A crise da República Oligárquica

A crise da República Oligárquica

A crise econômica da década de 1920 desestabilizou o poderio político da oligarquia cafeicultora brasileira. O enfraquecimento econômico desse grupo permitiu às oligarquias regionais não ligadas à produção de café para exportação (oligarquias dissidentes), unidas aos setores médios urbanos de nossa sociedade, reivindicarem o fim do monopólio da política federal pelos fazendeiros de café de São Paulo e Minas Gerais.

Podemos destacar, no início dos anos 20, duas importantes manifestações antioligárquicas no país, além do movimento tenentista que já foi analisado:

  • o cangaço: manifestação de rebelião contra a estrutura fundiária brasileira. Inicialmente, os cangaceiros ou jagunços, eram contratados por “coronéis” que necessitavam de proteção. Depois passaram a contestar a ordem vigente, agindo por conta própria e aterrorizando os latifundiários, com seus saques e assaltos. O mais famoso cangaceiro da história brasileira foi Virgulino Ferreira, o Lampião.
  • o Partido Comunista Brasileiro: a ampliação do operariado, derivada do processo de industrialização do país no início do século XX, deu origem a movimentos reivindicatórios de melhores condições de vida e de trabalho. Greves eclodiram nos principais centros industriais do país (São Paulo e Rio de Janeiro), cuja liderança cabia aos anarquistas (influência dos imigrantes europeus sobre o movimento operário). O anarquismo defendia a luta econômica contra o capitalismo, por meio de greves, e, por isso, os anarquistas não organizaram partidos nem buscavam alcançar uma legislação trabalhista que protegesse os trabalhadores. Os anarquistas acabaram isolados e, portanto, suas manifestações de descontentamento eram fáceis de reprimir. Em março de 1922, porém, nasceu o Partido Comunista Brasileiro, composto por membros dissidentes do anarco-sindicalismo, cuja inspiração era o triunfo da Revolução Socialista na Rússia (1917). O Partido Comunista Brasileiro daria o direcionamento político à luta operária do Brasil a partir de então, despertando o temor da oligarquia dominante.

O GOVERNO DE ARTUR BERNARDES (1922 – 1926)

O mineiro Artur Bernardes teve de enfrentar, durante seu governo, três movimentos revolucionários tenentistas: o de 1922, no Rio de Janeiro, o de 1923, no Rio Grande do Sul e o de 1924, em São Paulo. As agitações da época levaram-no a decretar, várias vezes, Estado de Sítio, suspendendo, dessa forma, as liberdades individuais.

Bernardes aproveitou a situação para aniquilar os opositores de seu governo, procurando desmontar as máquinas administrativas dos governos estaduais adversários, por meio de leis repressivas, censura à imprensa e restrição às garantias individuais dos cidadãos. Essas atitudes provocaram revoltas civis e militares e fizeram surgir uma ampla frente política de oposição ao governo oligárquico: a Aliança Libertadora.

A Revolução de 1930

As insatisfações contra o domínio político oligárquico no Brasil aprofundaram-se consideravelmente ao longo dos anos 1920. O enfraquecimento econômico dos cafeicultores permitiu o avanço de forças de oposição, entre as quais, os militares e as classes médias urbanas, que acabaram por suplantar o monopólio da oligarquia cafeeira sobre o cenário político nacional. É importante lembrar, porém, que nenhum dos grupos que organizou o movimento contra o predomínio oligárquico e que o substituiu, assumiu o poder depois da Revolução de 1930.