Japão - Era Meiji

Na década de 1630, os xoguns Tokugawa haviam iniciado uma política de isolar o Japão do Ocidente. Eles obrigaram os missionários cristãos e muitos de seus convertidos a deixarem o país. Os xoguns também impediram o povo japonês de viajar e comercializar com o exterior, e eles se recusaram a deixar os navios estrangeiros entrarem nos portos japoneses. Por mais de dois séculos, os contatos com o Ocidente estavam limitados à visita de um navio holandês por ano. Por volta de 1850, todavia, as nações ocidentais dominaram quase toda a Ásia. Eles não estavam mais dispostos a aceitar as políticas japonesas de isolamento, e tinham o poder para forçar a abertura dos portos do país.

A Abertura do Japão

À medida que os Estados Unidos expandiam-se a oeste em direção ao Pacífico, seu interesse em comercializar com nações da região crescia. Em 1853, navios de guerra norte-americanos sob o comando de Matthew C. Perry chegaram a Tóquio. Perry trouxe consigo uma mensagem do Presidente dos Estados Unidos ao xogum. A mensagem pedia proteção para marinheiros naufragados, o estabelecimento de uma estação de reabastecimento, e uma declaração de amizade do Japão com os Estados Unidos. A frota norte-americana partiu, mas Perry prometeu retornar em um ano para obter resposta dos japoneses aos pedidos do Presidente.


Matthew C. Perry

Os japoneses estavam cientes que não possuíam a tecnologia necessária para derrotar os Estados Unidos numa guerra. O xogum, portanto, assinou o Tratado de Kanagawa com a nação norte-americana em 1854. Esse tratado concedeu apenas direitos limitados a comerciantes estrangeiros, mas marcou o início da influência estrangeira no Japão e enfraqueceu o governo Tokugawa. Logo depois foram firmados tratados comerciais com britânicos, holandeses, franceses e russos. Por volta de 1860, o Japão, assim como a China, havia sido forçado a fazer muitas concessões comerciais ao Ocidente.

A população japonesa debatia sobre como manter combater o poder Ocidental no Japão. Alguns japoneses afirmavam que mantendo um forte senso de tradição e ideais nacionalistas, o Japão poderia facilmente derrotar as nações estrangeiras. Outros acreditavam que o Japão teria que mudar e desenvolver uma combinação de "ciência ocidental e ética oriental". Eles argumentavam que se o Japão aprendesse as maneiras ocidentais, adaptando-as à sua cultura, o país se tornaria superior ao Ocidente.

Os xoguns Tokugawa haviam se mantido no poder, em parte devido aos conflitos entre os daimyo - os senhores feudais japoneses. Mas a oposição do povo japonês aos tratados com nações estrangeiras deu aos daimyo uma oportunidade de unirem-se contra os xoguns. Como um símbolo de união nacional, os senhores feudais queriam que o imperador voltasse a liderar o Japão. Os imperadores japoneses não haviam exercido poder político há séculos, mas sempre foram respeitados pelo povo.

Em 1866, dois grupos de senhores feudais uniram-se com o propósito de depor o xogum e restabelecer o governo imperial no Japão. Dois anos depois, as forças rebeldes invadiram a corte xogum em nome do imperador. O último dos xoguns Tokugawa foi forçado a renunciar. O imperador tomou posse, na época com apenas 15 anos, e adotou o nome de Meiji, que significa "governo iluminado".

O Japão se volta para o Ocidente

Mesmo que o imperador fosse o governante oficial do Japão durante a era Meiji (1868-1912), as decisões importantes da nação eram tomadas pelo grupo de jovens samurais que haviam liderado a rebelião. Como militares, eles objetivavam que as forças armadas do Japão se tornassem tão poderosas quanto às do Ocidente. Eles acreditavam que seu país precisava se modernizar para poder competir com as nações ocidentais. Em razão disso, durante os 50 anos seguintes, esses líderes transformaram o Japão num poderoso estado monarca.

Em abril de 1868, o imperador Meiji publicou a Carta Juramento, estabelecendo um novo rumo para o Japão. A Carta pedia a criação de uma Assembleia, que iria decidir assuntos importantes da nação por meio de debate público. A Carta também declarava o fim do feudalismo, permitindo que pessoas comuns exercessem cargos que eram anteriormente proibidos a elas. O último dos cinco pontos da Carta claramente afirmava a nova direção que o Japão iria tomar: "Sabedoria e conhecimento devem ser buscados por todo o mundo para provir o bem-estar do império".


Imperador Meiji

A Carta marcou uma grande mudança na atitude do Japão em relação a si próprio e ao mundo exterior. Apesar do protesto de alguns japoneses, o plano de modernização foi implantado rapidamente. Algumas razões para seu sucesso foram as seguintes:

1. Forte sentimento nacionalista

Diferente de outros países asiáticos, o Japão tinha consciência de sua identidade como uma nação. A lealdade à nação era considerada mais importante que a lealdade com a família ou um senhor feudal.

