Imperialismo Russo no século XIX

Durante grande parte do século XIX, a Europa Oriental foi composta por três grandes impérios: o Império Austríaco dos Habsburgos, o Império Otomano e a Rússia imperial. Comparados à Europa Ocidental, esses impérios orientais eram subdesenvolvidos, tendo uma baixa taxa de alfabetização e indústrias primárias. Estes impérios eram dominados por autocratas e, portanto, não eram democracias.

O Nacionalismo na Europa Oriental

O Império Otomano era liderado pelos turcos, mas era também constituído por outras nacionalidades europeias: gregos, búlgaros, sérvios, macedônios e romenos. Os turcos otomanos também governavam os árabes na Ásia e Norte da África.

O Império Habsburgo era administrado por povos de língua alemã na Áustria, e também incluía húngaros, romenos e vários grupos eslavos - tchecos, poloneses, eslovenos, croatas e eslovacos.

A Rússia imperial também era composta por diversas nacionalidades, e governava a maior parte da Polônia, que possui uma grande população judaica. Ela também controlava as terras dos finlandeses, os povos bálticos e os povos que viviam ao norte do Mar Negro. Mais ao leste, a Rússia também governava os descendentes dos mongóis, georgianos e armênios.

À medida que as influências Ocidentais foram introduzidas nas sociedades da Europa Oriental, as pessoas descobriram que as nações da Europa Ocidentais eram mais desenvolvidas e prósperas. Eles tomaram conhecimento das reformas feitas pelos franceses. Tudo isso fez com que os países da Europa Oriental analisassem suas sociedades.

O nacionalismo foi a mais importante nova influência a chegar à Europa Oriental. Os impérios austríaco, otomano e russo continham várias nações e, portanto, o nacionalismo representava uma ameaça à existência desses impérios. O nacionalismo incentivou os diferentes povos desses impérios a terem orgulho de suas culturas e tradições e buscar independência.

Áustria

A unificação da Itália e Alemanha enfraqueceu o Império Austríaco, que perdeu duas guerras e foi forçada a abrir mão de muitos territórios importantes. O movimento nacionalista continuou a enfraquecer o poder austríaco.

Na Hungria, os magiares há muito tempo exigiam sua independência. Após a derrota da Áustria pela Prússia em 1866, o Imperador Francisco José decidiu que seria sensato fazer um acordo com os magiares. Em 1867, o império tornou-se a Monarquia Dual da Áustria-Hungria. Francisco José manteve seu título de imperador da Áustria e foi também coroado Rei da Hungria. A nação magiar da Hungria ganhou sua própria Constituição, seu próprio Parlamento, e controle completo sobre seus problemas internos. As decisões sobre assuntos exteriores eram tomadas em conjunto pelos dois países. Porém, alguns nacionalistas magiares rejeitaram o acordo, desejando uma independência absoluta para a Hungria.

O mais grave problema nacionalista na Áustria-Hungria envolvia os eslavos do sul, constituídos pelos bósnios, croatas e eslovenos. A Sérvia, independente desde 1878, buscava a sua expansão, tentando unir-se aos eslavos do sul na Áustria-Hungria. A Sérvia, portanto, incentivou os movimentos nacionalistas desses povos. Os austríacos viam a atitude dos sérvios como uma ameaça ao seu império. Esse conflito resultou futuramente no início da Primeira Guerra Mundial.

O Império Otomano

No século XIX, o Império Otomano, uma vez poderoso, estava perdendo posse seus territórios. Em 1805, o líder egípcio Maomé Ali fez de seu país virtualmente independente apesar de continuar fazendo parte do império. Em 1829, a Grécia ganhou sua independência e a Sérvia ganhou o autogoverno. Um ano depois, o império perdeu outro de seus territórios quando a França conquistou a Argélia.

Chamado de o "homem doente da Europa" devido a sua decadência, o Império Otomano tornou-se um alvo fácil para seus vizinhos. A Rússia, ávida em conseguir acesso para o Mar Mediterrâneo, visava os estreitos controlados pelo Império Otomano - o Bósforo e o Dardanelos. A Áustria também esperava conquistar territórios otomanos, especialmente nos Bálcãs - a península montanhosa no sudeste da Europa.

