Afeganistão e o dia 11 de Setembro

Afeganistão e o dia 11 de Setembro

O Afeganistão é um país asiático com uma área de 647.497 quilômetros quadrados.

Um país montanhoso, sua principal cadeia de montanhas, Hindu Kush, tem uma altitude média de 4.270 m, com picos que chegam a 7.620 metros.

Os principais rios do país são Amu Darya, Kabul e Helmand.

Limites geográficos

  • ao norte,  Turcomenistão, Uzbequistão e Tadjiquistão
  • à leste, a China, os estados hindus de Jammu e Kashmir e o Paquistão
  • ao sul, o Paquistão
  • à oeste, o Irã.

 

Principais cidades

Cabul, a capital,  Kandahar e Herat.

Economia

Predominantemente rural. Aproximadamente 74,5% da população dedica-se à agricultura e à criação de gado. É um dos países mais pobres do mundo, com renda per capita de 2000 dólares e um alto nível de analfabetismo (61,8%).

População

A população, estruturada em tribos e clãs, é dividida em quatro grandes grupos étnicos: os patanes (42% da população), os tadjiques (27%), os uzbeques (9%) e os hazaras (9%).

Religião

Os muçulmanos constituem 99.7% da população. Cerca de 85% dos habitantes são muçulmanos, da ramificação sunita. O restante, especialmente os hazaras, são xiitas.

Línguas oficiais

Pushtu e persa (dari) , além de muitos dialetos.

Aspectos políticos

Até 1973, quando foi proclamada a república, o Afeganistão era uma monarquia. A Constituição de 1977 declarava um Estado unipartidário, com o islamismo como religião oficial. Em 1992, o poder foi tomado por um grupo que estabeleceu um conselho provisório.

História

No século VI a.C. a região fazia parte do Império Persa passando por volta de 330 a.C. para o domínio de Alexandre, o Grande.

Nos séculos III e IV, os persas invadiram o país. Os hunos tinham o controle do Afeganistão quando, no século VIII, os árabes conquistaram a região impondo como religião principal o islamismo.

No século X e no início do XI o controle político árabe foi substituído pelo domínio iraniano e turco. Vencido por Gêngis Khan (cerca de 1220), o país ficou sob o domínio mongol até o século XIV, quando Tamerlão, um outro mongol, apoderou-se do norte do Afeganistão.

Durante todo o século XVIII e parte do XIX, os afegãos ampliaram seu poder conquistando o Baluquistão (a leste do Irã), Caxemira e parte do Punjab. O emirado desintegrou-se em 1818 e, em 1835, Dost Muhammad, membro de uma notável família afegã, tomou o controle do leste do Afeganistão, recebendo o título de emir.

Em 1838 teve início a Primeira Guerra Afegã (1838-1842), quando o exército anglo-indiano invadiu o Afeganistão, capturando as principais cidades. Mas após uma rebelião, em dezembro de 1842, os britânicos foram forçados a abandonar o país e Dost Muhammad recuperou o trono. Em 1878, forças anglo-indianas invadiram novamente o Afeganistão. Após ter perdido a Segunda Guerra Afegã (1878-1879), Abd-ar-Rahman, neto de Dost Muhammad, subiu ao trono e cedeu o Passo de Khyber e outros territórios afegãos aos britânicos. Abd-ar-Rahman foi assassinado e seu sucessor, Amanullah Khan, declarou guerra à Grã-Bretanha.

Em 1919, a Grã-Bretanha reconheceu o Afeganistão como Estado independente e Amanullah Khan tornou-se rei. Durante a década de 1920, o país passou por uma série de reformas e medidas de modernização, entre as quais a educação para as mulheres, que acabaram provocando revoltas internas.

Apesar da forte oposição de grupos tradicionais durante o reinado de Zahir Shah (na década de 1940), o programa de modernização foi intensificado e, em1946, o Afeganistão passou a fazer parte da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1973, o rei Zahir Shah foi derrubado e proclamou-se a República do Afeganistão.

Em 1978, após um violento golpe de Estado, um Conselho Revolucionário tomou o poder, dando início a um programa socialista que provocou a ira de parte dos muçulmanos a ponto de levá-los à resistência armada. Como o governo não conseguisse conter a rebelião, tropas soviéticas entraram no Afeganistão em 1979 para apoiar o regime pró-comunista e afastar a ameaça de que o país caísse nas mãos do fundamentalismo islâmico.

O Exército Vermelho foi derrotado por grupos guerrilheiros afegãos, que contaram com respaldo financeiro e militar norte-americano. Durante os nove anos de guerra no Afeganistão, a União Soviética perdeu quinze mil soldados e, apesar de todos os esforços, no decorrer da década de 1980 as forças governamentais e os soldados soviéticos não conseguiram derrotar os rebeldes. O fracasso soviético levou analistas internacionais a descrever o conflito como o "Vietnã dos soviéticos". Pressionada pela opinião pública internacional e fustigada pela guerrilha islâmica, em maio de 1988 a União Soviética começou a retirada de suas forças, completada em fevereiro de 1989. Estima-se que entre 1979 e 1989, dois milhões de afegãos foram mortos na guerra.

