IDH do Brasil

IDH no Brasil

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que varia de 0 a 1, mede o desenvolvimento de um país segundo seus aspectos sociais e econômicos. O IDH serve como um parâmetro global de desenvolvimento social. O IDH do Brasil é atualmente 0,759. O IDH do Brasil mede a qualidade de vida, renda e escolarização da população brasileira.

O PIB e o PIB per capita são medidas econômicas muito uteis que medem a capacidade produtiva de um país, mas não consideram o bem-estar da população ou a concentração de renda nacional. Dois países podem ter o mesmo PIB, mas oferecer níveis bastante diferentes de qualidade de vida. A mortalidade infantil de um deles pode ser muito menor, a expectativa de vida do outro pode ser maior. É necessário, portanto, usar outros índices para se conseguir uma compreensão melhor da situação real econômica de uma nação.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma forma mais abrangente que o PIB para medir o grau de riqueza de um país. Tal índice foi criado pelas Nações Unidas para classificar países em termos socioeconômicos. O índice considera não apenas o tamanho da economia de um país, mas também a qualidade de vida de sua população: a expectativa de vida, a renda per capita, a taxa de escolaridade, etc. O Brasil é classificado como uma das maiores economias do mundo, mas a desigualdade social do país é enorme. Isso se reflete no IDH do país.

O índice reflete as condições de três variáveis básicas que definem uma boa qualidade de vida:

  • Expectativa de vida ao nascer - se a população de um país apresenta uma expectativa de vida elevada, isso indica que as condições de saneamento básico, alimentação, assistência médico-hospitalar e moradia são boas, além de haver acesso a um meio ambiente saudável.
  • Escolaridade - quanto maior o índice de escolarização da população, melhor o nível de desenvolvimento, exercício da cidadania, produtividade do trabalho, etc.
  • Produto Interno Bruto per capita - o Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de tudo que é produzido pela economia de um país no período de um ano. O PIB de um país dividido por sua população corresponde à renda per capita, que é o valor que caberia, em média, a cada pessoa. No cálculo do IDH, o PIB é ajustado ao poder de compra da moeda nacional, pois os gastos com alimentação, saúde e moradia variam muito de um país para outro.

Essas três variáveis são expressas em uma escala que varia de 0,0 a 1,0: quanto mais baixo o índice, piores são as condições de vida da população em geral; quanto mais próximo de 1,0, mais elevada é a qualidade de vida da população como um todo.

Os países são divididos em três categorias:

- baixo desenvolvimento humano: IDH menor que 0,500

- médio desenvolvimento humano: IDH entre 0,500 e 0,799

- alto desenvolvimento humano: IDH de 0,800 ou mais.

IDH 2015 – Brasil ocupa 79ª posição entre 188 países

Índice de Desenvolvimento Humano - 2015

Alto Desenvolvimento Humano

1.  Noruega
2.  Austrália / Suíça
4.  Alemanha 
5.  Dinamarca / Singapura
7.  Holanda
8.  Irlanda
9.  Islândia
10. Canadá / Estados Unidos

0,949
0,939
0,926
0,925
0,924
0,923
0,921
0,920

 Fonte: Relatório do Desenvolvimento Humano, 2015, http://hdr.undp.org

Em 2015, o Brasil teve o 14º melhor IDH da América Latina. Nesse ano, os países da América Latina que tiveram o melhor IDH foram: Chile (0,847), Argentina (0,827), Barbados (0,795), Uruguai (0,795), Bahamas (0,792), Panamá (0,788), Antígua e Barbuda (0,786), Costa Rica (0,776), Cuba (0,775), Venezuela (0,767), São Cristóvão e Nevis (0,765) e México (0,762).

Em 2015, o Brasil apareceu entre os países considerados de “Desenvolvimento Humano Elevado” – a segunda melhor categoria do ranking.

Em 2016, o rendimento anual dos brasileiros foi de 14.800 dólares norte-americanos e a expectativa de vida 73,8 anos. A escolaridade é de 7,7 anos de estudo. Isso significa que, em média, o brasileiro nem sequer completa o Ensino Fundamental, que tem duração de nove anos.

De acordo com os dados divulgados pelo PNUD, desde 1990, a expectativa de vida aumentou em 9,4 anos e a média de anos de escolaridade aumentou em 4,0 anos. O Produto Nacional Bruto (PNB) per capita aumentou 31,6% de 1990 a 2015, segundo as Nações Unidas.

O Produto Nacional Bruto (PNB) é a soma do PIB, ou seja, a soma de tudo que é produzido pela economia de um país no período de um ano mais a soma da renda líquida enviada ou recebida do exterior. Ou seja, é a soma de tudo que é produzido pelo país, independentemente do local de produção. 

