René Descartes

René Descartes

Filósofo, cientista e matemático, René Descartes é considerado "o pai da Filosofia Moderna". Descartes levou o estudo da Filosofia para uma nova direção, recusando-se a aceitar os pensamentos que predominavam na época.  Suas contribuições revolucionaram o estudo da Filosofia.

René Descartes foi um dos primeiros racionalistas e o mais famoso proponente do Racionalismo. O Racionalismo e o Empirismo foram os movimentos filosóficos que se destacaram durante o Iluminismo. O Racionalismo é a teoria de que o conhecimento é adquirido por meio da razão, sem que haja a participação dos sentidos.

O nome latino de Descartes era Cartesius. Por esse motivo, seu pensamento é denominado cartesiano. A dúvida cartesiana é o processo sistemático em que deve-se ser cético sobre a verdade de crenças até que sejam comprovadas como verdadeiras. René Descartes buscava duvidar a respeito de tudo que acreditava a fim de determinar a veracidade de suas crenças.

Sua Vida

Descartes nasceu em La Haye, na França, filho de uma família nobre. Foi educado na Universidade Jesuíta de La Flèche, em Anjou, onde estudou Matemática e Filosofia Escolástica - o ramo de Filosofia que dominava o pensamento na época -, além dos tradicionais estudos clássicos. Graças aos jesuítas, foi muito influenciado pelo catolicismo. 

Após se formar da escola, Descartes estudou direito na Universidade de Poitiers. Formou-se em 1616, mas nunca exerceu a profissão.
Em 1618, Descartes entrou para o exército holandês. Pretendia seguir uma carreira militar. Durante vários anos, ele serviu em outros exércitos e foi enquanto servia no exército bávaro que decidiu dedicar sua vida à Filosofia.
De 1616 a 1624, Descartes viajou pela Europa. Entre 1624 e 1628, viveu na França, onde se dedicou ao estudo da Filosofia e da Ciência. Em 1628, vendeu suas posses na França e se mudou para a Holanda.

Descartes nunca se casou.

Em 1637, Descartes publicou seu livro O Discurso do Método, em que apresentou suas teorias sobre meteorologia, ótica e matemática.

Em 1641, Descartes publicou Meditações, em que aborda questões a respeito do conhecimento. Nessa obra, ele parte de uma posição de ceticismo e, por meio de diversas meditações cuidadosamente pensadas, estabelece a estrutura para a possibilidade do conhecimento.

Em 1644, Descartes publicou Princípios de Filosofia – uma obra importante que contém afirmações que levam a muitas discussões. Nessa obra, Descartes afirma que o vácuo é uma impossibilidade, pois não pode haver uma lacuna no espaço, ou seja, não pode haver a ausência da matéria. Descartas também gerou polêmica ao afirmar que a matéria é infinitamente divisível.

O Discurso do Método, Meditações e Princípios de Filosofia são algumas de suas mais renomadas obras.

Em 1649, Descartes foi convidado à corte da Rainha Cristina da Suécia, em Estocolmo, para dar-lhe aulas sobre Filosofia. Quatro meses após sua chegada à capital sueca, Descartes contraiu pneumonia, que levou a seu falecimento, em 1650.

Sua Obra

Sobre o Conhecimento

A Filosofia à época de Descartes era dominada pelo Método Escolástico, que se limitava a comparar e contrastar as visões de autoridades reconhecidas e da Igreja. Descartas rejeitou tal método: ele estava determinado a não acreditar em nada que não pudesse ser provado. Descartes acreditava que para se chegar à verdade, era necessário questionar tudo, até mesmo sua própria existência. Descartes acreditava que uma pessoa não deveria buscar respostas baseadas na fé, e sim, na suspeita.