No início da década de 1850, a Rússia invadiu o território otomano na tentativa de conseguir o controle de Bósforo e Dardanelos. Isto levou a uma guerra em 1853, na região conhecida como Crimeia. Temendo a expansão russa, Grã-Bretanha, França e Sardenha enviaram tropas para ajudarem os turcos. Juntos estes exércitos derrotaram os russos em 1856.


Crimeia

Apesar da vitória sobre a Rússia, o Império Otomano permanecia perigosamente enfraquecido. Alguns sultões otomanos, no final do século XVIII, deram início a reformas para fortalecer o governo central e modernizar seu exército.

Estas reformas foram incentivadas pela Grã-Bretanha e França. No fim da Guerra da Crimeia, britânicos e franceses exigiram que os otomanos acelerassem as reformas, especialmente aquelas que beneficiariam os cristãos otomanos. Em 1856, os turcos prometeram um governo mais liberal e garantiram a liberdade religiosa. Mas essas mudanças foram implantadas tarde demais para salvar o império. Grupos poderosos do império desaceleraram os passos da reforma, e algumas revoltas nacionalistas dissolveram o poder otomano.

Distúrbios internos prejudicaram os otomanos por um longo tempo, particularmente nos Bálcãs. Na década de 1870, o povo eslavo dessa região se rebelou. A Rússia uniu-se aos rebeldes em 1877, ainda visando acesso ao Mediterrâneo.

As forças unidas dos Bálcãs e Rússia derrotaram os turcos otomanos, e o Tratado de Santo Estêvão (1878) obrigou os turcos a declararem a independência de Sérvia, Montenegro e Romênia. O tratado também pedia que a Bulgária se tornasse um estado autogovernado.

Outras potências europeias, especialmente a Grã-Bretanha, temiam que a Rússia dominasse a Bulgária e ganhasse acesso ao Mediterrâneo. Muitas pessoas na Grã-Bretanha começaram a exigir que o país declarasse guerra contra a Rússia.

No fim de 1878, as potências europeias reuniram-se no Congresso de Berlim para modificar o Tratado de de Santo Estêvão. A Rússia foi forçada a aceitar um tratado de devolução da Bulgária para o governo otomano. As esperanças russas de possuir um porto no Mar Egeu haviam sido frustradas.

Por volta de 1900, o colapso do Império Otomano parecia inevitável. Uma revolta em 1908 de grupos patriotas chamados Jovens Turcos, que queriam reconstruir o império, não conseguiu impedir o declínio. No mesmo ano, a Bulgária declarou sua independência e a Áustria tomou a Bósnia e Herzegovina.

Em 1912, Grécia, Bulgária, Montenegro e Sérvia declararam guerra contra os otomanos. Na primeira Guerra dos Bálcãs, as forças aliadas balcânicas tiveram sucesso ao expulsar os turcos da Europa, exceto da região ao redor de Constantinopla. Disputas entre os vitoriosos, porém, levaram à segunda Guerra dos Bálcãs em 1913. Os turcos otomanos uniram-se à Grécia, Sérvia e Romênia para derrotar a Bulgária. Os otomanos recuperaram algumas de suas terras perdidas. Não obstante, o nacionalismo havia quebrado o Império Otomano.

Rússia Imperial

No século XIX, o grande império russo estava bastante enfraquecido. Havia poucas indústrias no país, e a agricultura era ineficiente. Dez milhões de servos ainda estavam presos à terra, e eram analfabetos, pobres, não tendo qualquer incentivo para trabalhar mais e desenvolver métodos mais eficientes de cultivo.

Os servos não eram considerados mais que escravos para os senhores feudais. Os proprietários podiam forçá-los a trabalhar no campo, vendê-los ou alugá-los, e até mesmo tomar seus salários se trabalhassem para as fábricas. Além disso, o severo governo dos czares aumentava a tensão política, particularmente entre minorias tais como os poloneses e ucranianos.

Os czares do século XIX seguiam uma política de expansão. A Rússia expandia para o leste através da Sibéria e ao sul além do Mar Cáspio. Apesar do resultado da Guerra da Crimeia ter impedido o estabelecimento da desejada rota russa para o Mar Mediterrâneo, o país continuou a apoiar a independência dos Bálcãs. Tal apoio refletia não só o desejo por um porto no Mediterrâneo, mas também a crença no Pan-eslavismo - a união de todos os povos eslavos.