As desigualdades no Brasil

Os indicadores sociais do Brasil refletem a deficiência de investimentos em setores como educação e saúde. Se considerarmos o tamanho do PIB brasileiro – o oitavo maior do mundo no ano de 2016 - e as potencialidades do Brasil, podemos concluir que o fato de o país ocupar posição intermediária na maioria dos indicadores sociais revela o descompasso entre o crescimento econômico e as condições sociais.

PIB per Capita do Brasil - Valor e Taxa de Crescimento Real - 2001/2010

Nas últimas duas décadas, o IDH do Brasil tem subido. Em 1990, o IDH do Brasil era de 0,611. Em 2015, era de 0,754 – um aumento em 25 anos de 23,4%.

Contudo, desigualdades sociais imensas e pobreza generalizada continuam sendo realidades da sociedade brasileira. O Brasil ainda possui uma das piores distribuições de renda no mundo. Apesar das mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento do país, em 2016, 40,5% de todos rendimentos no Brasil ainda estava concentrada nas mãos de apenas 10% da população. Segunda a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em 2005, essa proporção chegava a 45,3%.

Segundo pesquisas econômicas a causa da disparidade é a deficiência do sistema tributário brasileiro. O sistema tributário brasileiro sobrecarrega as classes média e baixa: 32% da renda dos 10% mais pobres é destinada ao pagamento de impostos, enquanto esse valor representa 21% da renda dos mais ricos e 6,7% da renda dos extremamente ricos.

Isso ocorre, em parte, devido à carga elevada de impostos indiretos (embutidos no preço das mercadorias e serviços consumidos). Como os ricos e os pobres pagam o mesmo valor de impostos ao comprar uma mercadoria, essa forma de arrecadação pesa mais para a população de baixa renda.

A solução óbvia para o problema é uma reforma tributária.

Apesar de ainda muito alta, a desigualdade no Brasil vem melhorando. Segundo dados da FGV, desde o início do Plano Real (1994) até o ano de 2010, a pobreza no país caiu 67,3%. Os principais fatores dessa redução de pobreza são o aumento de escolaridade e os programas sociais de redistribuição de renda.

Outro dado positivo: de 2000 a 2010, a renda da metade mais pobre da população aumentou em ritmo 5,5 vezes mais rápido que a da minoria mais rica do país. Um dos motivos disso é que o trabalho menos especializado se tornou mais valorizado no Brasil. Isso se deve ao fato de a Bolsa Família garantir uma renda mínima, fazendo com que muitos brasileiros exijam um salário razoável pelo trabalho que fazem.

Desigualdades regionais no Brasil

Apesar da qualidade de vida da população brasileira ter melhorado na última década, as desigualdades regionais e interestaduais persistem. Embora muitos indicadores tenham melhorado em 10 anos, ainda há grandes desigualdades entre as áreas urbanas e rurais do país e entre as regiões.

Exemplificando: Em 2015, o trabalhador na Região Sudeste, recebia, em média R$2,116 por mês, enquanto um trabalhador no Maranhão recebia R$946.

Há profundas desigualdades mesmo entre as regiões do Brasil. A Região Nordeste concentra a maior porcentagem de famílias com rendimento de até meio salário mínimo. Veja a tabela a seguir e perceba a grande disparidade quanto ao desenvolvimento humano entre os estados e regiões do Brasil.

Brasil: O IDH dos Estados - 2014

Distrito Federal

0,839

São Paulo

0,819

Santa Catarina

0,813

Paraná 

0,790  

Rio Grande do Sul

0,779

Rio de Janeiro

0,778

Espírito Santo

0,771

Minas Gerais

0,769

Mato Grosso

0,767

Mato Grosso do Sul 

0,762

Goiás

0,750

Amapá

0,747

Roraima

0,732

Tocantins 

0,732

Acre

0,719

Rio Grande do Norte

0,717

Ceará 

0,716

Rondônia  

0,715

Amazonas

0,709

Pernambuco

0,709

Bahia

0,703

Paraíba 

0,701

Sergipe 

0,681

Maranhão

0,678

Piauí

0,678

Pará

0,675

Alagoas

0,667

Fonte: IPEA/Fund.

Como revela a tabela, estados como o Alagoas, o Maranhão e o Piauí apresentam os mais baixos IDHs. Já o Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina e Paraná possuem os mais altos IDHs. Como se explica tamanha disparidade? A taxa de analfabetismo. De acordo com o Censo Demográfico de 2000, a de Alagoas era de 32,8% e a do Piauí de 31,6%.