Descartes iniciou seusestudos ao colocar em dúvida sua própria existência. Ele chegou à conclusão que uma consciência clara de seu pensamento provava sua própria existência. Isso foi considerado um fato verdadeiro por meio do qual ele passou a provar a existência de outras coisas. Sua conclusão foi expressada por meio da seguinte afirmação clássica: Cogito, ergo sum: "Penso, logo existo".
Descartes não acreditava que as informações que recebemos por meio de nossos sentidos são necessariamente corretas. Seu primeiro passo foi descartar tudo que sabia, recusando-se a acreditar mesmo nas crenças mais básicas antes de prová-las de forma satisfatória.

Descartes acreditava que o conhecimento a respeito de verdades eternas (por exemplo, a Matemática e a ideia de Deus) poderia ser adquirido por meio da razão, sem que houvesse a necessidade de qualquer experiência sensorial. Essas ideias são denominadas inatas – resultam exclusivamente da capacidade que o homem tem de pensar. São ideais com as quais o homem já nasce, sem que haja a necessidade de experiências para adquira-las. Por exemplo, seu famoso dito, Cogito ergo sum (“Penso, logo existo”) é uma conclusão alcançada a priori, e não por meio da experiência.

Outros tipos de conhecimento (por exemplo, da Física), por outro lado, eram adquiridos por meio do auxílio do Método Científico. Descartes acreditava que a observação científica tinha de ser um ato interpretativo que exige um acompanhamento cuidadoso.

Descartes acreditava que algumas ideias (as inatas) advinham de Deus, outras da experiência sensorial e ainda outras, as fictícias, da imaginação. Para Descartes, as únicas ideias que são certamente válidas são as inatas. Descartes acreditava que o verdadeiro conhecimento é obtido somente por meio da aplicação da razão pura.

As quatro regras principais de Descartes sobre o raciocinio são:

  • 1. Nunca aceite nada, exceto ideias claras e distintas.
  • 2. Todos os problemas devem ser divididos em tantas partes simples quanto possível.
  • 3. Os pensamentos devem ser ordenados em séries que vão dos mais simples aos mais complexos.
  • 4. Sempre verifique cuidadosamente para ver se algo passou desapercebido.

Ciência

Descartes também apresentou uma abordagem à Ciência que era diferente da tradicional. A Ciência tradicional chegava a conclusões por meio de experiências. Já Descartes acreditava que a verdade era alcançada por meio do racionalismo e da lógica.

No campo da Fisiologia, Descartes defendeu a ideia de fluído do sangue de espíritos animais. Segundo ele, os espíritos animais entravam em contato com substâncias racionais no cérebro e circulavam ao longo dos canais dos nervos com o objetivo de animar os músculos e outras partes do corpo.

No estudo da Ótica, Descartes apresentou seu estudo da luz, que serviu como base da teoria da luz em termos de ondas.

Matemática

Descartas se interessa, acima de tudo, pela Matemática. Ele é considerado o pai da Geometria Analítica. Ele fez uma importante ligação entre a Geometria e Álgebra, que permitia a resolução de problemas geométricos por meio de equações algébricas. Na Álgebra, ele contribuiu ao estudo de raízes negativas, formulando a regra dos sinais de Descartes, que tinha a finalidade de descobrir o número de raízes positivas e negativas para qualquer equação algébrica.

Conclusão

Descartes teve grande influência no desenvolvimento da Filosofia e seus ensinamentos influenciaram a Matemática, as Ciências e os campos da Justiça e da Teologia. Acima de tudo, seu trabalho filosófico teve grande impacto sobre o pensamento europeu. Descartes influenciou muitos dos filósofos que vieram posteriormente. Suas ideias filosóficas foram de grande influência ao longo dos séculos XVII e XVIII. Grandes filósofos como Locke, Hume e Kant utilizaram suas teorias e princípios. Por essas razões, Descartes é frequentemente chamado de "o pai da Filosofia Moderna".

Sumário

- Sua Vida
- Sua Obra
i. Sobre o Conhecimento
ii. Ciência
iii. Matemática
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