2. Uma população rica e bem-educada

Quando os norte-americanos e europeus chegaram pela primeira vez ao Japão, encontraram um povo que tinha um alto padrão de vida. Aproximadamente 40% da população era alfabetizada, uma grande porcentagem para a época. Durante os anos de isolamento em relação ao mundo ocidental, o comércio e a agricultura japonesa haviam prosperado e o país havia se urbanizado.

3. Aceitação de novas ideias

Houve pouca resistência entre os japoneses para adotar ideias de outras culturas que iriam beneficiar a sua nação. Diferente dos chineses, que não confiavam nos costumes modernos, os japoneses acreditavam que a modernização poderia ajudá-los a competir com o Ocidente.

O Processo de Modernização Japonesa

As reformas da Era Meiji afetaram todos os setores da sociedade japonesa. Grandes proprietários de terra tiveram que ceder controle direto de suas terras para o governo imperial; a maioria deles fez isso voluntariamente. Em troca pelas terras, eles receberam dinheiro e importantes cargos governamentais.

As forças militares japonesas foram completamente remodeladas. Os samurais perderam seus privilégios especiais, pois todas as classes da sociedade japonesa tornaram-se iguais perante a lei. Os samurais também foram obrigados a abrir mão de suas espadas, que haviam sido por séculos um símbolo de seu poder. Em 1873, o primeiro projeto de leis implantou o recrutamento de homens japoneses às forças armadas do país. O novo exército japonês foi organizado utilizando o modelo dos franceses e a nova marinha foi remodelada seguindo o padrão britânico.

O governo Meiji também seguiu as orientações de países do Ocidente para desenvolver a indústria, agricultura e educação japonesa. Os líderes do governo do Japão viajavam frequentemente para os países ocidentais. Os melhores estudantes japoneses frequentavam universidades nos Estados Unidos e Europa.

Os japoneses aceitavam as ideias ocidentais, mas cuidadosamente evitavam empréstimos de bancos estrangeiros. O governo não queria dar a outros países uma razão legítima para se envolverem em seus assuntos nacionais. Para financiar seus projetos de modernização, o governo japonês estabeleceu um novo sistema de impostos. Ao invés de pagar impostos sobre suas safras, os camponeses pagavam um imposto anual baseado no valor de suas terras. Isso deu ao governo uma fonte de renda estável, mesmo quando as colheitas eram fracas, mas esse sistema de tributação foi penoso para os camponeses.

Os conselheiros do governo Meiji logo perceberam que o próprio governo teria que fornecer grande parte do capital necessário para a industrialização do país. O governo japonês então ofereceu grande apoio financeiro a indústrias japonesas que ajudavam na construção da força militar do país. O governo também construiu portos para fomentar o comércio exterior, e desenvolveu a indústria têxtil para a produção de seda e tecidos de algodão para exportação. Uma fábrica financiada pelo governo produzia armas para o exército e para a marinha japonesa. Logo, as companhias privadas também começaram a construir fábricas nos moldes ocidentais.

Para acelerar a comunicação e o transporte no país, o governo Meiji introduziu o telégrafo e construiu uma ferrovia ligando Tóquio e um porto na região costeira.

A educação também era parte fundamental do plano Meiji de modernização. Os líderes Meiji estabeleceram um sistema de ensino para todos os homens, mulheres e crianças da nação. Além de aprender a ler e escrever, todos os estudantes eram ensinados patriotismo e lealdade ao imperador japonês.

Uma Nova Constituição para o Japão

Em 1882, Ito Hirobumi, um dos principais conselheiros do imperador, liderou uma delegação japonesa aos Estados Unidos e Europa, para estudar diferentes estruturas de governo. Sua tarefa era recomendar a forma governamental que melhor serviria a sociedade japonesa. Ito Hirobumi, que era militar, se encontrou com Oto von Bismarck da Alemanha e absorveu muitas ideias da organização do estado alemão. Hirobumi chefiou o comitê que desenvolveu uma nova Constituição para o Japão, que foi completa em 1889 e dada ao povo como um presente do imperador.


Ito Hirobumi

De acordo com a nova Constituição, o imperador permanecia como chefe de Estado e autoridade maior do Japão. Um primeiro-ministro foi nomeado para cuidar dos afazeres diários do governo. Um parlamento, chamado de Dieta, foi estabelecido para criar leis e aconselhar o imperador sobre políticas governamentais. Na prática, porém, a Dieta exercia pouco poder, pois o imperador poderia vetar todos os projetos de leis e criar seus próprios.