A EDUCAÇÃO NO BRASIL

Um dos maiores problemas do Brasil é a baixa escolaridade da população. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a educação no Brasil é um direito de todos e dever do Estado e da família (Art. 205).

Segundo o IBGE, ainda há muitos analfabetos no Brasil: quase 10% da população. A taxa de alfabetização adulta é de 92,6%. O Nordeste apresenta os piores índices: apenas 84,4% de alfabetizados. A Região Norte vem em seguida: 91% das pessoas com mais de 15 anos não sabem ler ou escrever. O índice mais baixo de analfabetismo é o da Região Sul: 4,4%. O Nordeste apresenta uma taxa de analfabetismo três vezes maior que a do Sul. Contudo, é importante lembrar que a simples alfabetização está muito longe de ser o suficiente em termos educacionais. O IBGE aponta que 18,1% dos brasileiros são analfabetos funcionais, isto é, são incapazes de compreender os textos que leem.

A taxa de analfabetismo no Brasil vem caindo: em 2000, para as pessoas de 15 anos ou mais de idade, era de 13,6%. Em 2016, esse número foi reduzido para 7,4%. A maior redução ocorreu na faixa de 10 a 14 anos de idade. Contudo, em 2010 ainda havia 671 mil crianças não alfabetizadas: 3,9% (versus 7,3%, em 2000).

É fundamental que nos dias de hoje - época marcada por avanços tecnológicos e científicos - seja dado à população brasileira o melhor grau de escolarização possível. Não basta reduzir a taxa de analfabetismo no país. O nível de escolaridade está fortemente associado à remuneração econômica da população. Isso significa que, em geral, quem mais estuda recebe melhores salários. Infelizmente, ocorre no Brasil um ciclo vicioso: quanto menor o rendimento per capita, menor o grau de escolarização e, consequentemente, menor a chance de colocação e avanço profissional. Apesar do progresso ocorrido no país desde a implantação do Plano Real, muitas crianças e jovens são forçados a abandonar os estudos para ingressar no mercado de trabalho. Devido à baixa escolarização de segmentos da população, perpetua a miséria no país e uma das piores distribuições de renda de todo o mundo.

A SAÚDE NO BRASIL

A saúde no Brasil é caracterizada por enormes disparidades, tanto entre as regiões do país quanto entre as diferentes classes econômicas. As regiões Nordeste e Norte e a população de baixa renda apresentam, em geral, más condições de nutrição e de assistência materno-infantil. Falta saneamento básico, coleta de lixo e tratamento de água. Não surpreende o fato de a população de baixa renda ser a menos favorecida no acesso aos serviços de saúde e à sua qualidade.

Observa-se no Brasil uma queda tanto na taxa de mortalidade quanto na de fecundidade. Em 2016, a taxa de fecundidade era de 1,76 filhos por mulher – abaixo do nível de reposição da população, que é de dois filhos por casal. Segundo o IBGE, de 1995 a 2015, a taxa de fecundação no Brasil caiu 18,6%. As taxas de fecundidade são mais altas nas Região Norte (2,16) e mais baixas no Sul (1,60).

Devido ao aumento no número de crianças vacinadas, à redução da fome no país e ao aumento no nível de escolaridade das mulheres, a taxa de mortalidade infantil caiu. Em 2016, era de 18 por 1000 nascimentos. Em 1990, essa taxa era de 47 por mil. Ocorreu, portanto, uma redução de mais de 60% na mortalidade infantil no Brasil. É importante ressaltar, porém, que comparado com países desenvolvidos, esse número ainda é alto. O Japão, por exemplo, tem um índice de mortalidade infantil de dois por mil. A França tem de 3,3 por mil. Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma taxa baixa é de menos de 20 por mil.

Em termos da mortalidade infantil, há uma grande disparidade entre as diferentes regiões do Brasil. O Norte e o Nordeste são as regiões que apresentam os mais altos níveis de mortalidade infantil. No Norte, é de 18,1 por 1000 nascimentos. Em 2015, a taxa de mortalidade infantil no Sul foi de 9,7 – quase metade do valor do Norte. Os Estados que apresentam as mais altas taxas de mortalidade infantil são também os mais pobres.

Desde a década de 1990, a esperança de vida ao nascer também aumentou consideravelmente. Em 1991, era de 66 anos. Em 2016, passou para 73,8 anos.

Sumário

- As desigualdades no Brasil
- Desigualdades regionais no Brasil
- A Educação no Brasil
- A Saúde no Brasil
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