Porém, mesmo após a retirada soviética, a guerra civil interna continuou e, em abril de 1992, o presidente Mohamed Najibula, apoiado pelos soviéticos, deixa o poder e os rebeldes tomaram Cabul. O país torna-se um estado islâmico e, no ano seguinte, uma assembleia nacional, composta de varias facções rivais, líderes tribais e religiosos, aprova a criação de um parlamento e de um novo exército. Mas a união entre as várias facções dura pouco e o país acaba, mais uma vez, tornando-se palco de lutas internas. Isto permite, a partir de 1994, o crescimento de uma nova força política: os talibãs, um grupo fundamentalista islâmico financiado pelo Paquistão.

A era talibã

O movimento islâmico Talibã é um movimento religioso que se propunha a implantar a lei islâmica no país, desagregado pela queda do regime comunista. Era composto por jovens treinados em escolas religiosas islâmicas rurais, surgidas ao longo da década de 1980. Essas escolas haviam sido berço de militantes que lutaram contra a ocupação soviética no país. Em persa, Tálib significa "estudante"; talibã, o plural, significa "os estudantes". A maioria dos talibãs é da seita sunita e de etnia patane, predominante no leste e no sul do Afeganistão.

O objetivo dos líderes do Movimento Islâmico Talibã era estabelecer um regime de governo baseado na lei islâmica, na Charia (que significa, literalmente, "o caminho do bebedouro", ou seja, "o caminho que conduz a Deus"), que determina que os fiéis se entreguem com total submissão à vontade de Alá.

Em 27 de setembro de 1996, sete anos depois da retirada das tropas soviéticas do Afeganistão, as milícias talibãs conquistam Cabul e vão estendendo seu domínio. Em 1998 já controlavam 90% do país. Contaram com o apoio do Paquistão e da Arábia Saudita para derrotar as facções rivais e, uma vez no poder, restabeleceram a ordem no país, impondo um severo regime islâmico.

O governo Talibã foi caracterizado por uma aplicação rígida da lei islâmica. Decretos do Ministério da Virtude e Supressão do Vício impuseram leis que incluem:

  • Uma rígida segregação das mulheres. As meninas são impedidas de cursar a escola. Mulheres que trabalhavam em hospitais e escolas foram mandadas de volta para casa e obrigadas a cobrir-se dos pés à cabeça.
  • Os homens são obrigados a deixar a barba crescer. A televisão está proibida, assim como a música ocidental e os jogos de azar. As salas de cinema foram fechadas e a imprensa que não foi proscrita teve que banir das páginas fotos e imagens.

As punições para qualquer tipo de transgressão incluem açoites em praça pública para os que consumirem álcool; amputação para os culpados de roubo; e morte por apedrejamento para os adúlteros.

Apesar de ter sido denunciado por organizações internacionais de direitos humanos, o novo regime solicitou o reconhecimento da comunidade internacional, com o argumento de que havia restaurado a ordem na maior parte do solo afegão.

Os talibãs provocaram mais protestos mundiais ao promulgar uma lei que obrigava outros grupos étnicos, como os hindus, a usar um broche que os identificassem. Outra onda de protestos surgiu após os talibãs terem dado ordem para destruir esculturas de Buda em todo o país. Entre elas estavam duas gigantescas estátuas no vale de Bamiyan, próximo a Cabul, talhadas em pedra há mais de 1.500 anos. Uma delas, de 53 metros de altura, era a maior representação de Buda já construída. Ambas foram explodidas em março de 2001. A razão para a destruição dessas estátuas é a proibição islâmica de adoração de ídolos.

O radicalismo desses militantes foi opressivo para muitos afegãos e originou uma nova guerra civil. Novamente o país foi dividido entre os patanes, sob o domínio dos talibãs, e as outras etnias, que se concentraram no norte e se converteram no principal foco da luta armada.

Um dos graves problemas enfrentados pelos talibãs era a produção de narcóticos: o país era considerado o maior produtor mundial de ópio, matéria-prima para a fabricação de heroína. Em 27 de julho de 2000, o líder supremo dos talibãs proibiu o cultivo de papoula - da qual é extraído o ópio - nas áreas controladas pelo regime.

Sumário

- História
- A era talibã
- A "talibanização" da Ásia Central
- Guerra ao Terror
- Terrorismo - Dia 11 de Setembro
- A Guerra dos Estados Unidos no Afeganistão
- Ataque com Drones
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