Assim como seus antecessores, o czar Nicolau I rapidamente esmagava qualquer oposição à sua administração. Ele iniciou seu reino em 1825, reprimindo a Revolta Dezembrista. Cinco anos depois, ele derrotou uma revolução entre seus súditos poloneses. Para prevenir futuras revoltas, Nicolau adotou uma política chamada russificação - a tentativa de forçar a cultura e a língua russa sobre as nações dominadas pela Rússia. Nicolau esperava que o uso da russificação contra os poloneses fosse destruir seu nacionalismo.

Nicolau desejava fazer da Rússia um estado poderoso assim como eram as nações da Europa Ocidental. Mas ele estava ciente das fraquezas de seu império. A servidão atrasou a modernização da agricultura, mas Nicolau não ousava libertar os servos. Muitos oficiais do governo eram corruptos, contudo, necessários. Ele precisava de súditos alfabetizados, mas a educação parecia causar a deslealdade a seu governo. Seus esforços de expansão territorial no Mar Negro levaram à derrota russa na Guerra da Crimeia. Quando Nicolau morreu em 1855, a Rússia ainda estava mais fraca que os grandes poderes Ocidentais.

O novo czar, Alexandre II, acreditava que a Rússia deveria seguir o modelo dos países Ocidentais para se fortalecer. Alexandre, que governou de 1855 a 1881, iniciou uma era de reforma na qual os portões para o Ocidente foram abertos. Ele tornou-se conhecido como o czar libertador.

O ato mais famoso de Alexandre foi a abolição da servidão em 1861. Sua nova lei exigia que metade das terras cultiváveis permanecesse nas mãos dos nobres. A outra metade foi vendida a comunidades aldeãs chamadas mirs. Os mirs deveriam fazer pagamentos coletivos ao governo por suas terras. Portanto, a maioria dos camponeses não era livre para deixar sua terra, pois se o fizessem, outros camponeses teriam que pagar uma fração maior dos impostos de terra para o governo russo. A Assembleia dos aldeões poderia, na verdade, impedir um camponês de partir. Assim, apesar de considerados livres, muitos camponeses ainda estavam presos a suas terras.

Alexandre efetuou outras mudanças. Para dar ao povo algum controle sobre seus interesses, ele estabeleceu zemstvos - conselhos locais formados por nobres, pessoas das cidades e camponeses. O czar abriu muitas escolas, modernizou o sistema de justiça e reformou o exército russo. Ele também encorajou o desenvolvimento econômico através da construção de estradas e fábricas.

Eventos dentro e fora da Rússia causaram uma pausa nas reformas de Alexandre. Em 1863, os poloneses novamente se rebelaram contra o governo russo, mas foram derrotados. Após a revolta, Alexandre decidiu fortalecer a política de russificação na Polônia. Os soldados e os líderes políticos poloneses foram exilados, e as universidades foram fechadas. A língua russa substituiu o polonês no governo e nos tribunais. Essas ações extremas causaram sentimentos de nacionalismo na Polônia, apesar de seu povo ser ainda fraco demais para conseguir depor o governo russo.

O governo czarista também enfrentou a oposição armada na Rússia. No fim da década de 1870, um governo revolucionário deu origem a uma violenta organização chamada de "Vontade do povo". Uma onda de assassinatos varreu o país, custando a vida de muitos oficiais proeminentes russos. Em 1881, após várias tentativas, o próprio Alexandre foi morto quando revolucionários jogaram uma bomba sob sua carruagem.

Alexandre III assumiu a posição de seu pai como czar. Determinado a por um fim à atividade revolucionária no país, ele tornou a Rússia um estado-polícia, repleto de espiões e informantes. Programas de russificação foram novamente iniciados, e o governo perseguiu os judeus russos. Todavia, mesmo com a repressão, a discordância e violência revolucionária permaneciam.

A esperança de construir uma Rússia fortalecida moldada nos padrões do Ocidente parecia destinada a falhar. Alexandre III continuou com a política de industrialização e construção de ferrovias, iniciadas por seu pai, mas o progresso estava lento. Na época de sua morte, em 1894, a Rússia e o resto da Europa Oriental eram mais fracos e menos desenvolvidos que a Europa Ocidental.

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