A Constituição deu ao povo japonês uma lista de direitos individuais. Os japoneses obtiveram direito de expressão e religião. Também foi proibida a apreensão de propriedade privada por oficiais do governo. Porém, todos esses direitos eram limitados pela cláusula: "exceto em casos providos por lei". Em outras palavras, os interesses do estado permaneciam acima dos interesses do cidadão.

As nações ocidentais ficaram impressionadas com o fato de o Japão ter adotado uma Constituição menos de 25 anos após o fim do feudalismo no país. Essas nações concordaram em encerrar tratados de desigualdade comercial impostos ao Japão durante os anos 1850-1860. Na virada do século, o Ocidente passou a ver o Japão com igualdade. Contudo, os japoneses ainda desconfiavam das nações ocidentais.

O Imperialismo Japonês

O maior desafio para a modernização japonesa foi a falta de recursos naturais do país. As terras para cultivo eram escassas e produzir alimentos em quantidade suficiente para toda a nação era um grande desafio. Durante o período Meiji, avanços médicos e científicos resultaram num repentino crescimento populacional, resultando numa falta de alimentos no país. O Japão foi forçado a importar grande parte de sua comida e de matérias-primas para sua industrialização.

Para enfrentar esse desafio, os líderes japoneses escolheram a mesma solução que as nações ocidentais: a construção de um império. Colônias iriam fornecer ao Japão terras, safras e matérias-primas.

Em 1890, as forças armadas japonesas haviam se tornado tão poderosas quanto às ocidentais. Na guerra contra a China em 1894-1895, o exército japonês conquistou uma vitória esmagadora. O exército chinês não foi sequer capaz de vencer uma batalha, e sua marinha foi quase totalmente destruída. O tratado de paz entre os dois países rendeu ao Japão a Ilha de Formosa (atual Taiwan), algumas ilhas vizinhas, e a Península de Liaodong no sudeste da Manchúria. Além disso, a China foi obrigada a reconhecer a independência da Coreia, que passou a ser controlada pelo Japão.

As reações ocidentais à vitória do Japão foram diversas. Algumas nações europeias temiam que sua influência na Ásia estivesse em perigo e pressionaram o Japão a desistir de seus direitos sobre a Manchúria.

A Grã-Bretanha, contudo, via uma vantagem na vitória japonesa. Os britânicos temiam que a Rússia tentasse conquistar toda a Manchúria e esperavam que a força militar japonesa prevenisse isso. Em 1902, representantes da Grã-Bretanha e Japão assinaram um acordo de aliança. Nesse acordo, diferentemente de antigos acordos comerciais, o Japão foi tratado como um parceiro igual. A aliança restaurou o orgulho japonês perdido desde quando navios ocidentais entraram pela primeira vez na Baía de Tóquio.

Os japoneses então tentaram negociar com o czar Nicolau II da Rússia sobre a presença de tropas russas na Manchúria. Mas convencida de que o Japão ainda era um país fraco, a Rússia retardou essas discussões, o que provou ser um erro para os russos.


Soldados japonese na Manchúria

Em 8 de fevereiro de 1904, a marinha japonesa, sem aviso prévio, atacou a frota russa ancorada no Porto Artur na Península de Liaodong. Esse ataque marcou o início da Guerra Russo-Japonesa. Aproximadamente um ano depois, após sangrentas batalhas, o Porto Artur caiu sob o domínio japonês. Em terra firme, as tropas japonesas expulsaram os russos da Manchúria.

Em um esforço desesperado para manter a Manchúria, o czar enviou a frota báltica da Rússia para o Japão. A Grã-Bretanha, honrando sua aliança com o Japão, não permitiu que os navios russos utilizassem o canal de Suez e, portanto, os russos foram obrigados a navegar ao redor da África. Quando sua frota finalmente alcançou o Japão, diversos meses e mais de 20.000 quilômetros depois, ela foi destruída pela marinha japonesa.

Derrotado e humilhado, e com problemas internos de rebeliões, o Czar Nicolau pediu paz ao Japão. O tratado assinado pelos dois países em 1905 confirmou o domínio japonês da Península de Liaodong, incluindo o porto Artur. Os japoneses também adquiriram as minas e indústrias russas na Manchúria. A Rússia também concordou em reconhecer a autoridade do japonês na Coreia e de permitir o Japão a tomar posse da região sul da Ilha de Sakhalin.

O Japão como Potência Mundial

A Guerra Russo-Japonesa forçou as nações ocidentais a admitirem que o Japão era agora um poder imperialista. Em 1910, o governo Meiji anexou a Coreia sem nenhuma interferência do Ocidente. Outros povos asiáticos foram inspirados pelo rápido crescimento japonês. Nos países ainda controlados por poderes europeus iniciaram-se movimentos nacionalistas.

Em 1912, o imperador Meiji morreu, encerrando a era de progresso dinâmico. O Japão era na época a principal potência da Ásia. Nos anos seguintes, o país continuou a exercer forte influência nos assuntos de outros países asiáticos.

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