Plano de Continuidade de Negócio e Gestão de Crise para Instituições de Ensino - por Adriano Ornellas

Publicado em 18 de maio de 2020 Autor:

Como uma instituição de ensino pode se preparar para dar continuidade em suas atividades diante de momentos de crise como a que estamos vivendo? Seguindo um bom Plano de Continuidade de Negócio.

É importante trazer para uma discussão e análise, a adoção de boas práticas de gestão, de forma que, realizando de forma prudente, ética e diligente, possamos ter como foco o gerenciamento e mitigação de riscos, assim como o exercício e dever de prevenção.

O que é um Plano de Continuidade de Negócio?

O PCN – Plano de Continuidade de Negócio também conhecido em inglês como BCP – Business Continuity Plan, estabelecido pela norma ABNT NBR 15999, foi criado para o desenvolvimento de prevenções através de um conjunto de estratégias e planos de ação. Isso garantirá que os serviços básicos ou minimamente necessários, possam dar continuidade em suas operações, após um desastre ocorrido ou durante situações de indefinições como vivemos neste momento com o Coronavírus (COVID-19).

A implantação do PCN é uma decisão estratégica que está diretamente ligada aos mantenedores ou diretores de uma instituição de ensino, onde suas equipes de gestão de manutenção (facilities), tecnologia e segurança da informação (TI) e coordenação pedagógica podem colaborar na sua criação. Estas áreas deverão também acompanhar a sua manutenção, divulgação e coordenação do plano de contingência para momentos de crise.

É importante reforçar que o desenvolvimento do conteúdo do PCN pode sofrer variações de acordo com cada escola e suas respectivas organizações. Pois cada instituição possui operações diferentes de acordo com suas escalas, culturas, ambiente organizacional, níveis de maturidade, processos e procedimentos, complexidades técnicas da organização e tecnologias adotadas para apoio pedagógico e administrativo.

No ponto de vista do PCN as escolas devem levar em consideração duas variáveis:

  • Processos diretamente ligados às rotinas de operação da escola como aulas e suas dependências humanas e técnicas;
  • Componentes variáveis que dependem direta ou indiretamente à realização de aulas como: infraestrutura, tecnologia, segurança da informação e ferramentas de apoio além de treinamentos dos profissionais e professores.

O principal propósito de um PCN é garantir que as escolas possam recuperar e manter suas atividades em operação, mesmo que de forma reduzida ou parcial, pois uma vez que no caso de algumas escolas que não se planejaram, o sofrimento perante ao cenário atual é bastante desgastante.

A composição do PCN é feito pelos seguintes tipos de planos:

  • Plano de Contingência;
  • Plano de Administração de Crises (PAC);
  • Plano de Recuperação de desastres (PRD);
  • Plano de Continuidade de Operações (PCO).

A gestão de continuidade de negócio para escolas considera as melhores práticas de mercado, respeitando os aspectos legais e regulatórios dentro das regras de conformidades no setor de educação.

Abaixo o gráfico (Metodologia Protiviti) ilustra o Ciclo de Gestão de Continuidade de Negócio que pode ser aplicado nas escolas:

O Ciclo do GCN – Gestão de Continuidade de Negócio, é formado por alguns pontos extremamente importantes para sua aplicação como:

  • Análise de Risco e Continuidade para identificação das naturezas e fontes de risco, suas causas e consequências potenciais para a escola;
  • Governança para o desenvolvimento de normas e políticas, identificando riscos de definindo as prioridades, orçamentos, definição de competências e responsabilidades estratégicas dentro do comitê de crise;
  • PRD – Plano de Recuperação de Desastres para restauração de infraestrutura de TI, aplicativos e sistemas essenciais para suportar as atividades críticas das aulas;
  • Análises de Impactos do Negócio que apresenta os impactos e os riscos identificados em momentos de crise, relacionando os pontos críticos dos processos da escola e ações existentes, principalmente baseando-se nos resultados para definir os esforços e decisões para elaboração dos planos;
  • Plano de Recuperação da Escola é específica para cada uma e por isso podem existir etapas diferentes para reativação da escola, pois dependerá sempre de como ela está no ponto de vista organizacional e tecnológico;
  • Plano Gestão de Crise definirá os processos e mecanismos de comunicação interna e externa com toda comunidade escolar (funcionários, professores, alunos e pais), incluindo as mídias.

Vale ressaltar que o conceito do PCN serve para controlar processos e procedimentos que podem sofrer alterações frequentes, na qual ajudarão no suporte das atividades críticas.

O que uma instituição de ensino precisaria realizar para desenvolver o PCN?

  • Levantamento de Riscos para identificação e classificação das ameaças e cenários relacionados às rupturas e crises
  • Análise de Impacto e definição dos níveis de tolerância aceitáveis
  • Desenvolvimento das Estratégias de recuperação e continuidade das operações
  • Identificação do nível de Maturidade das escolas em relação às práticas de GCN
  • Desenvolvimento dos Planos de Continuidade, Incidentes e Plano de Recuperação de Desastres (PRD)
  • Desenvolvimento das ações para Gestão de Crise: prevenção, preparação para crises iminentes, suporte na condução das ações e monitoramento
  • Realização de treinamentos e simulações
  • Estabelecimento da governança e comitês para Gestão da Continuidade de Negócio

Adriano Ornellas
Sócio Diretor da School360° Consulting

Referências:

  • ABNT NBR 15999 Parte 1 – Consulta Nacional
  • ABNT/CEET-00:001.63 PROJETO 00:001.63-002/01 JUNHO:2007 – EHV. NÃO TEM VALOR NORMATIVO 36/4
  • Práticas Profissionais para a Gestão de Continuidade dos Negócios. DRI International, 2017. https://drii.org/resources/professionalpractices/portuguese
  • Gráfico Proviti – www.proviti.com.br
  • Blog Gestão de Segurança Privada

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