Antissemitismo na Europa e o Caso Dreyfus

Na primeira metade do século XIX, o nacionalismo esteve ligado a movimentos por liberdade. Isto levou a populações de regiões oprimidas a buscarem sua independência de governos estrangeiros, e alimentou um sentimento de comunidade entre os povos que compartilhavam tradições semelhantes.

Na segunda metade do século, porém, os sentimentos nacionalistas começaram a se tornar forças malignas. Nacionalistas extremos acreditavam que o prestígio de sua nação era mais importante que direitos democráticos ou a liberdade individual. Alguns pensadores do movimento começaram a ver a democracia e a preocupação com os direitos individuais como sinais de fraqueza.

Os nacionalistas extremos glorificavam a guerra e o poder militar. Eles declararam que a guerra traria heroísmo e grandeza para seus países. Muitos destes extremistas falavam em governar sobre todas as terras e povos que "por direito" pertenciam à sua nação.

Uma das maiores ameaças do nacionalismo extremo foi a prática e aceitação do racismo - a crença em que um grupo social ou racial é superior aos outros. O racismo havia existido por milhares de anos, mas tornou-se especialmente forte durante o século XIX. Alguns trabalhadores que sofriam dificuldades financeiras sentiam-se ameaçados pelas mudanças econômicas da época e culpavam outros grupos étnicos por seus problemas. Os nacionalistas extremos temiam que minorias em seus países quebrassem a união nacional.

No fim do século XIX, o racismo tornou-se predominante na Europa. Os argumentos racistas eram muitas vezes utilizados para justificar tratamentos cruéis e injustos às minorias locais. Os governos frequentemente usavam as crenças racistas para justificar seu direito de controlar outras pessoas.

O Preconceito Contra os Judeus Europeus

O preconceito contra judeus, denominado de antissemitismo, existiu durante séculos em muitas regiões da Europa. Durante a Idade Média, muitos povos europeus espalharam calúnias contra os judeus, acusando-os, por exemplo, de terem causado a Peste Negra que havia devastado a Europa. Os judeus foram também falsamente acusados de outros atos ultrajantes que fomentaram o antissemitismo na Europa.

Durante séculos, multidões de europeus humilharam, torturaram e massacraram judeus. Em algumas regiões, eles foram forçados a se converterem ao cristianismo. Aqueles que se recusassem, e permanecessem fiéis à sua fé e seu povo, eram expulsos ou mesmo assassinados. Os judeus eram também proibidos de possuir terras.


Gueto

Em alguns países, os judeus eram forçados a viver em guetos. Hoje, a palavra gueto descreve as favelas de uma cidade. Na época, o gueto era a parte da cidade destinada aos judeus, e era separado das outras partes da cidade por muros e portões. À noite e durante celebrações cristãs, os judeus eram proibidos de deixar o gueto.

No século XIX, os ideais do Iluminismo da Revolução Francesa resultaram na igualdade legal para a maioria dos judeus na Europa Ocidental. Eles eram autorizados a saírem de seus guetos e participarem de muitas atividades das quais haviam sido excluídos. Com esta nova libertação, alguns judeus sobressaíram-se nos negócios, nas ciências e artes, e em alguns países, também no governo e na política. Ainda assim a maioria dos judeus europeus continuava pobre.

Apesar das mudanças legais, o antissemitismo foi vastamente espalhado na Europa durante o século XIX. Pequenos lojistas e artesãos ressentiam a competição dos bem-sucedidos mercantes judeus. Em alguns países, nacionalistas extremos afirmavam que os judeus eram uma ameaça ao estado. Partidos políticos antissemitas se expandiram, e calúnias contra os judeus eram frequentes nos jornais.

O Caso Dreyfus na França

O antissemitismo resultou num escândalo que chocou a França no fim do século XIX.

Em 1894, Alfred Dreyfus, um capitão do exército judeu, foi acusado pelo governo francês de vender segredos militares franceses para a Alemanha. Um tribunal condenou-o por meio de falsas evidências. Dreyfus foi sentenciado a confinamento solitário na Ilha do Diabo, uma prisão colonial francesa próxima à África do Sul. Anos mais tarde, novas evidências mostraram que ele havia sido enquadrado por outros oficiais do exército. Esse episódio vergonhoso tornou-se conhecido como o Caso Dreyfus.


Alfred Dreyfus

Muitos líderes de exércitos, nacionalistas, líderes do clero e grupos antissemitas se recusaram a aceitar a reabertura do caso, pois isso colocaria em dúvida a honra do exército francês. Defensores de Dreyfus insistiam que a justiça estava acima de tudo isso; se Dreyfus fosse inocente, diziam eles, ele deveria ser libertado. Apesar de ter sido perdoado e libertado em 1899, Dreyfus foi oficialmente declarado inocente apenas em 1906.

Judeus na Europa Oriental

O antissemitismo era especialmente severo na Europa Oriental. A Romênia impedia a maioria dos judeus de votar e possuir cargos. A Rússia restringiu sua admissão para escolas e universidades. Os oficiais russos permitiam, e até mesmo incentivavam o pogrom - campanhas organizadas de violência contra comunidades judias. Durante os pogroms, centenas de vilas de judeus eram incendiadas e o povo massacrado. A partir de 1880, milhares de judeus fugiram da Rússia, e muitos imigraram para os Estados Unidos.

Em 1896, Theodor Herzl, um escritor húngaro judeu, iniciou o movimento sionista. O sionismo visava a estabelecer um lar nacional judaico no território da antiga Israel onde judeus tivessem liberdade e autogoverno. Na época, a proposta de Herzl parecia nada mais que um sonho. Muitos anos depois, ela tornou-se realidade. 


Theodor Herzl

O Antissemitismo alemão

A pequena comunidade judaica na Alemanha contribuía muito para a vida econômica e cultural do país. Os judeus alemães viviam melhor que os judeus na Rússia. Não obstante, eles também se tornaram vítimas de um mito espalhado por racistas alemães. Esse mito afirmava que os judeus haviam iniciado um complô mundial para dominar a Alemanha e tomar controle dos partidos políticos, governo, bancos e da imprensa do país. Os racistas alemães tentaram convencer seu governo a impor leis antissemitas, mas eles fracassaram temporariamente. Mas um grande mal foi causado por essas ideias racistas. De fato, elas ajudaram a plantar as sementes do genocídio de judeus europeus - o Holocausto - que estudaremos em aulas futuras.

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