passe, matando 69 pessoas. O "Massacre de Sharpeville" chamou a atenção mundial para as políticas racistas da África do Sul. Quando os africanos, mulatos e asiáticos prosseguiram com suas manifestações pacíficas, agora em números ainda maiores, o governo sul-africano declarou estado de emergência no país e aprisionou milhares de líderes. O governo também baniu o Congresso Nacional Africano (ANC) e o Congresso Pan-Africano, um grupo extremista fundado em 1958.


Winnie Mandela

Não mais disposto a continuar protestando pacificamente, o movimento de oposição recorreu à violência. Porém, com o apoio de informantes da polícia, o governo esmagou esses grupos. Em 1964, os líderes rebeldes africanos, incluindo Nelson Mandela que era chefe do CNA, foram condenados pela tentativa de derrubar o governo e sentenciados à prisão perpétua. A esposa de Mandela, Winnie, permaneceu livre e tornou-se uma líder do movimento de protesto.

Distúrbios no Sudeste Africano

Após assistir ao governo sul-africano conseguir manter o domínio dos brancos sobre a oposição bem organizada dos negros no país, outras minorias brancas em países do sul da África começaram a acreditar que poderiam fazer o mesmo. Poucos brancos haviam se estabelecido em colônias britânicas e portuguesas no sul da África antes de 1945, mas esse número aumentou após a Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, os brancos permaneciam uma pequena minoria no sul da África. Fora da África do Sul, os brancos constituíam apenas 5% da população desses países.

Rodésia do Sul

Em 1923, a Grã-Bretanha entregou o governo da colônia da Rodésia do Sul para a minoria branca do país. A população branca recebeu metade das terras cultiváveis da colônia.

Em 1960, o governo branco propôs uma nova Constituição, que garantiria à população branca o controle da Rodésia do Sul por mais 50 anos. Os protestos africanos contra a nova Constituição logo foram proibidos pelo governo, e muitos líderes nativos foram aprisionados.

Zâmbia e Malauí

Nos países vizinhos de Niassalândia e Rodésia do Norte, que ainda estavam sob controle direto britânico, os africanos tinham mais liberdade política. Em 1963, a Rodésia do Norte tornou-se independente mudando seu nome para Zâmbia. Em 1964, a Niassalândia ganhou sua independência, adotando o nome de Malawi.

Independência da Rodésia

A Grã-Bretanha recusou-se a conceder independência total à Rodésia do Sul, a não ser que os colonos brancos concordassem em estabelecer um governo eleito pela maioria do país. A minoria branca, liderada por Ian Smith, replicou desafiadoramente com uma "declaração unilateral de independência" em 1965. A Constituição deste governo dividia o país por raças e garantia a dominação branca. A África do Sul foi o único país a reconhecer a independência da Rodésia.

As Colônias Portuguesas

Angola e Moçambique, as mais antigas colônias na África, eram governadas como se fizessem parte do território de Portugal. O governo português declarou que queria que os habitantes dessas colônias fossem absorvidos pela sociedade e cultura portuguesa. Porém, até 1960, apenas 35.000 dos dez milhões de africanos dessas colônias haviam se tornados cidadãos portugueses.

No início de 1961, rebeliões africanas irromperam em Angola, sendo realizadas por trabalhadores das cidades e do campo. O governo e os colonos revidaram com violência e mataram aproximadamente 20.000 africanos. Por volta de 400.000 outros africanos fugiram, temendo por suas vidas.

Os aliados da OTAN deram a Portugal exércitos modernos para a luta contra os rebeldes africanos, que não possuíam muitos armamentos, mas eram apoiados por seus recém-independentes vizinhos africanos. No final da década de 1960, as guerrilhas africanas lutavam contra os portugueses em Angola e Moçambique, assim como na colônia portuguesa de Guiné, na África Ocidental.

As guerras contra os colonos rebeldes prejudicaram a população e a economia de Portugal. Muitos soldados questionavam a razão de estarem se sacrificando para manter as colônias portuguesas quando eles tinham tão poucos direitos políticos em Portugal. Em 1974, líderes militares depuseram a ditadura que há muito tempo governava Portugal. O novo governo decidiu dar independência a todas suas colônias na África.


Soldados FRELIMO e do exército português em Moçambique

O movimento guerrilheiro conhecido como FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) tornou-se o novo governo de Moçambique em junho de 1975. Em Angola, três grupos guerrilheiros lutavam pelo poder em antecipação da independência do país que ocorreu em novembro de 1975. A União Soviética e os Estados Unidos apoiaram lados diferentes da guerra em Angola. Quando as tropas sul-africanas invadiram Angola para auxiliar um grupo apoiado pelos Estados Unidos e chamado de UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), elas foram forçadas a recuar por tropas cubanas recém-chegadas. Os cubanos e os soviéticos apoiaram o Movimento Popular de Libertação de Angola (MLPA), que prevaleceu no conflito. O MLPA logo foi reconhecido por grande parte do mundo como o verdadeiro governo de Angola, apesar dos Estados Unidos continuarem a apoiar a UNITA.

O MLPA e o FRELIMO, ambos grupos marxistas, efetuaram reformas em Angola e Moçambique. Eles aboliram com o trabalho forçado e melhoraram o sistema de educação e de saúde dos africanos. Eles também ofereceram cidadania para todos os habitantes, mas a maioria dos colonos portugueses escolheu deixar as colônias. A perda de trabalhadores qualificados prejudicou as tentativas de ambas as nações para desenvolver uma economia moderna no país. Moçambique foi fortemente atingida pela redução de capital e técnicos. Angola se encontrava numa situação econômica melhor, pois possuía grandes reservas de petróleo que estão sob desenvolvimento por companhias petrolíferas Ocidentais.

Zimbábue

A saída dos portugueses de Angola e Moçambique significava que os rebeldes que se opunham ao governo de Rodésia agora tinham bases pelas quais poderiam atacar o país. Convencidos de que o governo de Ian Smith não se sustentaria, a África do Sul encerrou sua ajuda militar à Rodésia em 1976. Ambos África do Sul e Estados Unidos pediram que Ian Smith aceitasse uma forma de governo que fosse eleito pela maioria da população. Smith acabou concordando com essa exigência devido a essa crescente pressão. Em 1978 os guerrilheiros africanos também aceitaram um acordo, garantindo à população branca 20% dos assentos no novo parlamento.

Nas eleições de 1980, os eleitores brancos concederam todos os 20 assentos para o partido da Frente Rodesiana de Smith, mas 63% dos votos africanos foram para o Partido ZANU (União Nacional Africana do Zimbábue). O líder do ZANU, Robert Mugabe, tornou-se primeiro-ministro da nova nação do Zimbábue.


Robert Mugabe

Os brancos no Zimbábue aceitaram o governo de Mugabe, tranquilizados por suas políticas moderadas e pelo acordo que havia lhes garantido uma representação expressiva no parlamento. Não houve uma fuga da população branca do Zimbábue como havia ocorrido nas colônias portuguesas. Apesar de sofrer uma severa seca, Zimbábue teve uma economia forte na década de 1980.

Sumário

- Distúrbios no Sudeste Africano
i. Rodésia do Sul
ii. Zâmbia e Malauí
iii. Independência da Rodésia
iv. As Colônias Portuguesas
v. Zimbábue
- A Luta contra o apartheid na África do Sul
- Namíbia
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